S. Paulo – Passei 17 dias em S. Paulo, em férias curtas para rever amigos e visitar família. Falar sobre seus problemas de infra-estrutura, transporte público, corrupção, sujeira no centro da cidade, violência policial, e marasmo político, e um exercício de futilidades. Todos reclamam da situação atual, mas basta ter um feriado para que uma grande quantidade de pessoas deixam a capital paulista para as praias, ou mesmo, em direção ao interior do Estado para "descansar”.

Como um turista, deixei tudo isso de lado e aproveitei o que de melhor a cidade pode oferecer em termos de cultura e lazer. Apesar de achar São Paulo muito cara, aproveitei minha estadia juntamente com minha filha Nubia para rever amigos, comer pizza, comer hamburger, comprar livros e ir ao cinema.

São Paulo não é Nova York, mas com um pouco de paciência (e dinheiro) é possivel aproveitar o que de melhor a cidade pode oferecer mesmo no caos reinante.

Viva São Paulo II

No último domingo, dia 27 de Abril, fui recebido por um casal de amigos no bairro da Casa Verde baixa, Zona Norte, de S. Paulo para um almoço de despedida. Os anfitriões são o que poderíamos chamar de nova classe média negra brasileira. Ela, uma funcionária pública de carreira que há mais de vinte anos trabalha na Assembléia Legislativa de São Paulo, e seu esposo, um médico de um dos hospitais de maior prestígio na cidade. O almoço contou com a presença de um grupo seleto de amigos do casal. Silvia e Carlos, muito obrigado pelo almoço e pelo carinho com que fui recebido.

Antes da viagem ao Brasil, tinha pronta uma crônica e aproveito para passar as minhas impressões sobres filmes que vi e museus que visitei.

Manhattan, Nova York – A cidade que nunca dorme (segundo a música New York, New York) teve suas luzes reduzidas nos dois primeiros meses de 2014. A pesada neve que caiu, entre janeiro e fevereiro, cobrindo-a com uma enorme manta branca, fez com que os rítimos se reduzissem e a cidade passasse a se mover a passos de tartaruga. Há anos Nova York não recebia um volume de neve tão grande, de acordo com os meteorologistas, chegando a acumular 20 centímetros.

Isso não tirou o brilho e o glamour da cidade. Aproveitando alguns dias livres após o feriado em que se celebra o aniversário do ativista Martin Luther King Jr. (19/01), visitei alguns museus e tambem assisti a alguns filmes. Aqui vão minhas dicas.

Funk Turns 40 – O Funk Completa 40

De 1900 ate 1960, os grandes desenhistas de Hollywood e os maiores estúdios produziram mais 600 desenhos animados com personagens negros. Estes desenhos refletiam o estereótipo racial antes do movimento dos direitos civis, mostrando os negros como seres menos humanos realçando suas características africanas.

Foi somente a partir do final da década de 60 e começo da de 70 que os desenhos animados mostrados aos sábados pela manhã nos canais de televisão aberta começaram a mostrar personagens negros de uma maneira mais positiva com um viés mais realista. Inspirados pelo movimento dos direitos civis e pelo estrondoso sucesso comercial de músicos e atletas negros, os produtores de televisão começaram a explorar projetos com um alcance maior de apelo multicultural.

Essa geração de personagens negros de alto sucesso estrelando seus próprios desenhos apresentaram mensagens culturalmente relevantes com seu visual moderno e histórias contemporâneas.

Pela primeira vez as crianças puderam ver personagens que pareciam e falavam como pessoas negras de verdade, cheias de calor humano, humor e inteligência.

Schomburg Center-New York Public Library

515 Malcolm X Boulevard

New Yok, NY 10037

Schomburgcenter.org

Presença Radical: Representacao Negra Na Arte Contemporanea

Esta foi a primeira exposição a examinar os mais de 50 anos de representação das artes feitas por artistas visuais de ascendência afro-americana e caribenha. A representação negra no imaginário do país está geralmente associada com a música, o teatro, a dança e a cultura popular. Nesta exposição, o artista busca sua inspiração nestas areas, mas o seu trabalho tem de ser tambem analisado em relação a arte visual.

Esta exposição começa com os exemplos de uma rede indefinida de artistas chamada FLUXUS dos anos 60 e 70 – juntamente com a arte conhecida como conceitual do mesmo período, até chegar aos dias atuais.

Mostrando apresentações ao vivo, juntamente com vários objetos, “Presenca Radical” inclui mais de 100 trabalhos feitos por 37 artistas. Alguns deles usam a fotografia e vídeo para documentar suas representações. Outros representaram para a câmera em frente a uma platéia ou sozinhos – intencionalmente construindo gravações das ações e dos eventos.

A exposição também mostrou objetos usados em apresentações: roupas, libretos, esculturas, e instalações, nas quais, dependendo de quando os telespectadores os vejam, eles servem como lembrança ou traços das representações.

Ambas – a representação ao vivo e a arte dos objetos – chamam a atenção para as possibilidades e limitações do corpo ativo, e as instalações refletem algumas das várias maneiras nas quais museus tem exibido este efêmero meio de comunicação.

Apesar dos artistas cobrirem 3 gerações distintas, eles compartilham um enorme número de semelhanças, muitos fazendo trabalhos duradouros que se desenvolve durante várias horas ou até mesmo dias.

Alguns artistas empregam materiais transitórios diários. Por exemplo: comida, neve e fluído corporal. Outros intervêem em espaços públicos como num desfile de rua, outros usam a internet para despertar interações entre as pessoas e os artistas, isto pode ocorrer de uma maneira confrontacional ou humorística, ou até motivada politicamente, ou mística.

Vistos juntos estes trabalhos nos permitem traçar linhas de influência. Alguns artistas trabalharam conjuntamente; outros fazem referências diretas a trabalhos anteriores de outras gerações usando seus corpos como meio de comunicação e material – frequentemente puxando os limites de sua estamina física – o artista na “Presenca Radical” pode experimentar dor chamando a atenção dos espectadores, ou acessar outros estados mundanos.

Eles canalizam e desafiam a história da representação que incluem formas tão variadas como o de uma pessoa branca pintando o rosto de negro (menestrel), e o experimento contemporâneo pop, da música e a dança improvisada.

Engajando os espectadores, eles envolvem suas audiências como colaboradores, quebrando distinções entre espectadores e participantes, e como outros antes deles, na arte e na vida.

Gravidade

É um ótimo filme de ficção científica dirigido excepcionalmente por Alfonso Cuaron. Conta  a história de uma astronauta (Sandra Bullock)  deixada sozinha numa base norte-americana no espaço depois que seu colega (Geoge Clooney) morre enquanto eles tentavam retornar a uma estação espacial por causa de meteoritos que destruíram sua nave. O filme com ótimos efeitos especiais nos seduz com sua ótima fotografia, e a perseverança de uma astronauta usando toda sua astúcia e inteligência para tentar retornar ao planeta terra.

Lobo de Wall Street

É uma comédia sobre os excessos de um vendedor de ações de pouco valor no mercado da bolsa de valores e sua maneira ilícita de ganhar dinheiro no início dos ano 90. O filme é baseado no livro de memórias com o mesmo nome de Jordan Belfort, e foi dirigido pelo diretor Martin Scorsese, estrelando o excelente Leonardo DiCaprio no papel de Jordan Belford. Foi a quinta colaboração entre o ator e o diretor. Apesar de ter sido nomeado em 5 categorias, incluindo melhor filme, melhor diretor, melhor ator, e melhor ator coadjovante para receber o Oscar, o filme acabou ficando de fora de todas elas. Uma curiosidade: o filme bateu todos os recordes em que personagens usam o palavrão “fuck” (foda-se, em português).

 

Edson Cadette, Correspondente de Afropress em Nova York/EUA