Jonas foi morto no Banco ITAÚ, no centro Do Rio de Janeiro, por um segurança despreparado e orientado a bloquear “indivíduos suspeitos” na porta giratória. Até o dia de hoje o assassino estava a solta e passou o Natal com a família, pois segundo o delegado, não poderia ser preso em flagrante.
As pessoas que trabalham no local relataram que o segurança era conhecido por sua truculência e já havia criado problemas com este mesmo jovem. Embora fosse cliente da agencia e muito conhecido na região Jonas Silva era constantemente barrado na porta e abordado de forma desrespeitosa e agressiva pelo segurança.
Homens e mulheres negros diariamente são barrados nas portas giratórias dos bancos pelo detector racial. E, sejamos francos: dado o contingente de negros barrados, o despreparo dos seguranças das agências bancarias e a nossa passividade ante esse flagrante desrespeito, uma tragédia desse porte era inevitável.
Quantos de nós já discutimos com seguranças na porta dos bancos por conta de tal desrespeito? Quantas vezes vimos brancos entrando tranqüilamente com chaves, celulares, moedas?
O episódio encerra inicialmente uma lição para todos nós: a constatação de que não importa onde nós estamos, se na favela ou em uma rua do centro do Rio de Janeiro, ou mesmo na Zona Sul, somos o alvo de uma política silenciosa de extermínio e exclusão que tenta a todo custo, mascarar o genocídio racial a que estamos sendo submetidos.
Uma outra lição que se pode extrair desse episódio, e que requer maior comprometimento de nós negros, é a necessidade imediata de boicotar instituições bancarias e empresas racistas. O banco Itaú, por exemplo, é uma das instituições mais agressivas na abordagem dos clientes nas portas giratórias e, além disso, não existem caixas de banco e gerentes negros (as) nas suas agências.
Precisamos cancelar nossas contas nesse banco. Existe uma pratica racista dessa empresa e precisamos combatê-la com a arma que temos ou vamos continuar padecendo na lama dos maus tratos e da cidadania de segunda classe que tentam nos empurrar.
Devemos repudiar com toda a força de nossos corpos mais essa execução. A morte de Jonas Souza não pode ficar impune e o seu martírio deve servir de exemplo na luta contra os desrespeitos que sofremos diariamente. As instituições bancárias, em geral, são racistas e precisam ser responsabilizadas judicialmente. Esta experiência trágica tem que nos despertar para o combate, e fazer-nos reconhecer que essa morte não se trata de um caso isolado, mas é parte de uma política de extermínio da população negra. Você pode ser o próximo!!

Lenora Louro e Rogério José