Rio – Ao mesmo tempo em que comemora o maior lucro já registrado por bancos brasileiros – R$ 4,016 bilhões apenas no primeiro semestre deste ano – o Banco Itaú, pechincha para pagar R$ 1,5 milhões de indenização pela vida do jornaleiro negro Jonas Eduardo Souza Santos, 35 anos, morto em uma das suas agências no centro do Rio por um segurança da Protege, contratado pela instituição.
O processo movido pela advogada Maysa Evangelista, em nome da família do jornaleiro morto, tramita na 4ª Vara Cível do Rio e está em fase de contestação. Inicialmente a família pediu uma indenização de R$ 5 milhões, tendo em vista as circunstâncias da morte de Jonas, abatido com um tiro no peito dentro das instalações da agência após uma discussão banal com o segurança Natalício Marins.
O cálculo para indenizações desse tipo é técnico, porém complexo, e leva em conta a expectativa média de vida da vítima e a responsabilidade da instituição na morte. O crime ocorreu no dia 22 de dezembro do ano passado, depois de Jonas, que era cliente da agência há 10 anos, ter sido barrado pela porta giratória.
Posição fortalecida
A posição do Itaú, contudo, segundo a advogada saiu fortalecida com a absolvição de Marins pelo Tribunal do Júri, no dia 18 do mês passado. Os jurados aceitaram a alegação de que o assassino agiu em legítima defesa. Mesmo antes do julgamento – cuja anulação está sendo pedida pelo Promotor Paulo Rangel – o banco havia recusado um acordo pelo qual pagaria R$ 1,5 milhões de indenização.
A advogada da família, que também funcionou como assistente de acusação da promotoria, já denunciou que a absolvição foi um ato de racismo por parte dos integrantes do Júri – cinco homens e duas mulheres – todos brancos. “Observei o comportamento de todos e posso afirmar: o júri foi racista”, afirmou à Afropress. “Quem não atiraria, se um negro, com um compleição física forte, caminhasse em sua direção, chamando-o de viadinho, filho da p…”, teria afirmado um dos advogados. O assassino também é negro.
Os quatro advogados de defesa contratados pelo Itaú e pela Protege não foram localizados pela Afropress. A Assessoria de imprensa do banco também não se manifestou.

Da Redacao