Esta é a primeira vez que há um estudo desta natureza no país. Estamos falando num período escolar de aproximadamente 12 anos, onde certamente há uma dose de desinformações sobre a “não” contribuição dos negros em qualquer área para o avanço da humanidade.
Ou seja, do jardim da infância ao ensino médio, idéias falsas sobre a inferioridade dos negros fluem com poucas contestações no ambiente escolar brasileiro. É praticamente impossivel para estas mesmas crianças encontrarem nesta atmosfera exemplos positivos, não somente para fortalecer sua auto-estima, como tambem para escapar do lugar comum tradicionalmente reservado aos afrobrasileiros: samba e futebol.
É de se admirar que, mesmo assim, milhões de jovens negros sigam estudando e se formando num ambiente totalmente hostil às histórias de seus antepassados e suas contribuições para o país. É Como se o Brasil só passasse a existir históricamente depois da chegada dos imigrantes europeus e asiáticos.
Tudo que ocorreu até a chegada destes imigrantes parece não ter validade alguma. O triste é que tudo isso é acompanhado por pais, professores, diretores e até mesmo pelo MEC, com a maior naturalidade. O estudo da Fipe vem provar (mais uma vez) que o problema racial brasileiro é muito mais profundo e disseminado do que muita gente pensa.
Os nossos estudiosos uspianos, entre eles, o grão-vizir Demétrio Magnolli, juntamente com alguns neo-capitães do mato, que vivem dando entrevistas condenando as ações afirmativas direcionadas à comunidade afrobrasielira, porque acham que estas políticas públicas trarão um problema racial que o país nunca teve, claro, na opinião deles. Fariam bem em ler atentamente este estudo.
O problema sobre o debate a favor ou contra as Ações Afirmativas é que muita gente na mídia usa a região glútea para pensar, ao invés da cabeça. Quem sabe após a leitura desta pesquisa essa gente pare de difundir a idéia romantizada de que a solução para resolver, de uma vez por todas, o problema da invisibilidade dos negros seja simplesmente melhorar escola pública.
Segundo o coordenador do estudo, José Afonso Mazzon, professor da Faculdade de Economia, Administracao e Contabilidade da USP (FEA), o problema não é isolado, como querem alguns. A sociedade brasileira é preconceituosa, logo a escola tambem refletirá este preconceito. Se há um assunto que merece uma série investigativa de reportagensl, é o quanto a cultura brasileira ainda está atrelada à mentalidade escravocrata que influenciou todas as relações por mais de 350 anos. Vejam como esta mentalidade segue forte nas relações sociais.
O episódio envolvendo a conduta nada ética do senador José Sarney mostra que ele está mais para senhor feudal do que para presidente do Senado brasileiro. Mas, é claro que os uspianos e seus asseclas não querem discutir estes e outros assuntos relacionados à comunidade afrobrasileira. Preferem ficar em pé num destes engradados de maçãs com um megafone na mão gritando sandices para quem quiser ouvir, de que não há problema racial no país.
Tudo não passa de um complô armado por fundações estrangeiras do tipo “Ford” para perturbar o ambiente idílico em que vivem as pessoas na sociedade multietnica brasileira.
Quando se fala em debate sobre o racismo e ou preconceito racial, sequer saímos do jardim da infância. Em outras palavras: mais uma vez, observamos que a nossa tão decantada ideologia da democracia racial há muito tempo anda mais furada do que um daqueles deliciosos queijos suiços.
TITANIC
Eu não sei se o leitor (a) assistiu ou se lembra de uma cena em particular no filme dirigido por James Cameron (Exterminador do Futuro 1,2) onde o transatlântico aparece empinado na água. A proa apontando para o céu como se o navio estivesse tentando escapar de ser totalmente tragado pelo oceano.
A atual situação econômica dos EUA está muitissimo parecida com o Titanic, após 8 anos de administração do senhor George W. Bush.
É de conhecimento geral o que aconteceu com o transatlântico. Segundo artigo publicado recentemente pelo “The New York Times” há pouco espaço para qualquer tipo de manobra política por parte do atual presidente Barack Obama para tentar conter o déficit orcamentário, que está na casa dos US$ 1 trilhão.
Este monstro está sendo financiado por países estrangeiros, principalmente o dragão chinês. Quando o ex-presidente Bill Clinton deixou o governo, a estimativa na época era de que os EUA teriam um superavit orcamentário entre 2009 e 2012 de US$ 800 bilhões ao ano.
O crescimento econômico durante a presidência do senhor Bush não foi suficientemente robusto. Isto fez com que as receitas governamentais fossem insuficientes para financiar muitos de seus programas, entre eles, a operação no Iraque, o corte de impostos para as empresas e tambem para financiar o programa público que cobre os milhões de norte americanos sem convênio médico.
O economista Alan Averbach da prestigiosa (e liberal) Universidade da Califórnia e autor de um influente estudo sobre o atual déficit diz mais ou menos o seguinte sobre a atual situação: “O senhor Bush foi irresponsável por 8 anos”. “Por um lado não é justo as pessoas esperarem que o presidente Obama arrume a economia. Mas por outro lado, se ele ficar parado a tendência e as coisas piorarem mais ainda”. “As coisas ficarão piores gradativamente”, prevê o senhor Auerbach. “A menos, é claro, que elas se deteriorem rapidamente”.
A solução para resolver a situação não é mistério. Está entre aumentar impostos, o que o Partido Republicano abomina e tambem frear gastos do governo, o que é um sacrilégio aos olhos do Partido Democrata, que insiste em afirmar que o governo tem uma grande responsabilidade em ajudar os menos afortunados na sociedade.
De qualquer forma esta é a situação econômica atual dos EUA. Este é o legado do déficit trilionário. Trazê-lo para patamares mais palatáveis será o grande desafio deste presidente e de sua jovem administração.
PELÍCULA
Estão reunidos, mais uma vez, o diretor Tony Scott e o ator Denzel Washington. Só que desta vez eles tambem tem a companhia de John Travolta. O novo filme “The Taking of Pelham 123” (O sequestro do Metrô Pelham 123) não é tão bom quanto o original de 1974 estrelando o grande Walter Mathau.
Mesmo assim, o diretor Scott mostra neste ótimo triller os emaranhados do subterrâneo novaiorquino. (Ah! Se o metrô paulistano tivesse esta quilometragem e tambem este serviço.) Assistindo a este filme temos a impressão de estarmos numa daquelas montanhas russas enquanto vemos a atuação bastante peculiar de John Travolta como o líder dos sequestradores, e Denzel Washington no papael de um despachante de trens, num daqueles dias que ele teria preferido ter ficado em casa.
O filme conta ainda com as presenças do excelente John Tuturro como o negociador que serve de saco de pancadas para as piadas de Travolta, e do sempre dependente Luiz Guzman como um dos sequestradores.

Edson Cadette