Com um show musical na cidade Eartha Kitt não dá sinais de cansaço, nem mesmo cogita se aposentar. Este ano, ela também se apresentou numa das casas mais famosas da cidade, o Café Carlyle. Também foi convidada para cantar musicas natalinas na Casa Branca.
Numa entrevista ao periódico “The New York Times”, recentemente, ela recordou a ultima vez que foi convidada para ir a um jantar na Casa Branca há 40 anos atrás, quando os norte- americanos estavam envolvidos até o pescoço na guerra do Vietnam. Por causa de seus comentários contra a guerra na época, quase foi banida de Hollywood.
Desta vez ela promete não falar dos seus sentimentos a respeito do beco sem saída que o presidente americano George W. Bush colocou o pais ao embarcar na aventura iraquiana. O grande diretor de cinema Orson Welles uma vez a considerou a mulher mais
excitante no mundo.
Eartha parece feliz com sua vida, e agradece a seu público que nunca a abandonou. Também se diz sortuda por estar envolvida no “Show Business” e ter chegado onde chegou sem sentir que
dependeria de um homem para tomar conta dela o resto da vida.
Para alguém que cresceu no Sul dos EUA enfrentando problemas com negros e brancos por causa de sua etnia bi-racial, a senhora Eartha Kitt é um exemplo de luta e perseverança que deveria ser seguido pelas novas gerações, em especial, pelas pseudo “Divas” que entulham as rádios e canais de tv hoje em dia com seus lixos musicais.
Legado
(Gerald M. Boyd – 1950-2006)

Ele começou como empacotador numa mercearia em St. Louis, e depois chegou a Gerente-Editor do jornal norte americano mais conhecido no mundo, o “The New York Times”.
Sua carreira profissional como jornalista começou no final da era da luta dos direitos civis pelos afro-americanos e culminou com a era da internet. Sua ascenção no jornalismo foi como uma lanterna para as possibilidades aos jovens afro-americanos aspirantes a jornalistas nos EUA. Leio diariamente, na internet, os dois principais jornais de São Paulo, (Folha e Estadão) e vejo as fotos de seus principais articulistas. Em pleno século XXI, não sei de nenhum jornalista afro-brasileiro que escreva para alguma destas publicações.
O Senhor Boyd foi o primeiro afro-americano a servir em vários cargos dentro do jornal, incluindo Editor e Editor-Gerente do caderno Cotidiano, aos 28 anos. Nesta mesma época, foi escolhido para receber uma bolsa de estudo para a prestigiosa universidade de Harvard.
Seu trabalho dentro do “Times” garantiu ao periódico vários prêmios, entre eles o de maior prestigio no país, o Prêmio Pulitzer, por reportagens sobre o primeiro ataque as torres gêmeas do “World Trade Center” em 1993, e por uma série de reportagens a respeito da complexidade das relações raciais nos EUA.
Esta série de reportagens deveria ser lida “ad nauseum” pelos nossos fazedores de opinião na mídia brasileira para aprenderem a não evitar assuntos tabu como a discussão sobre a situação de inferioridade que o afro-brasileiro enfrenta no país.
Em 2003, a carreira do Senhor Boyd tomou um rumo inesperado. O repórter Jason Blair, sob sua supervisão, foi acusado fabricar reportagens e por plágio, afetando bastante a credibilidade e reputação do periódico. Isto acabou causando uma enorme revolta dentro da redação do jornal por causa de seu estilo “duro” de supervisão levando-o a pedir demissão.
Boyd trabalhou para o periódico por mais de vinte anos. Começou trabalhando em Washington cobrindo a Casa Branca, durante a campanha para as eleições de 1984, e seguiu até o escândalo de armas Iran-Contras, que afetou duramente o segundo mandato de Ronald Reagan. O Senhor Boyd foi escolhido para ser Gerente-Editor do “Times” em 2001. No ano seguinte a Associação de Jornalistas Negros dos EUA o escolheu como o jornalista do ano.
Numa de suas aparições, em sua cidade natal, St. Louis, ele disse: “Ser diferente nesta sociedade, mesmo um pouquinho, significa adicionar pressões, responsabilidades e sofrimento que, na verdade, não mudam, não importa o quanto você suba “. Ele termina: “Muitos de vocês sabem que eu passei minha vida tentando ser um bom jornalista. Mas o que é mais importante para mim é se eu fui um bom homem e um homem decente”.
Descanse em paz, “Brother”!

Edson Cadette