Os adeptos do catolicismo e de religiões para quem a morte é o fim, podem entender até como uma heresia.
Explico: a maneira como um velório de alguém de Gana, acontece por aqui, pode ser descrito como uma noite de festa e não de pesar. Os enlutados vestem as suas melhores roupas e se comportam como se estivessem participando de um grande acontecimento.
Os irlandeses são conhecidos pelo gosto pelo whisky e pelas farras regadas a muito álcool, nos funerais de seus entes queridos. Porém, os africanos de Gana, aperfeiçoaram o luto, em grande estilo, transformando a tristeza pela morte em celebração.
A comunidade de Gana em Nova York é estimada em cerca de 20 mil pessoas. Os ganenses, em sua maioria, estão concentrados no Bronx – aquele dos filmes “Desejo de Matar”, estrelados pelo lituano-americano Charles Bronson.
Quase toda a semana nas igrejas e salões de festas da cidade, as festas nos funerais se repetem e duram a noite toda, com farta bebida e muita música.
Enquanto a família angaria fundos para a despesa com o féretro, um grupo de empreendedores, entre eles, floriculturas, DJs, fotógrafos, Buffett etc., aproveita para ganhar dinheiro nesses eventos.
Os funerais geralmente começam as 22h com uma bênção e discursos em inglês e Twi, uma das línguas faladas no país. Por volta da meia noite a dança começa. O curioso é que o defunto pode ou não está presente.
O “de cujus” pode ter morrido na cidade, ou há alguns meses na África. Não importa. O importante é a motivação desses eventos: arrecadar dinheiro para as despesas com o funeral e servir e servir como ponto de encontro para as enfermeiras, estudantes, motoristas de táxis, cientistas, professores universitarios etc. para dançarem, e esquecerem a dura vida que muitos levam como imigrantes.
Viva Nova York
A mais recente peça da dramaturga Lynn Nottage “By The Way Meet Vera Stark” (à propósito esta é a senhora Vera Stark , em tradução livre do inglês) conta a história de uma atriz afro-americana com sonhos de estrelato na indústria cinematográfica hollywoodiana no começo do século XX.
Ambiciosa, ela acreditava que Hollywood abriria as portas para sua carreira artística, além dos papéis esteriotipados como empregada doméstica, garçonete, garota de chapelaria, garota tribal etc., papéis destinados aos atores afro-americanos na era de ouro dos grandes estúdios de cinema.
Nottage baseou sua história na atriz Theresa Harris. Uma linda atriz que não somente atuava, mas também cantava. À época, ela contracenou com as grandes damas do cinema, entre as quais, Bette Davis, Ginger Roger, Jean Harlow, Myrna Loi, e a famosa nadadora Esther Williams.
Harris foi protagonista, juntamente com Barbara Stanwicky, do filme “Baby Face”. Filme clássico que lançou a carreira de Stanwicky. Ela faleceu em 1985 na Califórnia (Oeste dos EUA) no meio dos anos 80, aos 78 anos.
No papel da protagonista principal nesta peça, a belíssima e talentosa Sanaah Lathan. Seu ultimo papel na Broadway foi no sucesso “A Raisin in The Sun”, em 2004.
Viva Nova York II
A última vez que a legendária ópera Porgy & Bess foi encenada na Broadway foi na temporada de 1976/77. Recentemente, foi encenada no Estado de Massachusetts (Leste dos EUA) para um seleto grupo de investidores que a aplaudiram de pé.
É a história de um aleijado que deixa sua pequena vila de Pescadores na Carolina do Sul em busca da namorada, que foge com o amante. Em 1959, estreou uma versão cinematográfica dirigida por Otto Preminger, estrelando Sidney Poitier, Dorothy Dandridge, e Sammy Davis Jr., entre outros.
A versão original tem duração de quatro horas. O Teatro do Repertório Americano (A.R.T., em tradução livre para o inglês) está trabalhando com o diretor Jeffrey Richards, a dramaturga Suzan-Lory Parks, e com o músico e escritor Diedre L. Murry.
Eles estão tentanto transformar a ópera em um musical com duração de três horas. A previsão para sua estréia na Broadway é para a temporada de outono/inverno, época de grande fluxo de turistas na cidade por causa das festividades natalinas. No atual elenco estão Audra Mcdonald, Norm Lewis e o comediante David Allen Grier.
Viva Nova York III
A ex-modelo da marca Calvin Klein, Brook Shields, está de volta aos palcos da cidade. Shields se especializou em substituir atrizes em shows de musicais da Broadway.
A partir do final de Junho, ela substituiu a atriz Bebe Neuwirth no papel de Mortícia, na peça “A Família Adams”. Suas outras experiências teatrais como substituta foram nas peças: “Chicago”, “Cabaret”, “Grease” e “Wonderful Town”.
Viva Nova York IV
Às vezes ainda é possível ir a um cinema da cidade e não ser interrompido pela claridade de um celular ligado na escuridão. Se o filme em questão é um “blockbuster” de verão, seus usuários pensam que estão na rua ou na sala de suas casas. Isto mesmo depois do enorme aviso antes de começar o filme, em que se pede, gentilmente, aos usuários que desliguem seus aparelhos. Isso acontece com freqüência também aqui.
Outro dia vi um filme inteligente sem interrupções. “The Adjustment Bureau”, com Matt Damon e a bela Emily Blunt. É uma história de amor entre um político e uma dançarina tentando ficar juntos através do tempo e do espaço, desafiando o desejo do Todo Poderoso de mantê-los separados.
O filme é baseado numa história escrita por Phillip K. Dick. O mesmo autor do livro “Do Androids Dream of Electrical Sheep?”, que serviu de inspiração para o clássico “Blade Runner – O Cacador de Andróides”, estrelado por Harrison Ford e Sean Young.
Ainda há vida inteligente nos cinemas da cidade. Que bom!
Viva Nova York V
Percebendo que qualquer ajuda que seu marido puder receber para sua reeleição será bem-vinda, Michelle Obama saiu às ruas para tentar energizar a campanha do marido, Barack Obama, para disputar a eleição norte-americana, marcada para novembro deste ano.
É verdade que a campanha para a Casa Branca só irá esquentar mesmo a partir deste mês. Porém, é sabido entre aqueles que apóiam Obama que ele irá enfrentar uma parada difícil. Os republicanos pintam o atual presidente como o pior presidente que este país já produziu.
Um socialista convicto que está arruinando os EUA com suas políticas de tentar uma melhor distribuição de renda. Está faltando muito pouco para os republicanos acusarem o presidente de comer criancinhas.
Michelle Obama, antenada, no que está acontecendo nos EUA, sabe muito bem que seu marido depende, e muito de sua ajuda, para ir a campo e reafirmar aos jovens que sua reeleição é fundamental para o futuro do país.
Sua missão, além de estar ao lado do marido nos palanques, segundo reportagem do periódico “The New York Times”, e energizar o máximo possível a base democrata e fazer com que eles não só trabalhem duro na proxima eleicao, mas tambem busquem o maior numero possível de eleitores dispostos a votar no marido.
Viva Nova York VI
Samuel L. Jackson e Angela Bassett trabalharam juntos na peça “Tempo Das Pessoas De Cor”. Uma peça com vinhetas que se passava entre a guerra civil dos EUA, e o boicote de ônibus, em Montgomery ,no Alabama (Sul dos EUA). Isto aconteceu há mais de vinte anos. Jackson, à época, já era bem conhecido por causa de seus filmes. Entretanto, Bassett ainda estava começando sua gloriosa carreira cinematográfica.
Desde o final de outubro, eles estão atuando juntos novamente na peça “O Topo da Montanha”. A peça conta a história sobre a última noite do líder e ativista Martin Luther King Jr., antes de ser assassinado no balcão do Motel Lorraine, em Memphis, no Tennessee (Sul dos EUA), no dia 4 de Abril de 1968.
O papel da camareira Camae do Motel, onde King foi assassinado, inicialmente tinha sido oferecido a atriz Hale Berry. Entretanto, por causa de uma disputa judicial sobre a custódia de seu filho, ela pediu para não ser incluída no elenco.
Angela Bassett conhecida pelos filmes Malcolm X e “What’s Love Got To Do With It” (que, diga-se de passagem, merecia o Oscar por suas duas atuações) disse, em entrevista, que está bastante animada em poder fazer par novamente com Jackson.
A peça tem tudo para ser um grande sucesso, tanto de público como de crítica. A peça fica em cartaz até Janeiro de 2012. Se você estiver na cidade para as festas de fim de ano esta e uma ótima opção teatral.
PS: Como ninguém é de ferro, eu também preciso de umas férias. Esta coluna voltará a ser atualizada no final de janeiro. Esperam que todos tenham tido Boas Festas e que tenham um Feliz 2012.

Edson Cadette