Haynes, que já foi considerado um dos homens mais bem vestidos pela revista “Esquire” nos anos 60, deu uma entrevista em sua casa, em Baldwin, um subúrbio de Nova York falando do baterista que mais o influenciou: o grande baterista da banda de Count Basie chamado Jo Jones, mais conhecido entre as gerações mais novas da época como Papa Jo, e das 3 maiores Divas do jazz com as quais tocou – Ella Fitzgerald, Billie Holiday e Sarah Vaughan, esta ultima testemunha de seu primeiro pileque na Philadelphia em 1953.
O senhor Haynes nasceu em Roxbury, no estado de Massachussetts, filho de pais imigrantes de Barbados; aprendeu a gostar de jazz com seu irmão mais velho que tocava o trompete e o apresentou a vários artistas da época, inclusive, Jo Jones. O senhor Haynes também teve o privilégio de tocar com o quarteto do saxofonista John Coltrane, entre os anos de 1961 e 1965.
Sua energia parece não dissipar facilmente: comemorou recentemente seu aniversario junto com sua banda numa serie de concertos com ingressos esgotados na cidade de Nova York. Parabéns vovô!
Escravidão em Nova York
Você sabia que por mais de 200 anos a cidade de Nova York, sim a grande Nova York, símbolo de liberdade e de sonhos para milhões de pessoas ao redor do mundo teve sua fundação sob a égide do chicote?
Pois foi isto que eu aprendi vendo no mês passado a excelente exibição chamada “Slavery in New York”, no museu chamado “New-York Historical Society”, que fica localizado do lado Oeste da rua 77 em frente ao famoso parque da cidade – o Central Park.
Fiquei sabendo que, durante o período colonial, 20% da população da cidade era composta por escravos. Primeiro sob o domínio holandês e, depois, sob o domínio britânico. Durante o período colonial somente a cidade de Charleston na Carolina do Sul se igualava em números à penetração de escravos na vida diária da cidade.
Apesar de ser pouco mencionado nos livros escolares, a escravidão foi uma instituição fundamental no desenvolvimento e na formação de Nova York em seus primeiros anos. Esta exibição vem reparar um pouco este lapso.
Ate mesmo George Washington, o primeiro presidente norte-americano que lutou contra a Grã Bretanha, e ele mesmo senhor de escravos, avisou que “se a América não resistisse à tirania britânica os americanos se tornariam escravos tão domesticados e abjetos como os negros que comandamos de uma maneira arbitraria”.
Quase todos os homens de negócio da época tinham, de uma maneira ou de outra, um interesse no tráfico de escravos. Nas cidades não havia plantações e os escravos dormiam nos sótãos e porões das casas na cidade e em cima das cozinhas nos sítios no campo. Faziam, virtualmente, todo o trabalho de várias casas, trazendo lenha, água e comida, limpando a casa e as roupas, removendo o lixo etc.
Eles foram vitais para o trabalho dos artesãos e dos manufatureiros e muitos se tornaram também artesãos. E foram eles também que fizeram quase todo o serviço pesado na construção da infra-estrutura de Nova York.
“Escravidão em Nova York” conta também a historia de como a população negra começou a plantar suas raízes culturais, produzindo um rico legado de poesia, arte, música e literatura nesta adversidade e, ao mesmo tempo, ativamente resistindo à injustiça.
Com todos os obstáculos em seus caminhos os escravos foram capazes de formar e criar famílias, superar perdas freqüentes, separações e ainda deixar um legado cultural para seus filhos. Os novairoquinos negros que sobreviveram à escravidão nos deixaram um legado que mudou nossa vida nesta cidade e no país todos os dias.
Esta importante exibição veio mostrar o que, por muito tempo, esteve escondido no passado da cidade e nos ajuda a encontrar recursos para continuarmos nosso longo experimento com a liberdade.
PS:- Morei em São Paulo e jamais aprendi nos livros escolares qual foi o papel dos escravos na formação da cidade. Foram mais de 15 anos de bancos escolares.
Entretanto, lendas de como os imigrantes construíram a cidade e suas instituições são perpetuamente reforçadas pela “nossa” mídia e “nossas” escolas. A história do negro brasileiro, com algumas exceções, é claro, infelizmente, continua sendo a história do homem invisível. Que Pena!

Edson Cadette