O Brasil, por ser o maior país da região, foi representado pelo maior número de organizações e indivíduos que acreditam, segundo suas apresentações, terem o “projeto” certo para combater o racismo que afeta milhões de afro-brasileiros.
Ao final do simpósio – que contou também com representantes da Colômbia, do
Equador e do Peru – ficou claro para a platéia presente que, se a situação dos afro-descendentes está deixando a Academia para ser discutido abertamente por suas respectivas sociedades, (ainda que timidamente, é verdade), certas ONGs (no caso brasileiro que fique bem claro) estão usando o debate para o avanço de suas próprias agendas, e usando a temática da igualdade racial de olho nos subsídios financeiros de Fundações nacionais e internacionais sem realmente terem nenhuma, ou quase nenhuma ligação com o movimento negro brasileiro.
Notem a ausência destas organizações na Parada Negra que aconteceu em São Paulo no ultimo dia 20 de Novembro dia da morte do líder negro Zumbi dos Palmares.
Com graus variados de profissionalismo, preparação e apresentação, ficou claro, através de auto-declarados “representantes” do movimento negro brasileiro que o mais importante era passar a idéia de que têm o “projeto” certo para a solução do problema.
Tais organizações precisam desesperadamente continuar recebendo subsídios. Afinal, viajar para várias partes do planeta e ficar hospedagem em hotéis têm custos e alguém precisa pagar a conta.
Das organizações brasileiras presentes, não ouvimos uma só palavra sobre seus trabalhos junto ao movimento negro brasileiro, e tampouco foram citados casos de sucesso em áreas onde atuam há vários anos. Ouvimos sim, lamentações para tentar justificar à platéia presente que estas organizações lutam assíduamente contra o racismo brasileiro e precisam de subsídios.
O importantíssimo debate sobre as Ações Afirmativas que está ocorrendo do Oiapoque ao Chuí, no Brasil, corre o risco de perder sua credibilidade porque a turma dos “projetos” relacionados à temática da igualdade racial está passando a idéia de que somente suas ONGs são as legítimas representantes do movimento negro brasileiro e, por isto, devem continuar a receber os gordos subsídios. Os afro-brasileiros verdadeiramente engajados na luta pela igualdade racial com seus próprios recursos financeiros, devem estar atentos aos oportunistas de plantão!
Curtas de Nova York – Grafite
Lembrei-me outro dia dos grafites que via nos trens do Metrô nova-iorquino nos filmes dos anos 70 ao ler uma reportagem sobre o ressurgimento desta forma de “arte” no Metrô da cidade. Na época, a cidade que estava no meio de uma crise financeira e social (final da guerra do Vietnã e aparecimento dos Black Panthers), e buscava ajuda do governo federal, ouviu do presidente norte-americano Gerald Ford a frase que ficou famosa em todo o país: DROP DEAD (CAIA MORTA).
A frase mostrava o descaso do presidente em relação à Nova York. Na época os trens do Metrô eram os alvos favoritos dos “artistas” grafiteiros. Quando cheguei em Nova York, em 1990, o Metrô já não tinha mais aquela aparência de descaso e a cidade com seu primeiro prefeito negro começava um longo período de revitalização. A sujeira e os mendigos, porém, ainda eram bem visíveis nas plataformas e nos trens.
Com a revitalização nos anos 90, o Metrô e as estações passaram por uma limpeza geral.
A cidade de São Paulo que tenta, sem sucesso, revitalizar-se há pelo menos 40 anos deveria seguir o exemplo nova-iorquino onde a parceria pública funciona para o bem comum dos cidadãos da Big Apple (Grande Maçã).
Infelizmente, uma nova onda de grafite está ocorrendo no Metrô. Se os grafiteiros das décadas passadas tinham talento e criatividade, os atuais não possuem nenhum dom artístico, usam um ácido para seus rabiscos e causam prejuízos enormes à cidade. Não sai por menos US$ 130 trocar cada janela rabiscada. Diferentemente dos vagões que podem ser lavados, as janelas não podem ser limpas.
O prefeito que usa o Metrô para ir trabalhar já sentiu a diferença. Ele proibiu a venda de certos produtos de pintura para menores de 21 anos. Claro que houve chiadeira por parte dos defensores da livre expressão “artística”. O prefeito não deu bola. Ainda bem, porque não há nada mais triste do que uma viagem de Metrô onde as janelas estão todas rabiscadas por semi-letrados.
História em Quadrinhos
Qualquer pessoa com um lápis, um pedaço de papel e uma história para contar pode fazer uma história em quadrinhos. É isto o que mostra a Exposição “África Comdex” (Quadrinhos Africanos) que está sendo apresentada por 36 artistas de 20 países do Continente no Museu do Harlem.
Nestes quadrinhos temos a chance de ver uma pequena mostra da África Contemporânea. Eles documentam um sincretismo cultural que conecta o passado, o presente e o futuro da Pátria-Mãe.
Executado numa grande área de estilo e linguagem gráfica em branco & preto e colorido, ilustram a influênncia da cultura global na África, que vai desde novelas, quadrinhos japoneses, filmes de ação de Hollywood, até o gênero musical Hip-Hop.
Homens, mulheres e crianças comuns atuam como super heróis numa gama de contextos narrativos – amor, drama, e também a diversidade étnica das metrópoles africanas misturadas com a realidade de corrupção, pobreza e guerra.
Para alguém que cresceu em São Paulo lendo histórias em quadrinhos onde a presença de heróis negros ou afro-brasileiros era praticamente inexistente, ver estes quadrinhos mostrando a diversidade africana foi como uma brisa de ar fresco numa tarde de verão. Esta preciosidade de Exposição fica em cartaz na cidade até Março de 2007.
Serviço
Studio Museum in Harlem
144 West 125 Street
New York, NY
www.studiomuseum.org

Edson Cadette