Os dados foram coletados entre os alunos do pré e da escola média. “Educação escolar é o Direito Civil da nossa geração,” disse a secretária de Educação Arne Duncan. “A inegável verdade é que a experiência diária de educação para milhares de estudantes desonra o princípio de igualdade que é a base da promessa norte-americana para a ascensão social”, acrescentou.
O Departamento de Educação começou a recolher dados no final dos anos 60, porém, o projeto foi abandonado durante o Governo do presidente George W. Bush (filho), em 2006. Foi retomado durante a presidência de Barack Obama e expandido para examinar também uma área maior de informação, incluindo a área de aplicação da Lei, na qual os ativistas dos Direitos Civis dizem que precisa ser melhor observada por causa da aparição do que chamam de trilha “da escola para a prisão”.
De acordo com relatórios das escolas, mais de 70% dos estudantes envolvidos em detenções relacionadas a mal comportament eram latinos e negros.
A dura punição que muitas vezes é aplicada a estudantes, incluindo expulsões sob a regra da tolerância zero, é também a condução para a policia. Na prática, isso significa expulsá-los das escolas e levá-los diretamente a se envolver no sistema criminal.
Os dados mostram também que escolas com um grupo grande de estudantes minoritários (negros e latinos) mais provavelmente teriam professores menos experientes e de salários mais baixos. Na média, professores em áreas de grande concentração de estudantes negros e latinos, ganhavam menos do que seus colegas em outros lugares.
Muitas das escolas onde estão localizados os distritos escolares maiores tem diferentes maneiras de disciplinar alunos de acordo com sua etnia. Na Califórnia, por exemplo, os estudantes negros são somente 9% do total, mas representam 26% dos suspensos. Em Chicago, eles representam 45%, mas são constituem 76% das suspensões.
Em recentes décadas, quanto mais os distritos e Estados adotaram políticas de tolerância zero, impondo suspensões mandatórias, mais e mais os estudantes tem sido forçados fora da escola por pelo menos alguns dias, um caminho que muitos argumentam está pavimentando para ficarem para trás, e finalmente pularem para fora da escola.
Não é difícil prever que, sem a educação necessária para enfrentar o mundo altamente globalizado do século XXI, estes estudantes estarão destinados a passar boa parte de suas vidas atrás das grades, ou vivendo uma vida de cidadãos de segunda classe.
Viva Nova York
A dramaturga Katori Hall trouxe para a Broadway o ano passado a peça “Mountaintop” estrelando a talentosíssima atriz Ângela Bassett e o ator Samauel L. Jackson. A peça conta a história da última noite do reverendo Martin L. King antes de ser assassinado no balcão do motel Lorraine.
Hall está de volta aos palcos da cidade com a peça “Hurt Village”, a história de uma família afro-americana vivendo sob a tutela e ajuda financeira da matriarca durona, mas com um coração de manteiga.
A peça mostra a luta de uma família no gueto para não sucumbir as armadilhas sociais que são uma presença constante na vida de quem não tem muita importância para a sociedade em geral.
Apesar da atuação impecável da grande atriz Tonya Pinkins como a matriarca, a peça sofre por colocar para a platéia o meio ambiente como culpa pela situação da família, e não por decisões tomadas por seus membros individualmente.
Entre o gueto, a mãe solteira, o traficante local, a adolescente com sonhos de tornar-se cantora de música Rap, e o filho retornando da guerra do Iraque, a impressão que fica é que a história já foi contada outras vezes com mais competência.
Viva Nova York II
Os atores afro-americanos devem agradecer imensamente ao diretor, escritor e também ator Tyler Perry por mantê-los ocupados. Perry, criador da personagem matriarca Medea está de volta à telona com o filme “Tyler Perry’s Good Deed” (As Boas Ações de Tyler Perry – trad. Livre).
Poderíamos chamar o filme de Mulher Bonita versão “black”, ou se você preferir afro-americana. A história de um alto executivo envolvido numa série de problemas, entre eles o conjugal, que encontra numa servente sua cara metade.
Os personagens são pintados de uma maneira um tanto quanto caricata. O filme vale pela presença de lindas mulheres como Thandie Newton e Gabriele Union.
Viva Nova York III
Terrence Howard e Cuba Gooding Jr. mostram seus talentos no filme “Red Tails” (Caudas Vermelhas). É a história de um grupo de aviadores afro-americanos do famoso Instituto Tuskegee que, ao passsar por uma grande adversidade, mostram ao Exército que são capazes, não somente de voar nos aviões de guerra, mas também de enfrentar os nazistas na Alemanha. Mesmo que depois, ao regressassem aos EUA estejam fadados a enfrentar o racismo do sul do país.
O filme tem cenas de voos espetaculares. Já a história, nem tanto. Com os clichês habituais para este tipo de filme, ou seja, o piloto alcóolatra, o piloto devoto de um Jesus Negro e, por último, o piloto que coloca sua vida em perigo para mostrar que não tem medo de nada.
Há também um romance interracial entre um dos pilotos e uma bela italiana. “Red Tails” teve a benção, e também o dinheiro de George Lucas, o mesmo que nos presenteou com a série “Guerra Nas Estrelas”.
E que fique bem claro que falo dos filmes dos anos 70/80 e não das porcarias que ele requentou nos anos 90.

Edson Cadette