Brasília – Nascer negro no Brasil representa um risco mortal: estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – fundação pública federal vinculada a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República – divulgado nesta quinta-feira (17/10), revela que, ao nascer, uma pessoa negra tem 1,73 ano a menos de expectativa de vida, em virtude da “violência letal" (homicídios).

A violência, que se tornou uma epidemia especialmente nos grandes centros urbanos, representa, por si só, uma redução de 0,81 de expectativa de vida para a população em geral, mas para os brancos, essa redução é menor: 0,71, de acordo com o estudo.

Racismo

De acordo com o Censo do IBGE 2010, a média geral da expectativa de vida do brasileiro ao nascer, é de 73,5 anos. De acordo com o IPEA, a violência faz essa expectativa cair para 71,77 anos no caso do negro e para 72,79 anos no caso do branco, ou seja: uma pessoa negra perde 20,7 meses de expecctativa de vida, enquanto o branco perde oito meses e meio por causa da violência.

Para o responsável pelo estudo, o pesquisador Daniel Cerqueira, os números são o resultado do racismo. "O negro é duplamente discriminado: pela condição econômico-social – pois, com menos acesso à educação e à saúde, é de se esperar que seja mais vulnerável – e pela cor da pele. No Brasil, existe uma coisa cultural de racismo. Ela é muitas vezes reproduzida e amplificada pelo próprio estado – por exemplo, as instituições policiais", afirmou.

Cerqueira disse que, em um mês, pretende lançar o "Mapa de Racismo", com indicadores de preconceito e violência por estado da federação.

"O racismo no Brasil é heterogêneo. Vamos buscar esses determinantes, pois nem todos são tão racistas. Mas posso te adiantar em primeira mão que, proporcionalmente, o Nordeste é a região mais racista do país", declarou.

Mapa da Violência

O IPEA também confirmou dado de outro Estudo – o Mapa da Violência de Jovens 2011, do Ministério da Justiça: em dois de cada três assassinatos no Brasil, as vítimas são negras.

Nos 226 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, a probabilidade de um jovem negro ser assassinado é 3,7 vezes maior do que a do branco, segundo o Programa de Redução da Violência Letal Contra Adolescentes e Jovens, de 2010, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Unicef e Observatório de Favelas. Os dois estudos serviram de base para a análise do Ipea.

"Nós queremos investir cada vez mais para mostrar que o racismo é uma questão super-relevante no Brasil e precisa de políticas públicas mais efetivas", afirmou o pesquisador Almir de Oliveira Júnior, do Ipea, que apresentou o estudo.

 

Da Redacao