Queens, Nova York – Michael Connelly  um conhecido escritor de livros populares de ficção com histórias centradas na Califórnia (Oeste), mais precisamente na cidade de Los Angeles. Suas histórias tem como protagonista principal um detetive policial chamado Harry Bosch.

O senhor Connelly é um díscipulo fervoroso do escritor Raymond Chandler. Talvez por esta razão suas histórias tenham uma áurea daquilo que é chamado de “fim noir”, ou seja, filmes onde há sempre ruas vazias e escuras, alguma figura solitária tocando saxofone, luzes de neon de algum restaurante de reputação duvidosa etc. Não falando, é claro, o corpo de alguma vítima estendida no asfalto sendo examinada por algum detetive vestindo um sobretudo, chapéu e com um charuto apagado na boca.

Anos atras, o senhor Conelly deparou-se com um artigo sobre um saxofonista chamado Frank Morgan. O senhor Morgan é um discípulo do grande tenor saxofonista Charles Parker seguindo os passos de seu guru musicalmente falando até mesmo no alto consumo de drogas. É claro que isto o levou a sérios desagravos com a lei, passando por causa disto vários anos atrás das grades. Após ler o artigo, o senhor Connelly resolveu ver um show do senhor Morgan.

Há muito mais nesta história do que um saxofonista viciado. A grande verdade é que o senhor Morgan que morreu há mais de 5 anos deixou uma profunda impressão na maneira como o escritor Michael Connelly desenvolveu os maneirismos de seu personagem principal. Em um dos livros da série do detective Harry Bosch, por exemplo, o protagonista principal até pega no saxofone para tocar uma das músicas do senhor Morgan chamada “Lullaby”.

Todas as vezes que o escritor desenvolve seus personagens, ele escuta o saxofone do senhor Morgan. Como ele mesmo diz ”é como se eu precisasse de algum tipo de droga para poder criar. A música de Frank Morgan me transporta para dentro de meus personagens”.

Um pouco antes do falecimento do senhor Morgan, tanto o escritor como o músico se encontraram numa palestra patrocinada pela faculdade de musica de Boston (Leste) para falarem do relacionamento entre a escrita e a música.

No jantar seguido da palestra ambos combinaram de encontrarem-se mais vezes em outras faculdades para tentar alcançar jovens aspirantes a músico.

Infelizmente por causa de um rápido declínio de saúde, o senhor Morgan faleceu de câncer no instestino grosso. Depois disto o senhor Connelly começou a pensar numa maneira de não deixar a história deste grande saxofonista perder-se no tempo.

Ele teve a brilhante ideia de fazer um filme contando a história do senhor Morgan. Até o momento ainda não se sabe como será tratado todo o melodrama da vida de Frank Morgan. Entretanto, uma coisa é certa, nesta história, o senhor Connelly escreverá livremente o roteiro do filme, tanto quanto ele escreve sobre seu personagem favorito, o detective Harry Bosch.

Viva Nova York

Craig Wilson tem somente 40 anos de idade. Ou seja, ele nasceu em 1975, somente dois anos  antes do que é considerado pelos entendidos como o nascimento do gênero musical conhecido como rap, ou hip- hop como é chamado hoje em dia. Desde de 2005 o senhor Wilson está tentando criar o museu do hip- hop. Diplomado pela prestigiosa universidade pública de Rutger em Nova Jersey (Leste), ele acredita que este ritmo musical merece ter seu próprio museu, como o museu do Rock & Roll em Cleveland, Ohio (Leste).

O senhor Craig é o presidente do museu nacional do hip-hop. Um título, é claro, um pouco confuso, já que o museu ainda não existe.  Apesar do plano ambicioso, uma página caprichada na internet, e a meta de arrecadar a bagatela de US$ 50 milhões, sua organização até o momento conta apenas com US$ 6 mil na conta bancária.

Tudo isto, é claro, não o desanima. “O hip-hop como cultura é extremamente poderosa, mas acredito que há um estereótipo negativo espalhado por aí que não conseguimos trabalhar em conjunto,” ele disse. “Espero mudar esta imagem, e mostrar para o mundo o quanto somos profissionais”.

Em 2005, um grupo de investidores buscando criar o museu do hip hop perguntou ao senhor Wilson se ele poderia dar uma ajudazinha. Ele acabou gerenciando todo o projeto, e em um ano passou a dedicar-se em tempo integral  a criação do museu.

Originalmente sua intenção era criar o museu no bairro do Bronx. Ele disse que foi prometido a ele pelo “presidente” do bairro, o senhor Adolfo Carrion jr. um local ao lado do estádio do famoso time de beisebol, os “Yankees”. Muita gente diz que este gênero musical nasceu no bairro do Bronx. É claro que há muita controvérsia quanto a isto, mas isto é assunto para uma outra coluna.

Viva Nova York II

O repórter do periódico “The New York Times”, Adam Fisher, esteve o ano passado numa das áreas mais pobres dos EUA, o Mississippi (sul). Ele foi até o interior do Estado, mais precisamente num local conhecido como “Hill Country” (trad livre – Região da Colina) para participar do pic-nic atrás ao lado de algumas choupanas nas cercanias onde morava o conhecido “bluesman” Otha Turner. Este evento que acontece anualmente no final da primavera congrega a população local de estudantes universitários, motociclistas, trabalhadores rurais, e pessoas mais urbanas para encontrar aquilo que é a raiz do verdadeiro “blues”.

O ritmo do pic-nic é baseado única e exclusivamente nos tambores e na flauta. A principal atração musical do evento é a jovem Sharde Thomas, a neta do senhor Otha Turner, de apenas 23 anos.

“É somente flauta e tambor. Uma versão africana das músicas de marchas anglo-saxã, uma das formas mais antigas da música norte-americana tocada pelos escravos de Thomas Jefferson na sua plantação conhecida como Monticello, e ainda hoje é tocada por única família uma vez por ano no que talvez seja a última forma tradicional de pic-nic celebrando o final da época das plantações.”

O local é bem rústico, para dizer o mínimo, com os casebres nos lembrando a época de como os trabalhadores viviam após trabalharem árduamente de sol a sol nas plantações de algodão. Segundo o historiador musical Alan Lomax, em seu livro “The Land Where The Blues Began” (trad livre – A Terra onde O Blues Começou), a flauta e o tambor são uma extensão da música africana nos EUA.

Os instrumentos eram claramente colonial, mas a sincopação dos rítmos, e a troca entre a banda e a audiência, e a própria condição de vida local eram marcas que lembravam uma tradição africana do sub Saara.

A tradição persiste até os dias atuais por causa, única e exclusivamente, da persistência de um homem que considerava a flauta e o tambor uma tradição da família.

A descrição da atmosfera local regada a cerveja e churrasco pelo jornalista do “Times” é completamente diferente da atmosfera altamente tóxica do Mississippi racista dos anos 40, 50, e 60, onde ainda era possível ver cidadão afro-americanos pendurados nas árvores. O único vestígio positivo remanescente daquela época é, sem dúvida alguma, o som do “Blues”.

 

Edson Cadette