Queens, Nova York   Boyd Leen Dunlop tem 85 anos. Em 2008, ele foi admitido em uma casa de repouso para aguardar pacientemente o crepúsculo de vida que lhe falta no planeta Terra. Porém, o que era desconhecido da adminstração da casa, era que Dunlop era um refinado músico de Jazz com energia suficiente para mostrar que ainda era capaz de improvisar um nota jazzística ao piano.

Quando Dunlop foi admitido na casa de repouso, tinha apenas 50 dólares no bolso. Ele tambem foi diagnosticado com alto índice de açúcar no sangue. Além do mais, sentia uma necessidade incrível de estar perto de pessoas. Os atendentes dizem que ele gosta muito de ficar sentado no saguão desejando bom dia a todos, especialmente às mulheres.

Na casa havia um piano encostado com teclas totalmente desafinadas, e outras teclas faltando. Mesmo assim, quando não havia pessoas ao seu redor, Dunlop ensaiava alguns acordes provavelmente sonhando com os dias em que era um pianista em demanda. Porém, a maior parte do tempo, o piano ficava ali sem ser tocado, a não ser, é claro, por algum outro residente que se atrevia a tocar nas teclas sem rítmo algum.

Na primavera de 2010, um fotógrafo “freelancer” chamado Brendam Bannon foi até a casa de repouso para discutir sobre um projeto de arte com a administração. Dunlop disse–lhe um alô pensando tratar-se somente de um médico, e imediatamente gritou: “Doutor! Tire a minha temperatura!.”

Deste encontro casual surgiu uma amizade. Dunlop convidou seu mais novo amigo para ouví-lo tocar. Bannon, que sabia a diferença entre Mingus e Monk (genius da música Jazz), não estava acreditando no que seus ouvidos estavam escutando. Ainda mais saindo de um velho piano desafinado faltando teclas.

Com conhecidos no mundo musical, Bannon imediatamente mandou uma mensagem do que ele estava ouvindo via celular para um amigo de infância chamado Allem Farmello, um produtor musical em Nova York. O que Farmello ouviu foram apenas partes de uma história de pelo menos 65 anos.

O jovem Dunlop recebeu seu chamado ainda jovem ao ver um piano no quintal de um vizinho no bairro onde morava no interior do Estado de Nova York, mais precisamente em Búfalo. Ele aprendeu suas cordas através do guia musical Czerny, e tambem de um músico local. Aos 15 anos ele estava tocando em igrejas e em clubes noturnos, onde as pessoas pagavam para ouví-lo, e as prostitutas até fizeram uma “caixinha” para ele comprar um terno novo.

Dunlop tocou no Exército, em clubes no interior de Nova York que já não existem mais. Ele tocava depois de seu trabalho numa siderúrgica. Do nada, depois de ver que a vida que estava levando não era suficiente, largou tudo para ser um músico tempo integral em Nova York, Chicago e Los Angeles.

Tudo isto e muito mais estava na música ouvida por Farmello. As filhas do casamento acabado, a igreja, a diabetes, a velhice, os arrependimentos etc. “Nao acreditava no que estava ouvindo”, disse Farmello.

No começo de 2011, Farmello e seu amigo músico, Bannon alugaram um estúdio musical e contrataram dois músicos profissionais: o baixista Virgi Day e o basista Sabu Adeyola, que tinham ouvido falar de  Dunlop por causa do clube dos músicos da cidade.

Quando Dunlop chegou ao estúdio para a gravação, nem tirou o casaco. Foi direto ao piano e começo a tocar como se os anos não tivessem passado. O que ele estava tocando acabou fazendo parte do CD chamado “Boyd’s Blue”.

Outro dia na casa de repouso havia restos de comida de mais um almoco distribuído para os velhinhos. Mais uma rodada de bingo havia terminado. Mas nada disso interessava mais a Dunlop.

Ele colocou o casaco de frio sobre o agasalho, passou pela recepção acenando ao segurança a caminho da saída. Ele tinha que ensaiar para um trabalho que estava esperando por suas mãos delicadas no sábado à noite.

Viva Nova York

2010 marcou o 42º aniversário do assassinato do pastor e ativista Martin Luter King Jr. Ele foi morto no dia 08.04.1968 no Tenneessee (Sul). O museu do Bronx, na época, apresentou uma sensacional exposição intitulada: “Road to Freedom: Photographs of the Civil Rights Movement, 1956-1968” (trad. Livre – Estrada para a Liberdade: Fotografias do Movimento pelos Direitos Civis, 1956-1968).

Detalhe: Esta exposição ficou em cartaz por cinco meses.

A exposição mostrou de uma maneira bastante peculiar, e até mesmo com um ohar mais dinâmico as fotografias de um dos períodos mais tumultuados na luta pela igualdade de direito a ascenção social na história recente norte-americana. Esta exposição foi tambem a maior exposição de fotografias do período da Luta do Movimento pelos Direitos Civis em mais de 20 anos.

A vasta maioria das fotos em exibição faz parte do acervo do próprio museu. Algumas foram exibidas pela primeira vez.

As fotos foram tiradas por artistas dedicados, fotojornalistas, fotógrafos do Movimento, e tambem por fotógrafos amadores, arriscando serem alvos de retaliações, e até mesmo, morte por partes de uma sociedade ainda altamente racista, para mostrarem as transformações que aconteciam na sociedade.

As fotos captam a esperança e coragem de homens e mulheres que desafiavam o “status quo”, armadas com a filosofia da não violência e a firmeza de suas convicções.

As fotos, acompanhadas de documentos da epoca, apresentaram a narrativa dos momentos chaves nesta imensa e profunda história, incluindo os “Freedom Riders” (trad. Livre – Viajantes da Liberdade) de 1961 (jovens universitários que saíam de suas universidades no Norte para registrarem cidadãos negros a votarem no sul do país), “Birmingham Housing” (trad. Livre – Moradia de Birmingham), de 1963, e a famosa marcha do Selma para Montgomery, em 1965.

Estas imagens fotográficas são inesquecíveis e, certamente, ajudaram na tranformação dos EUA, ajudando a aumentar a visibilidade do movimento da não violência pregado por King, mostrando dramáticamente as injustiças e a luta pela igualdade.

 

Edson Cadette