Rio – O manifesto lançado por um grupo de intelectuais brancos contra as políticas de ação afirmativa por parte do Estado brasileiro, foi entregue nesta quarta-feira aos presidentes da Câmara Federal Aldo Rebelo e do Senado, Renan Calheiros.
A professora Yvonne Maggie, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ativista do movimento anti-ações afirmativas, em nome de um auto-denominado Movimento Observa, disse ao presidente da Câmara Aldo Rebelo que os projetos (o PL 73/99 e o Estatuto da Igualdade Racial) “ferem o princípio da igualdade política e jurídica dos cidadãos”. Na visão do grupo, o Estatuto da Igualdade Racial implanta uma classificação racial oficial dos cidadãos brasileiros, estabelece cotas raciais no serviço público e cria privilégios nas relações comerciais com o Poder Público para empresas privadas que utilizem cotas raciais na contratação de funcionários. “Se forem aprovados, a nação brasileira passará a definir os direitos das pessoas com base na tonalidade da sua pele, pela ‘raça’. A história já condenou dolorosamente essas tentativas”, diz o manifesto entregue pelo grupo.
Nem Maggie nem os intelectuais que assinam o Manifesto, contudo, apontam qualquer alternativa de como o Brasil pode enfrentar a escandalosa desigualdade racial que aparece com nitidez nos indicadores dos principais institutos de pesquisa como IBGE, IPEA e outros.
O PL 73/99 é de autoria da deputada Nice Lobão (PFL/MA), e o Estatuto, do senador Paulo Paim (PT-RS). O documento dos intelectuais expressa uma vasto espectro ideológico e tem assinaturas de sindicalistas e lideranças, inclusive do PT e foi publicado no boletim eletrônico da Brazilian Studies Associaton, dos EUA, sob o título “Manifesto da Elite Branca”, por iniciativa do sociólogo americano Edward Telles.
Também foi publicado pela Folha, na coluna “Tendências e Debates”, edição desta quarta-feira, marcando o início de nova ofensiva da grande mídia contra as cotas e as ações afirmativas.
Ao mesmo tempo, lideranças e ativistas negros começam a articular uma resposta. O professor Hélio Santos ironizou a iniciativa dos intelectuais brancos e disse ser urgente uma resposta. “Com intelectuais desse tipo… É preciso que se dê uma resposta e uma resposta à altura”, afirmou Hélio, para quem, o silêncio, neste caso, “é um equívoco”.

Da Redacao