Primeiro foi a Seppir, Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, com a realização do VI ENCONTRO NACIONAL DO FORUM INTERGOVERNAMENTAL DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL, de 19 a 21 de junho último, em que os responsáveis em viabilizar a presença dos comunicadores negros simplesmente tentaram aquinhoar os comunicadores convidados com passagens aéreas da VARIG, empresa que há mais de dois meses vem se esmerando em cancelar seus vôos interna e externamente, fazendo com que simplesmente não pudessem participar da programação realizada para dar a devida divulgação. Sobre o ocorrido a Seppir não se preocupou o mínimo possível em solicitar excusas pelo ocorrido, deixando sem saber o que realmente ocorreu, a maioria dos comunicadores convidados que se programaram para estar em Brasília e deixaram de cumprir outros compromissos para os quais já haviam se agendado.
Agora a desorganização ocorre em relação ao II CIAD, que se realiza em Salvador, Bahia, de 11 a 14 deste mês, sob os auspícios do Ministério da Cultura, Fundação Palmares e Ministério das Relações Exteriores, que fez sua parte garantindo a presença em solo brasileiro dos convidados internacionais que começam chegar ao Brasil. Como o sistema de cotas está muito em voga nos corredores oficiais de Brasília, resolveram que a mídia negra terá a presença de não mais que dez comunicadores, número fixado para todo o Brasil. Somente no eixo São Paulo-Rio de Janeiro, existem muito mais que 10 veículos que tratam da nossa problemática e ninguém vêm a público esclarecer os critérios usados para a escolha dos laureados (apenas 1 por veículo) que estarão fazendo a cobertura da realização de um evento governamental, de graça, sem qualquer apoio institucional ou publicitário, como normalmente ocorre em eventos realizados por outros setores do governo, ficando-nos reservadas as migalhas para nós que sempre priorizamos a discussão séria da nossa problemática negra.
Não estamos preocupados com passagens, hospedagens ou outras benesses que podem ser oferecidas por qualquer órgão público, pois quando tomamos conhecimento da realização de qualquer evento em qualquer parte do Brasil que nos diz respeito, convidados ou não, participamos. O que nos preocupa é o fato de como outros comunicadores negros, sermos impedidos de fazer o necessário Credenciamento para destacar a nossa visão sobre o II CIAD, que não é uma realização do governo brasileiro, mas da comunidade africana internacional e sua diáspora no mundo, mas quando somos desafiados, como fomos, por pessoa ligada à organização deste evento para fazer nossas críticas publicamente, não podemos de forma alguma deixar de lado este mister, inerente a comunicação social. Mais um, triste e lamentável episódio.

Antonio Lucio