Que o Joaquim se inviabilize, tudo bem – é direito dele. Mas sua afirmação é lastimável. Lula em algum momento pensou que o Brasil não estava preparado para um presidente metalúrgico? Dilma se perguntou se o país estava preparado para uma presidente mulher? Lula e Dilma foram lá, meteram a cara e venceram os pleitos. No caso do Lula, depois de perder três vezes.

Penso, sim, que Joaquim não está preparado para ser presidente. Suas qualidades intelectuais e jurídicas não correspondem às suas qualidades pessoais. Há um histórico de agressão à ex-mulher, não é simpático no trato pessoal, demonstra desequilíbrio quando contrariado. Ou seja: não é o tipo de sujeito que se chama para um choppinho no fim do dia. Mas Dilma também não é foi eleita e com uma votação absurda. Tudo bem que na onda do Lula, mas que foi, foi.

Quando ele afirma que o país não está preparado para um presidente negro ele recua e dá um tirombaço não apenas em seu próprio pé, mas no de todos nós que lutamos contra o racismo e pelas políticas de ações afirmativas. Pois se há "bolsões" de racismo (e aí signficativamente há uma alteração na terminologia, pois antes se falava de um país racista, e agora se fala de "bolsões") é sinal mais que concreto que temos avançado cada vez mais para superar esta que é uma das grandes chagas abertas da sociedade.

Joaquim, o país está preparado, sim, para um presidente negro e se você não se candidata, tudo bem, eu apresento o meu nome, apresento o nome de pelo menos 50 homens e mulheres negras que podem não ter o nível de preparo acadêmico ou de conhecimento pela população que você tem, mas que jamais, em tempo algum fugiriam à luta, como nunca fugimos, em todas as nossas vidas."

 

Marcio Alexandre M. Gualberto