Desde que deixou a presidência dos EUA há mais de 5 anos, o ex-presidente, que tem um gosto pelo holofote, tem viajado pelo mundo a procura de um chamado. Parece que a luta para tentar erradicar a AIDS na África era o chamado que estava buscando.
Junto com a fundação do bilionário Bill Gates (criador da Microsoft) que também tem feito um trabalho importante na África, a fundação do ex-presidente tem suas energias canalizadas não somente na doença, mas também na área de infra-estrutura.
Talvez por sentir-se com culpa na consciência pelo que aconteceu na Somália no começo dos anos 90 e, principalmente, por não ter tido um papel mais efetivo em Ruanda durante o massacre que ceifou a vida de mais de 800 mil africanos durante a guerra entre as etnias Tutsi e Hutu. O ex-presidente está tentando mostrar ao mundo que se preocupa com os africanos.
Durante o tempo de sua presidência (1992-2000), pouco fez para ajudar a combater a epidemia de AIDS, que se alastrava no Continente, onde milhões morreram ou ficaram órfãos. A ironia nisto é que o atual presidente norte-americano George Walker Bush, que tem a imagem de “cowboy” do Texas, tem oferecido mais recursos e ajuda aos africanos do que Bill Clinton enquanto este era presidente. Entretanto, por causa de sua politica internacional e a guerra do Iraque, o Senhor Bush é visto como “persona non grata”.
A ambição do ex-presidente não tem limites. Sua fundação está se expandindo. Ele acredita que ainda pode contribuir em muito para o melhoramento do Continente que, durante séculos, foi nada mais do que fornecedor de riquezas naturais, e mão de obra escrava para o enrequecimento do novo mundo, incluindo o Brasil.
MÚSICA JAZZ EM NOVA YORK
Há várias casas de música Jazz na cidade. Entretanto, nenhuma é mais famosa, e também mais opulenta, que a casa de espetaculos “Jazz at Lincoln Center”. A casa está localizada bem na entrada do parque Central com a “Columbus Circle”. A melhor maneira de chegar é usar o Metrô (Linhas, 1,A,B,C,D parada “Columbus Circle”).
Funcionando no novo prédio da Time Warner desde 2001, “Jazz at Lincoln Center” tem um orçamento estimado em 36 milhões de dólares para o ano de 2007. Dispõe de 105 funcionários em tempo integral, vários estagiários e ainda 400 empregados meio período. Porém, a grande estrela deste poderoso projeto é o trumpetista Wynton Marsalis.
O Senhor Marsalis é o diretor artístico oficial, mas é tambem a pessoa encarregada das operações diárias. Ele é o que podemos chamar de “Exército de um Homem Só”. Com seu carisma e profissionalismo, reviveu o Jazz que jazia moribundo em Nova York.
Sempre muito bem vestido, com ternos da famosa casa para roupa masculina “Brooks Brothers” (sua marca favorita, e minha também), o Senhor Marsalis é o coração da música Jazz na cidade. Recentemente, estava angariando fundos num jantar de gala no famoso teatro Apollo, no centro do Harlem, onde o prato custava mais de 2 mil dólares por pessoa. Poderiam ser vistos entre os
convidados, o diretor de cinema Spike Lee, a atriz Glenn Close, e o principal executivo da American Express, o Senhor Kenneth I. Chenault.
Com sua maneira elegante e suas credenciais impecáveis, o Senhor Marsalis fez com que a música Jazz deixasse os pequenos clubes nova-iorquinos para ser apreciada em grande estilo nesta nova casa. “Right on Brother”!
PASSOS GIGANTES
Em comemoração aos 80 anos do saxofonista John Coltrane (1926-1967), a casa de espetáculos “Jazz at Lincoln Center” programou uma série de shows para homenageá-lo no mês de setembro. Ele morreu há quarenta anos, entretanto, sua música nunca esteve tão presente, quer em “jingles” para propagandas, quer em trilha sonora de filmes. (Meu CD favorito é “My Favorite Things”).
Para a grande festa nesta suntuosa casa de espetáculos, ninguém menos do que Wynton Marsalis. O diretor artístico conduziu a orquestra nesta série. Entre as músicas escolhidas para a ocasião estava Alabama. Esta música foi gravada dois meses depois de uma explosão numa Igreja Batista no Alabama (sul dos EUA) onde morreram quatro crianças afro-americanas, e está no CD “Coltrane Live at Birdland”.
Na época, o suspeito da explosão Robert Chambliss, membro da organização racista KKK (Klus Klus Klan) foi absolvido, pagou uma multa e pegou uma sentença de apenas seis meses por possessão de dinamite. Alguns anos atrás, o diretor Spike Lee dirigiu um ótimo documentário a respeito deste triste episódio chamado “Four Little Girls”.
John Coltrane cresceu numa pequena vila na Carolina do Norte (sul dos EUA). Depois da escola secundária, mudou-se para Filadélfia (leste dos EUA), considerada na época, depois de Nova York, o melhor lugar para os músicos de Jazz. Filadélfia ficou sendo sua base enquanto viajava pelo país aprendendo com os grandes músicos de Jazz. Figuras como Eddie Vinson, Jonny Hodger e Dizzy Gilespie, este último homenageado com seu nome numa das salas do “Jazz at
Lincoln Center”.
Quando estiver em Nova York, não deixe de visitar este espaço. Experimente a emoção de ver e ouvir um concerto de Jazz.
“Jazz at Lincoln Center”
Broadway E. 60th Street
Manhattan, NY
(212) 721-6500
www.jalc.org

Edson Cadette