Entretanto, em 1957 esta senhora de 73 anos foi jogada no turbilhão da luta pelos direitos civis dos afro-americanos nos EUA quando foi escolhida para cantar ao lado de um aluno branco da Universidade do Texas, o que na época, convenhamos, era uma situação bastante controversa.
De repente, a jovem Conrad se viu no meio de um grande drama envolvendo todo o país. Desaprovando totalmente a escolha dela pela Uuniversidade, segregacionistas da casa legislativa do Estado ameaçaram com o corte de fundos. Representantes da Universidade a sacaram imediatamente da produção de “Dido & Aeneas” de Henry Purcell, substituindo-a por um soprano branco.
Depois que este incidente foi parar nas páginas dos jornais, o cantor e também ativista Harry Belafonte entrou na discussão prometendo pagar sua educação musical em qualquer parte do planeta, se ela resolvesse deixar o famoso Estado racista do Texas. Ao invés disso, a jovem e resoluta Conrad resolveu permanecer na Universidade sob esta intensa atmosfera racista.
“Meu coração queria ir para a Universidade Fisk” (famosa Universidade afro-americana localizada em Nashville, Tennessee, no sul dos EUA), disse a senhora Conrad em entrevista recente. “Porém, você não fugiria se sua permanência significasse fazer uma diferença, e também encorajaria outras crianças negras. No final, era uma question de orgulho mesmo”, arrematou.
Na palavras de Don Carleton, diretor executivo do Centro de Estudos da história dos EUA na Universidade do Texas, “o movimento pela luta dos direitos civis dos afro-americanos é extremamente complexo na sua história. A memória geral desta luta esta mais concentrada nos exemplos horríveis da violência, como os linchamentos, ou os três jovens que morreram no Mississipi tentando organizar os afro-americanos a votar, ele disse. “O que estava acontecendo na Universidade na época, é claro, não se compara em termos de miséria humana e custo, mas mostra que o racismo tocava em todos os aspectos da cultura no país.”
Enquanto ela nunca foi tão conhecida como as mezzo sopranos Kathleen Battle, ou Leontyne Price, divas negras que ultrapassaram o problema racial, Conrad por seu próprios esforços, tornou-se também uma cantora de ópera de renome internacional, cantando em cidades como – Nova York, Boston, Cleveland, Detroit e Londres, entre outras.
Nascida em Center Point, uma pequena comunidade negra no Texas, a senhora Conrad cresceu numa família de educadores dedicados que freqüentavam a Igreja Batista local. Ainda pequena, viu uma apresentação da contralto Marian Anderson, e percebeu que a educação era a chave para suas ambições musicais que pareciam decolar na universidade do Texas.
Como parte do primeiro grupo de universitários da dessegregada Universidade em 1956 (a segregação escolar foi abolida em 1954), Conrad foi barrada de viver com os estudantes brancos no campus universitário, bem como comer nos restaurantes da vizinhança.
Ser escolhida para representar “Dido” lhe trouxe bastante alegria. Mas logo em seguida veio a dura realidade. Um homem branco cuspiu em seu rosto enquanto caminhava pelo campus da universidade. Carolyn Graves Good, uma amiga branca, recebeu ameaças de morte.
Em 1959 a jovem Conrad terminou a Universidade, mudando-se, em seguida para Nova York. Ela conseguiu sua primeira chance no começo dos anos de 1960 atuando na famosa opera “Porgy & Bess” de Geroge Gershwin na casa de ópera da cidade, o MET. Hoje em dia ainda segue dando aulas de música, e mantém um estúdio privado em Manhattan.
“Ela tornou-se bastante conhecida” disse Rosalyn M. Story, autora do aclamado livro “And So I Sing: African American Divas of Opera and Concert”. Story acrescenta que Conrad foi uma pioneira, uma pessoa que abriu portas. Mesmo nos anos 70 era ainda difícil para os negros no mundo da ópera conseguirem papéis de destaque.
Conrad retornou a Universidade do Texas em 1985 para receber um prêmio na condição de ex-aluna. Desde então tornou-se uma embaixadora pela Universidade, ensinando música, colocando seu arquivo pessoal à disposição da Universidade.
Em 2004, foi homenageada pelo corpo legislativo do Estado do Texas, a mesma casa que décadas antes lhe causou tanta dor e vergonha.
“Eu sabia que se eu não retornasse então, jamais retornaria,” disse Conrad, à época do seu primeiro retorno. Ela queria saber se poderia aplicar na Universidade as lições da vida que aprendeu enquanto morava na pequena comunidade de Center Point. “Eu sabia que podia cantar, ela disse. Eu não sabia se poderia perdoar, emendou.
Viva Nova York
“Freqüentemente você se sente como se estivesse vendo as instalações das decorações das festas natalinas em alguma destas chiquérrimas lojas de departamentos em Manhattan.”
Com estas palavras, o critico de teatro do periódico “The New York Times”, Brent Brantley, descreveu a mais nova produção milionária da Broadway, “Spider-Man – Turn off the Dark Side”.
Uma super produção teatral que desde que começou seus ensaios já causou vários acidentes, inclusive mandando o ator principal para o hospital com as costelas quebradas. A peça estava marcada para abrir em março deste ano, porém, só estreou no começo de Junho.
Nem mesmo as músicas do cantor Bono do Grupo U2 conseguirá salvar este espetáculo da ruína, se não total, ao menos parcial . É claro que os turistas que abarrotam a cidade não se preocupam com o que diz o crítico do “Times”.
Eles certamente ajudarão os produtores a recuperar um pouco de seus investimentos. Isto é muito bom porque, do contrario, a peça descrita por aqui como D.O.A (Death On Arrival), ou seja, quando chegou já estava morta, seria tirada de cartaz bem rápido.
Como aquele paciente moribundo que morre assim que a máquina que o mantinha vivo é desligada.
Viva Nova York II
A semana do 11 de Setembro trouxe mais um vez aos EUA emoções que muita gente tenta, se não esquecer, pelo menos ficar menos emotivo com o passar dos anos em relação a data, e o que ela representa. Porém, com o aniversário do décimo ano dos ataques foi impossível ficar alheio as lembranças do fatídico dia.
A grande mídia, é claro, fez seu papel de inundar o país com reportagens. Vídeos, mais os depoimentos daqueles que sobreviveram os escombros das torres gêmeas, junto com os depoimento os dos adolescentes que perderam seus pais, fizeram o menu principal da televisão durante toda a semana. Não falando lógicamente dos especialistas e suas opiniões sobre o papel dos EUA num mundo altamente globalizado e complexo.
Todos tem um opinião sobre a maneira como os ex-presidentes, Bill Clinton e George W. Bush agiram antes e depois dos ataques.
Claro que um evento desta mundial desta magnitude cria condições para todos os tipos de teorias e conspirações. Uma delas, a da política internacional dos EUA fechando os olhos para o que acontecia no Oriente Médio desde que os xeiques continuassem fornecendo petróleo relativamente barato.
A outra de que os EUA sabiam do ataque, e usaram isso como desculpa para poderem invadir o Iraque, e com isso tentar uma mudança política nos países do Oriente Médio, criando um efeito dominó para a instituição da democracia nestes países. A última, tentar proteger seu único aliado na região, Israel.
Há uma montanha de livros, filmes e documentários falando sobre os ataques. Nos próximos dez anos as comemorações com toda certeza serão mais comedidas. Isso, é claro, até o próximo aniversário em 2021, quando serão celebrados os 20 anos da derrubada das Torres. E aí, o circulo vicioso do espetáculo voltará à tona novamente. Quem viver verá.
Viva Nova York III
Tentar classificar musicalmente uma cantora como Sarah Vaughan é um exercício fútil. É claro que os “entendidos” da música Jazz a colocam juntamente com Ella Fitzgerald e Billie Holiday, como as três maiores cantoras deJazz que este pais já produziu. Com essa afirmação estou de pleno acordo.
Estou ouvindo no momento o CD duplo “The Divine Sarah Vaughan: The Columbia Years – 1959-1953”. É nítido na sua voz a influencia da cultura da Igreja Batista, onde ela aprendeu a não somente cantar, mas também tocar o órgão nas igrejas de Newark, aqui pertinho no Estado de Nova Jersey no início da década de 1930. Sua interpretação de “Summertime” é simplesmente divina. Que delícia para os ouvidos. Vozes como a sua hoje em dia nem pensar. Somos massacrados por música popular (de má qualidade) por todos os lados.
A música de boa qualidade resiste. Até quando, não sabemos. Um viva para o Jazz, um viva para a divina Sarah Vaughan!

Edson Cadette