Queens, Nova York“Rise and Fall of Apartheid: Photography and the Bureaucracy of Everyday Life” (Ascenção e Queda do Apartheid: Fotografia e a Burocracia da Vida Diária, na tradução do inglês) ficou em cartaz no Centro International de Fotografia, localizado na esquina da Rua 43 com a Sexta  Avenida em  Manhattan, entre setembro de 2012 e janeiro deste ano.

A exposição com mais de 500 fotos, vídeos, jornais, livros e documentos do period do apartheid, ocupou dois andares, cobrindo mais de 60 anos  de um dos mais violentos e repressivos sistemas políticos criados para excluir uma grande parte de sua população, no caso os negros sul-africanos.

Ver fotografias de jovens idealistas como Nelson Mandela, à epoca um jovem advogado, esperando o resultado de seu julgamento usando um shorts e luvas de boxes para tentar distrair a mente do que lhe esperava, é impagável. Examinando todos os documentos é impossivel ficar indiferente à luta diante de humilhções diárias como carregar um passe oficial para ir de um lado a outro dentro de seu próprio país.

O aparthei foi oficialmente instituído na África do Sul em 1948, com a eleição de D. F. Malan, que adotou leis segregacionistas todo e qualquer direito da maioria negra. Mesmo sob este horrendo sistema político, os negros tentavam levar suas vidas da melhor maneira possível.

Várias estratégias fotográficas, de documentário a reportagens passando por ensaios, foram colocados de uma maneira para os visitantes terem uma idéia das condições sociais, políticas, econômicas e culturais em que vivia a maioria negra sob as leis do apartheid.

O sistema penetrou de uma tal maneira na vida cotidiana que até mesmo os mais triviais aspectos da vida, um simples divertimento, o tranporte, a educação, o turismo, a religião e os negócios, foram afetados.

Mente Brilhante

Peter G. Neuman é um velhinho de 80 anos com barbas brancas e penetrantes olhos azuis. No dia 8 de novembro de 1952, quando ainda era estudante universitário da prestigiosa universidade de Harvard, no Estado de Massassuchetts (leste), ele teve a oportunidade de tomar um café da manhã de duas horas com o grande físico Albert Einsten.

Neuman, um octagenário renomado cientista especializado  em computação, está com suas barbas cada vez mais brancas por causa, na sua opinião, de ameaças que pairam no ar de um possível ataque terrorista em computadores norte-americanos com consequências catastróficas não somente para os EUA, mas para todo o planeta.

 Neuman há décadas tornou-se um dos maiores especialistas em segurança da computação. Ele previu que os furos na segurança dos computadores que vem acompanhando a explosão da informática e da internet nos últimos 20 anos, terão consequencias desastrosas se nada for feito em âmbito mundial.

Toda a preocupação foi reforçada no final de 2012 pelo Secretário de Defesa, Leon E. Panetta, avisando da possibilidade de um ataque cibernético equivalente ao ataque aéreo feito pelos japoneses a base naval de “Pearl Harbor” no Hawaí.

Ele está liderando um grupo de pesquisadores para repensar um modelo de segurança do sistema de computação, trabalhando em conjunto com Robert N. Watson, também renomado cientista na area, com uma vasta experiência. O projeto está sendo supervisionado pelo Pentágono, o quartel general do Departamento de Defesa dos EUA.

Neuman diz ter a impressão de que “as pessoas encarregadas da segurança da informática nos EUA não estão querendo ouvir sobre complexidades.” “Eles querem soluções rápidas e sujas”, afirmou recentemente em entrevista.

Ele acredita que o que deveria ser feito para solucionar o problema seria estudar o que de bom já foi feito nos últimos 50 anos, pegar as melhores ideias e trabalhar duro em torno delas. Em outras palavras: começar do zero.

Richard A. Clarke, um ex-especialista na luta contra terrorismo durante o Governo Bush, e que foi duramente criticado pelo seu ex-patrão quando avisou que o país corria sério risco de um ataque terrorista do grupo Al Quaeda, concorda com a avaliação de Neuman. ”Nos ultimos 45 anos, fundamentalmente falando, nao redesenhamos nossa rede de computação. Estamos tapando um enorme dique com dedos e esparadrapos”, disse Clarke.

Neuman cresceu em Nova York, mais precisamente em Manhattan. Entretanto, sua família mudou-se para o interior do Estado onde ele estudo o ensino secundário. Seu pai era um conhecido colecionador de arte (art dealer), primeiro na Alemanha, e depois em Nova York, onde abriu sua própria galeria, a “New Art Circle”(trad livre – Novo Círculo da Arte), depois de mudar-se para Nova York, em 1923.

Neuman lembra de um episódio quando seu pai estava comendo num restaurant em Munique onde tinha uma galeria, e descobriu que estava sentado ao lado de Adolf Hittler, e alguns de seus companheiros nazistas. Ele deixou o país logo após o episódio.

Sua mãe, Elsa Schmid Neuman, era uma artista. O café da manhã com Eisntein aconteceu porque ela foi encarregada de criar um mosaico colorido do pai da teoria da relatividade, e por causa deste trabalho ela acabou tornando-se amiga dele. O mosaico está pendurado numa das salas de leitura na biblioteca principal da universidade de Boston (leste).

Seu encontro na universidade foi o começo de um longo romance com a beleza e os perigos da complexidade. Algo que  Einstein deixou escapar durante o café daquela manhã. “O que você acha de Johannes Brahms?”, perguntou Neuman ao físico. “Eu nunca entendi Brahms”, respondeu Einstein. “Eu creio que Brahms estava queimando o óleo da meia noite tentando ser complicado.”

 

Edson Cadette