Isto aconteceu em 1958, portanto, dois anos antes dos estudantes em Greensboro, Carolina do Norte (Sul) protestarem, sentando-se na loja de departamento Woolworth e, conseqüentemente, ganhando a fama de iniciarem esta forma de protesto em várias cidades do sul dos EUA.
Durante três semanas os dois jovens sentaram-se calmamente na frente do estabelecimento até o fechamento das portas, apesar dos constantes abusos e agressões verbais por parte de clientes brancos.
Finalmente, o dono cedeu e resolveu serví-los, reclamando que, por causa do protesto, seu negócio estava perdendo muito dinheiro.
O protesto recebeu pouca atenção da grande mídia, e somente em 2006, Walters recebeu um prêmio da Organização para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP em inglês) pelo papel que teve no movimento.
Mas, Walters também deixou sua marca no Movimento dos Direitos Civis como professor universitário, autor, comentarista de televisão, e conselheiro de ativistas e políticos. “Ele um dos cérebros do Movimento”, disse Vernon E. Jordan, advogado, autor e líder do Movimento dos Direitos Civis.
“Ele estava ali para todos nós, do outro lado da linha telefônica, se precisássemos de sua síntese do problema racial, do problema político, do problema econômico, e de seu pensamento em geral. Ele es tava sempre pronto para o embarque para ajudar nossa causa”.
Walters foi conselheiro do pastor Jesse Jackson, quando Jackson disputou a presidência pelo Partido Democrata, em 1984. No começo dos anos 70, ele foi fundamental ao ajudar a criar o Comitê Negro do Congresso; em seguida assumiu o posto de conselheiro do primeiro presidente, Charles Diggs.
Ronald Walters publicou 13 livros e centenas de artigos sobre política racial. No livro “White Nationalism, Black Interests: Conservative Public Policy and the Black Community”, ele analisa o retorno do conservadorismo entre os cidadãos brancos.
No livro “Black Presidencial Politics in America: A Strange Aproach”, Walters profetizou o dia em que os EUA escolheriam um presidente negro para a Casa Branca. Ao assistir a posse do presidente Barack Obama, ele comentou com a esposa: “Esta era a visão que eu estava tentando mostrar quando escrevi o livro, que isto era uma grande possibilidade.”
Walters era filho de Gilmar Walters, um oficial do exercito, e depois baterista, e de Maxime Fray Walters, uma investigadora pública estadual na área dos direitos civis.
Ele graduou-se em História pela famosa universidade Fisk, em Nashville, no Estado do Tennessee (Sul) em 1963, e fez a pós- graduação em estudos africanos e também o doutorado em estudo internacional pela “American University”.
Em 1971, tornou-se o primeiro presidente da cadeira de estudos afro-americanos da prestigiosa universidade Brandeis, localizada em Boston. Entre 1971 e 1996, foi professor da Universidade de Howard, em Washington. Durante 15 anos, foi presidente do Departamento de Ciências Políticas.
Walters também escrevia uma coluna semanal que era distribuída para vários jornais no país. Sua última coluna tratava do Movimento de Não-Violência dos Direitos Civis, em 1963, e como os EUA iriam, finalmente, atingir seu ideal dando oportunidades a todos em investir no grande projeto nacional chamado democracia.
Viva Nova York
Um dos vilões mais conhecidos das histórias em quadrinhos no meu tempo de criança era o Coringa, inimigo mortal do Batman, o famoso Homem- Morcego.
Agora, o que muitos fãs dos gibis não sabem, é que o nascimento deste vilão – se e que podemos chamá-lo assim – aconteceu em 1939. Seu criador, Jerry Robinson, um simpático velhinho que ainda reside aqui em Manhattan, foi passar as férias em Pennsylvania, a pedido de sua mãe para que engordasse um pouco antes de seguir para a universidade.
Por coincidência, Bob Kane, criador do Batman, também estava no mesmo local. Kane notou que o jovem Robinson estava usando uma jaqueta coberta de desenhos criados por ele próprio, e o convidou para fazer parte de sua equipe de cartunistas. Podemos dizer que foi “amor” à primeira vista.
Não querendo perder a oportunidade, Robinson transferiu-se, imediatamente, para a Universidade Colúmbia, de Nova York. “Nós realmente vivíamos, comíamos, bebíamos e dormíamos Batman – idéias, personagens, e histórias,” disse Robinson.
Ele aprendeu, por meio de seus estudos, que alguns personagens são construídos nas suas contradições. Por este motivo decidiram que o malfeitor teria também um agudo senso de humor. “Eu acho que o nome apareceu primeiro. O Coringa”, disse Robinson. “Havia sempre um baralho na minha casa porque minha família adorava jogar o “Bridge”, acrescenta.
O Coringa, segundo afirmação de Robinson, foi um estouro com o cartunista Bob Kane e o escritor Bill Finger. Apesar de Kane receber os créditos como o criador do Homem-Morcego em todos os gibis publicados pela DC Comics, Finger teve uma participação fundamental no desenvolvimento da atmosfera gótica; em alguns casos, ele também é reconhecido como um dos criadores do Batman. “Ambos ficaram pirados com o meu desenho do Coringa, e o colocaram imediatamente na primeira história, logo de saída, no Batman numero um”, conta.
O Coringa apareceu em 1940 e deveria ter morrido no final da primeira história. Entretanto, um editor visualizando as possibilidades do vilão, mudou um pouco o final mostrando o Coringa sobrevivendo a uma facada. Desde então, o palhaço príncipe do crime dividiu inúmeras histórias com o Homem- Morcego.
Tudo isso, e muito mais sobre o mundo dos gibis, é contado com muitos detalhes no excelente livro “Jerry Robinson: Ambassador of Comics”. Um livro cheio de ilustrações publicado pela Abrams ComicsArt que, certamente, agradará a todos os fãs tanto do Coringa como do Batman.
Viva Nova York II
A temporada de séries novas da televisão, aqui nos EUA, começa em setembro, no começo do outono. Dentre os novos shows apresentados em horário nobre pelos principais canais abertos de televisão, há um que se passa na cidade de Detroit.
O novo drama policial Detroit 1-8-7, no canal de televisão ABC, é como um daqueles antigos seriados do tipo Kojak (que passava em Manhattan), onde o trabalho de campo dos investigadores é mais importante do que a tecnologia.
Atualmente há inúmeros shows e seus derivados, nos quais a tecnologia fala mais alto. O mais conhecido deles por aqui é o CSI (que eu nunca assisti), que também seguiu o mesmo caminho com shows chamados CSI: NYC e CSI: Los Angeles.
Parece que anos depois do excelente NYP Blue, que ficou no ar por mais de 15 temporadas, a rede de televisão ABC acertou em cheio com a nova série. Espero que, diferentemente de muitos dos novos shows que já foram cancelados, Detroit 1-8-7 fique em cartaz por algumas temporadas. Estou com meus dedos cruzados!
Viva Nova York III
Lembro-me de ter visto o filme “A Força do Destino” num dos antigos cinemas no centro de São Paulo. Se não estou enganado foi no antigo cine Coral, na Rua sete de Abril. A história gira em torno de cadetes da Marinha, e a esperança das garotas que vivem perto da base de treinamento em “fisgar” um dos futuros oficiais.
Uma das garotas, era a belíssima Debra Winger, e a outra, a loira Lisa Blout, esta última a amiga cínica que rejeita a proposta de casamento de um dos oficiais porque ele é caipira e gostaria de levá-la para a fazenda de seus pais no Arizona. Ao ser rejeitado, o cadete se enforca depois de engolir o anel de noivado com uma talagada de whisky.
Na última cena do filme, quando Richard Gere retorna como oficial da Marinha todo vestido de branco para buscar sua amada (Debra Winger) na fábrica onde ela trabalhava, Blount, com uma ponta de inveja grita para sua amiga: “Vá garota, vá!”
Lisa Blount foi encontrada morta recentemente por sua mãe, na casa onde morava em Arkansas. Ela tinha apenas 53 anos. R.I.P.

Edson Cadette