Brasília – Dados do Ministério da Saúde que serão divulgados hoje, 1º de Dezembro – Dia Mundial de Luta contra a Aids – confirmam: a epidemia tende a aumentar na população afrodescendente – preta e parda. O Dia, que este ano terá como tema “Aids e Racismo. É preciso acabar com o preconceito” será lembrado pelo Governo com uma solenidade, no Palácio do Planalto, com a presença do Presidente Luis Inácio Lula da Silva.
As causas para o aumento da doença entre os negros são as condições de vulnerabilidade social em que vive a maioria da população, dificuldades de acesso à informação e aos métodos de prevenção.
O Boletim Epidemiológico do ano passado registrou pela primeira vez o recorte racial e apontou que, nos casos de Aids em que a cor foi informado, a epidemia avançou. Até então, o Brasil tinha um total de 362.364 casos, desde o início da doença em 1.980.
Entre mulheres pretas e pardas, o registro da doença aumentou de 35,6% para 42,4%. Entre homens, cresceu de 33,4% para 37,2%. A avaliação foi feita sobre cerca de 30% do total de casos de Aids, aqueles que informaram a cor. Movimento inverso ocorre na população branca: entre 2000 e 2004, caiu de 63,9% para 56,7% o percentual de casos da doença entre mulheres que se disseram brancas. Entre homens, foi de 65,5% para 62%.
Segundo o Ministério da Saúde, o conhecimento sobre a transmissão do HIV é maior entre os brancos do que entre os negros, o que talvez explique o aumento da incidência da doença neste segmento da população.
Segundo a coordenadora da ONG Criola, Jurema Werneck, a Aids faz o mesmo percurso da desigualdade “As doenças infecciosas acompanham o caminho da desigualdade”, acrescenta.
De acordo com o Atlas Racial Brasileiro 2004 mostrou que 50% da população negra está abaixo da linha de pobreza, além de ter menor esperança de vida ao nascer, menor escolaridade e menos acesso aos serviços de saúde –1,83 consulta por ano, contra 2,29 dos brancos.

Da Redacao