São Paulo – O Ministério Público do Estado de S. Paulo identificou o quinto suposto responsável pela divulgação de mensagens de conteúdo racista em comunidades do Orkut na Internet. Trata-se do estudante Marcelo Vale Silveira Melo, de 20 anos, aluno do Curso de Computação da Universidade Católica de Brasília e que recentemente tornou-se calouro da Universidade de Brasília (UnB). Melo mora em Brasília e matriculou-se este ano no curso de Japonês.

O promotor Christiano Jorge Santos disse que ele já estava sob investigação por ter veiculado no Orkut expressões ofensivas à população negra. Esta semana, o ativista Gustavo Amora, de Brasília, o denunciou numa lista de discussão da questão racial, indignado com as expressões racistas, o que levou o presidente da ONG ABC SEM RACISMO, jornalista Dojival Vieira, a encaminhar o caso ao Ministério Público, que constatou a coincidência: Marcelo seria a mesma pessoa que já vinha sendo investigada. Por morar em Brasília,a denúncia será encaminhada ao Ministério Público do Distrito Federal pelo promotor Christiano Jorge Santos, que dirige as investigações.

Com este, já são cinco os responsáveis por crimes de racismo na Internet, identificados pela investigação iniciada no início do ano – três dos quais menores de idade. O outro maior é Leonardo Viana da Silva, que denunciado pelo MP teve a denúncia rejeitada pela Juíza da 16ª Vara Criminal de S. Paulo. O MP já entrou com recurso junto ao Tribunal de Justiça e espera derrubar a decisão da juíza por entendê-la “equivocada”.

Entre as expressões usadas pelo estudante na sua página podem ser encontradas coisas do tipo: “Ficam aí pagando o pau da África, aquele bando de macacos subdesenvolvidos, querendo atribuir valor a “essa cultura” negra que só tem músicas sem sentido e toscas, que não fazem mais que promover orgias sexuais… pagando pau daquele preto das palavras dos Palmares… bah”. Ou então, outra em que demonstra a resistência às ações afirmativas. “Já não basta preto roubando dinheiro, agora rouba vagas nas Universidades. O que mais vão roubar depois?”.

Segundo Santos, que é Professor da PUC-São Paulo e tem livros publicados sobre a discriminação racial, se condenados responsáveis por crimes de racismo na Internet podem pegar de 3 a 5 anos de prisão.

Da Redacao