Brasília – O coordenador do Centro de Convivência Negra da Universidade de Brasília, Jaques Jesus, saiu em defesa do reitor Timothy Mulholland, na polêmica envolvendo a reitoria e os estudantes africanos, vítimas de atentado racista no mês passado. Os estudantes tiveram seus apartamentos incendiados durante a madrugada do dia 28 de março.
“Afirmo ser falsa a premissa de que estar ao lado do Reitor é estar contra os estudantes, como sugere a reportagem. Mesmo reconhecendo as demandas da Casa do Estudante Universitário/CEU, o Reitor tomou as providências emergenciais necessárias, como chamar a Polícia Federal, abrigar os estudantes africanos afetados em um hotel e assegurar a reforma dos apartamentos, instalação de equipamentos de segurança, entre várias outras medidas”, defendeu, em nota.
O caso está sendo investigado pela Polícia Federal e os estudantes africanos depois de ficarem uma semana no Hotel Bittar Plaza, na Asa Norte, já retornaram aos apartamentos, onde convivem diariamente com os suspeitos do crime. Os estudantes afirmam que há quase um ano vinham sofrendo hostilidades, sem quaisquer providências da Reitoria.
Na manifestação que aconteceu no dia do atentado, Jaques Jesus permaneceu ao lado direito do reitor Mulholland, o que foi questionado por estudantes, que cobraram dele uma atitude.
“Esta Assessoria, em nome do Centro de Convivência Negra, divulgou nota de repúdio e tem acompanhado todo o processo com sua equipe de trabalho. Tenho falado constantemente com as lideranças universitárias e autoridades externas à UnB, além dos próprios estudantes africanos, maiores interessados no processo”, acrescenta a nota.
Jesus, que é também Assessor de Diversidade e Apoio aos Cotistas, afirma não ter sido contatado pela Afropress para se “manifestar sobre o episódio e que está à disposição para dirimir quaisquer dúvidas”.
A Afropress procurou Jesus sem sucesso, porém, sempre ressalvou o fato de que o mesmo estava presente ao lado do reitor por sua condição de funcionário da reitoria.
Veja, na íntegra a nota
Nas últimas semanas a Universidade de Brasília/UnB tem sido foco das temáticas da intolerância, referentes ao atentado contra estudantes africanos. Muitas publicações na imprensa não têm abordado adequadamente a questão a partir dos testemunhos das pessoas envolvidas
ou que têm trabalhado para lidar com as repercussões, como a Assessoria de Diversidade e Apoio aos Cotistas/ADAC que coordeno.
É imprescindível contextualizar os atores envolvidos no debate, que não se restringem à Reitoria – especialmente a ADAC -, tais como o Diretório Central de Estudantes, o Coletivo Enegreser, o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros, o programa Brasil Afroatitude/UnB, vários Decanatos, em especial o de Extensão, entre outros professores, servidores e estudantes. Ante ao exposto, constata-se que a ADAC não está sozinha na busca de soluções. Esse leque de pessoas e entidades participa do Grupo de Trabalho contra Discriminação Racial constituído no âmbito dos recentes eventos.
Afirmo ser falsa a premissa de que estar ao lado do Reitor é estar contra os estudantes, como sugere a reportagem. Mesmo reconhecendo as demandas da Casa do Estudante Universitário/CEU, o Reitor tomou as providências emergenciais necessárias, como chamar a Polícia Federal, abrigar os estudantes africanos afetados em um hotel e assegurar a reforma dos apartamentos, instalação de equipamentos de segurança, entre várias outras medidas.
Esta Assessoria, em nome do Centro de Convivência Negra, divulgou nota de repúdio e tem acompanhado todo o processo com sua equipe de trabalho. Tenho falado constantemente com as lideranças universitárias e autoridades externas à UnB, além dos próprios estudantes africanos, maiores interessados no processo.
Acerca da produção da matéria, informo que não fui contatado pela Afropress para me pronunciar quanto ao episódio, porém me coloco à inteira disposição para dirimir quaisquer dúvidas.
Jaques Jesus
Assessor de Diversidade e Apoio aos Cotistas
Coordenador do Centro de Convivência Negra
Universidade de Brasília
(61) 3307-3971 / 8136-4210
www.unb.br/cotas
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Da Redacao