Manhattan, Nova York – O restaurante “Silvia’s” abriu suas portas na Ilha de Manhattan em 1962, há exatos 50 anos. Localizado na  Avenida Lenox com a Rua 127, centro nervoso do Harlem, era somente um cubículo com cinco cabines e seis cadeiras. O menu girava basicamente em torno dos quitutes sulistas – costelinhas, bolos quentes, pão de milho e uma suculenta galinha frita.

 

A imensa popularidade do restaurante rendeu à sua dona, Silvia Woods, o carinhoso apelido de rainha da comida “soul” – a típica comida feita pela comunidade afro-americana. Detalhe: a comida é saborosa, mas também é rica em colesterol.

 

Servindo como uma ancoradora culinária, e sendo seu restaurante, de fato, o centro social de atividades no Harlem, pelo restaurante Silvia’s passaram personalidades marcantes da cultura norte-americana. Entre seus frequentadores estão Roberta Flack, Quincy Jones, Diana Ross, Muhammad Ali e Bill Clinton, entre outras.

 

Até mesmo o irmão do presidente John F. Kennedy, Robert, gostava de frequentar o restaurante quando estava na cidade. O atual prefeito, Michael Bloomberg, é frequentador assíduo, assim como eram seus antecessores, os prefeitos Edward Koch e David Dinkins. Aliás, este último, delicia-se com a suculenta couve-flor e com a batata-doce, especialidade da casa. Conta a lenda que era uma briga, arrancá-lo da mesa do restaurante.

 

Ônibus cheios de turistas de toda a parte visam o restaurante diariamente para experimentar a galinha frita. O diretor Spike Lee usou o restaurante para gravar cenas para o filme “Jungle Fever”, estrelado  por Wesley Snipes e a belísssima Annabela Sciorra.

 

Há três décadas, o crítico gastronômico da revista New York colocou definitivamente o restaurante no roteiro turístico da cidade quando elogiou a comida, numa época em que turistas incluírem o Harlem no roteiro era raro. Poucos se aventuravam a fazê-lo.

 

 A senhora Woods, que faleceu em julho deste ano aos 80 anos, recebeu da comunidade uma singela homenagem, numa cerimônia em que estavam presentes o ex-prefeito Dinkins e o ex-presidente Clinton. Descanse em paz, senhora Woods!

 

Viva Nova York

 

Susan Rice tem 46 anos de idade. Detalhe: ela é eleganterrima e muito bonita. Em outras palavras: uma mulher sofisticada e de classe. Sua ficha curricular é de primeiro time. Nascida em Washington, é formada em Economia pela prestigiosa universidade de Cornell de Nova York. É tambem a segunda pessoa afro-americana a fazer parte do eclético grupo de diretores do “Federal Reserve”, a instuticao que regula o mercado financeiro norte-americano. Em 2008, logo após sua eleição, o presidente Barack Obama a nomeou representante dos EUA nas Nações Unidas.

 

Com a saída confirmada da atual secretaria de Estado, Hilary Clinton, Susan Rice seria a escolha natural para o posto de Hilary. Sua escolha, porém, está ameaçada por causa de declarações feitas após o ataque terrorista à embaixada dos EUA na Libia, em que morreram o embaixador Christopher Stevens e mais três funcionários. Declarações estas que foram passadas a ela pela CIA.

 

Nelas Rice afirmou que os ataques à Embaixada eram um protesto normal de muçulmanos ofendidos por um vídeo postado por um norte-americano na internet, com ofensas ao profeta Maomé.

 

A verdade, porém, é que o suposto ataque não teve nada de espontâneo e foi teria sido praticado, segundo todas as evidências por um braço da rede terrrorista Al Qaeda. Os republicanos estão acusando Rice de mentir  para tentar minimizar a responsabilidade do presidente Obama.

 

É claro que as  primeiras informações foram equivocadas. Mas, também é claro que, em situações como as do ataque, a medida que o tempo vai passando, a a situação vai se esclarecendo na medida em que avançam as investigaçõeses. Porém, para os republicanos que querem barrar sua nomeação a qualquer custo e ainda sob o impacto da reeleição de Obama, nenhuma explicação importa.

 

O presidente corretamente está 100% convencido de que deve nomear Rice, acrescentando inclusive, que os republicanos deveriam apoiá-lo. São enormes, por isso mesmo, as chances de que ela seja confirmada pelo Congresso com a substituta de Hilary Clinton no cargo de Secretária de Estado. Não sem antes explicar-se.

 

Edson Cadette