La Paz – Novos campos de gás e petróleo na região do Chaco boliviano, a 700 quilômetros ao sul de La Paz, foram ocupados por indígenas guaranis, revoltados com o não cumprimento de acordos por parte da empresa Transierra, que prometeu repassar US$ 9 milhões às comunidades como compensação pelos prejuízos causados. Eles ameaçam interromper a produção e as exportações de gás para o Brasil.
O líder da APG (Assembléia do Povo Guarani), Wilson Changaray, justificou a decisão em virtude do fracasso das negociações com a empresa Transierra – sociedade formada pela Petrobrás, Repsol YPF e pela francesa Total Final Elf.
“Hoje estamos entrando nos campos produtores e vamos paralisar toda a atividade e suspender as exportações para o Brasil”, disse Changaray à rádio boliviana Fides.
Os indígenas começaram o protesto em 15 de agosto, quando invadiram a Estação Operacional de Parapetí, da Transierra, no município de Charagua (leste do país), exigindo o repasse de cerca de US$ 9 milhões que a Transierra teria prometido, em acordo firmado em julho de 2.005. A empresa disse que vai liberar a verba como compensação por danos ambientais, em 20 anos.
“Não estamos pedindo um aporte das empresas, mas apenas uma compensação pela riqueza que extraem de nossas terras e pelo dano que causam”, afirmou Changaray.
Caso não se chegue a um acordo e os indígenas cumpram o prometido, a interrupção das atividades na região do Chaco, afetariam cerca de 60% das exportações de gás para o Brasil.

Da Redacao