Quando morava no Brasil eu pouco sabia, ou melhor eu pouco me interessava pela cultura afro-brasileira e sua influencia na cultura brasileira em geral. Talvez isto acontecesse porque os fazedores de opiniões nos pais sempre trataram este aspecto da cultura brasileira como sendo uma subcultura irrelevante; em favor e claro da cultura européia.
Contudo, aqui nos EUA, particularmente em Nova York, não há uma semana em que não haja um artigo no “New York Times” sobre uma peça de teatro, uma exposição, um filme, um livro, etc. onde a temática afro-americana e sua influencia na cultura geral dos EUA não esteja em destaque.
E olhe que os afro-americanos são somente 12% da população dos EUA, um país que e considerado altamente racista pelos nossos fazedores de opiniões, e também defensores, do não debate sobre racismo que existe no Brasil. Atualmente sei que existe em São Paulo o Museu Afro-Brasil (que por pouco não foi fechado) escondido no Parque do Ibirapuera para tentar mostrar um pouco da historia afro no Brasil. Nas outras áreas os afro-brasileiros como comunidade seguem invisíveis dentro da história do país.
Foi nisto tudo que eu pensei ao sentir o sol batendo no meu rosto enquanto caminhava em direção ao Metrô da estação “Times Square” na rua 42 esquina com a Oitava avenida após de deixar o prédio onde estao expostos os retratos dos cidadãos afro-americanos que contribuíram para a diversidade cultural e intelectual dos EUA. Esta exposição está do balacobaco. As fotos são muito mais do que simplesmente mostrar a presença de lideres e celebridades afro-americanas e seu impacto na cultura em geral.
Estas fotos são o reconhecimento da importância destes guardiões da cultura afro-americana onde a história e honra são transferidas as futuras gerações criando um retrato comum de prestígio e poder. 29 anos de cultura brasileira, eu jamais vi uma peça, uma exposição ou mesmo um filme onde a história do negro brasileiro contemporâneo fôsse contada através da visão do artista afro-brasileiro. Não acredito que as coisas tenham mudado muito nestes 17 anos que estou fora do país.
Em um dos capítulos da novela “Paraíso Tropical”, uma das personagens sugere a sua filha como opção para a lua de mel, não uma visita à Bahia para saber um pouco sobre as raízes afro na formação do pais, mas sim um passeio a Suíça, onde ela encontrara não somente neve, mas também aqueles louros bonitos. (sic)
Assim seguimos no país, nas mãos de uma elite que ainda segue encantada com os caucasianos europeus para tentar esquecer não só suas raízes afro, como também sua própria latinidade. E pensar que muitos afro-brasileiros que se acham “brancos” pensam da mesma maneira. Este é o retrato do Brasil.
CAMPEÃO
Muhammad Ali completou 65 anos de idade em Janeiro de 2007. Poucos atletas norte-americanos possuíram seu talento físico, e nenhum com tais habilidades jamais se igualou a ele em carisma e bravata. Nascido Classius Clay, em Louisville, Kentucky (sul dos EUA), ele ficou nacionalmente conhecido após ganhar medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1960 na Itália.
Depois de tornar-se profissional começou seu assalto nas fileiras do Boxe até conseguir o título mundial de peso pesado em 1964. Poderoso como ele era no ringue, entretanto, suas ações fora dele e que o tornaram uma figura polêmica e internacionalmente conhecida. Sua oratória que mais pareciam versos fez com que ele ganhasse milhões de admiradores não só nos EUA, mas também ao redor do mundo. Contudo, quando ele entrou para o movimento dos mulçumanos negros, em 1964, persuadido pelo líder Malcolm X, mudando até mesmo seu nome para Muhammad Ali; ele perdeu a admiração de milhares de fãs brancos norte-americanos, e aí sim, com esta mudança, as controvérsias se multiplicaram. Sua recusa em lutar na Guerra do Vietnam declarando que não tinha nada contra os vietnamitas (I GOT NOTHIN’ AGAINST THEM VIETCONG), o forçou ao exílio entre 1967 a 1970. Quando Ali foi a suprema corte norte-americana e declarou que era contra a guerra por princípios religiosos (sua crença no Islã) ele ganhou mais inimigos dentro do país.
Somente em 1974 depois de sua luta na África (Zaire) contra o carrancudo George Foreman onde ele ganhou por “knockout”, que Ali foi novamente aceito pela sociedade branca norte- americana. Sua última luta foi em 1981. Um ano depois ele já estava com a doença de Parkinson, que o deixou completamente sem fala e com seus movimentos totalmente debilitados. O Boxe hoje é geralmente referido como antes e depois de Muhammad Ali. Em 1996 ele foi a grande atração na abertura dos jogos olímpicos de Atlanta ao carregar a tocha olímpica. Onde quer que este senhor o apareça sempre será o destaque mesmo depois de ter se aposentado ha mais de 20 anos. Por tudo que ele fez não só pelo esporte, mas também pela sua luta a favor dos direitos dos afro-americanos nos EUA, Muhammad Ali sempre será o grande campeão!

Edson Cadette