Enquanto os outros estudantes tinham orgulho de suas descendências e histórias (hoje digo mitologias históricas), eu me sentia constrangido por pertencer a um grupo que nada de bom havia feito no país, segundo os livros didáticos da época. Qualquer descendência era sempre melhor do que a descendência africana, até mesmo os aborígenes tinham mais status.
O único feito dos negros teria sido ficar sob a égide da chibata durante mais de 300 anos, aguardando a benevolência da princesa Isabel, que, em 1888, assinou a Lei Áurea colocando fim a escravidão no país. Uma piada racista que, nós estudantes negros ouvíamos freqüentemente, era que a princesa teria assinado a Lei com lápis!
Com o surgimento do Movimento Negro Unificado (MNU), esta data que deveria ser estudada mais detalhadamente, foi sendo colocada de lado em favor da data da morte de Zumbi dos Palmares, 20 de Novembro. Segundo o movimento, o 13 de Maio representava a visão dos donos do poder, e neste caso, a elite branca brasileira.
Apesar da queima de arquivos ordenada por Rui Barbosa (lamentavelmente omitida dos livros na minha época), para tentar esconder os vestígios da escravatura brasileira, o acervo de informações sobre este período no país ainda é muito grande, e pouco explorado. O que o movimento negro no Brasil deveria fazer, não é relegar o 13 de Maio para segundo plano, mas sim, manter viva esta data para não deixar o país esquecer que sua formação foi feita em cima da chibata e do trabalho escravo.
Antes da chegada dos imigrantes europeus e japoneses ao Brasil, o negro africano, e depois o crioulo brasileiro, foi a força motriz para desenvolver o arcabouço do país.
Tentar apagar da memória o 13 de Maio em favor do dia 20 de Novembro não será certamente a melhor maneira de ensinar ao país que muitos negros, crioulos, ladinos e boçais, juntos com brancos abolicionistas, lutaram lado lado para a assinatura da Lei Áurea.
O Brasil tem que aprender mais, e não menos, acerca do 13 de Maio. Somente assim, a sociedade verá que o escravo negro foi o fator determinante não só para a construção do país, mas também para sua própria liberdade. Deixar de observar o 13 de Maio é esquecer a memória dos que atravessaram o Atlântico, labutaram forçosamente e morreram no país.
Lloyd Richards
1919 – 2006
Eu tive a felicidade de ver na Broadway duas peças importantes dirigidas por ele, que tratavam da experiência afro-americana nos EUA. Foram, “Seven Guitars” e “Two Trains Running”, esta última com Larry Fishburne.
Filho de pai jamaicano, que era a favor do movimento nacionalista ligado a Marcus Garvey, o jamaicano que no começo do século XX pregava a volta dos negros da Diáspora para a África, Lloyd Richards pegou gosto pelo teatro ainda jovem quando era estudante da escola média.
Ele se graduou em Direito pela universidade “Wayne State University” em Detroit. Pensando em participar da segunda grande Guerra Mundial alistou-se como piloto no Instituto Tuskegee(sul dos EUA. Entretanto, a guerra acabou antes dele ser enviado a Europa.
Em 1947, mudou-se para Nova York. Morando na ACM(Associação Cristã de Moços), trabalhava como garçon e participava de audições teatrais. Foi nesta época que conheceu o ator Sidney Poitier e sua futura esposa Barbara Davenport, com quem teve dois filhos.
Foi ele quem apresentou a sociedade branca da “Broadaway” em 1959 Sidney Poitier, ao dirigí-lo na peça “A Raisin in the Sun”, que estreou em 11 de Março do mesmo ano, sob a ovação geral da platéia. A peça seguiu em cartaz por mais de um ano. Na época o escritor James Baldwin, apos ver a peça, declarou o seguinte: “Nunca antes na história do teatro americano, tanta realidade da vida dos afro-americanos foi apresentada no palco”.
Em 1987, ganhou o prêmio maior do teatro em Nova York, o Tony, pela direção da peça “Fences”, estrelando o grande James Earl Jones no papel principal. A peça conta a história de um homem que tenta absorver, e ao mesmo tempo entender as transformações e os limites impostos pela sociedade dos EUA a ele, por causa de sua raça e seus ancestrais africanos.
Colaborando junto com o dramaturgo August Wilson(falecido em 2005), autor de 10 peças que mostram a experiência afro-americana no século XX, o Sr.Lloyds Richars, não só iluminou mais a luzes da “Broadway”, como também contribuiu para a história do teatro moderno dos EUA, visto através do prisma afro-americano.
Sr. Richards, Descanse em paz!
Película
O filme “Cidade Baixa” (Bahia), é cenário da história e disputa entre dois amigos pelo amor de uma jovem. Um negro (Lazaro Ramos) e um branco (Wagner Moura) vivem nas cercanias de Salvador dividindo o comando de uma embarcação.
A amizade idílica dos dois é abalada quando encontram num bar da cidade uma jovem prostituta(Alice Braga), que precisa atravessar o rio para voltar à Salvador, mas como não tem dinheiro para pagar a travessia, ela oferece aos dois seus serviços em troca da viagem. O que eles não contavam era ficarem apaixonados.
O filme mistura violência (a facada que um dos amigos leva no bar), comédia (a briga dos dois pela jovem), sexo e mais sexo. É possível sentir a vibração da cidade sob o fundo musical com a trilha sonora de Carlinhos Brown.
Dirigido pelo estreante Sergio Machado (assistente do diretor Walter Salles no filme Central do Brasil), o filme tem um gosto de telenovela global, sem, é claro, os clichês da cidade do Rio de Janeiro e os galãs e estrelas nórdicos, com os quais o país é bombardeado diariamente na telinha da Globo.
Película II
“Cobras, tinha de ser Cobras!” Foi isto que disse Harrison Ford ao cair dentro de um sarcófago no primeiro filme da série Indiana Jones(1984).
Samuel L. Jackson não diz o mesmo, ao ser confrontado por elas, dentro de um avião da “Air Pacific” saindo do Havaí para Los Angeles.
“Snakes on the Plane” é o tipo de filme B que nos faz lembrar dos filmes desastres dos anos 70 – Aeroporto 77 e Terremoto.
Antes de estrear no cinema, o filme virou mania dos internautas por aqui. Nem mesmo os críticos foram privilegiados em ver uma sessão antes da estréia. Parece que toda agitação em torno deste filme desastre tinha sua razão de ser.
“Snakes on the Plane” não é só divertido, como dará medo e também irá fazer com que você levante os pés dentro do cinema. Samuel L. Jackson faz o papel de um agente do FBI chamado Neville Flynn, encarregado de proteger a principal testemunha contra um gangster. Para sua
felicidade, conta com a colaboração da bela Juliana Margulies, no papel da
aeromoça Claire Miller, e uma turma de passageiros dispostos a não deixar o avião ser dominado pelos répteis.
“Snakes on the Plane” é o tipo do filme pipoca que fará você assustar-se e arrepiar-se por uma hora e meia. Aviso, antes de ver este filme, certifique-se que está carregando o numero do Instituto Butantã em seu celular. Somente uma precaução, é claro!

Edson Cadette