S. Paulo – O diretor e produtor de cinema e televisão, roteirista e escritor João Batista de Andrade, um dos mais importantes do Brasil, com obras que se tornaram clássicas como “O Homem que virou suco”, prepara um longa metragem e uma minissérie sobre Carlos Gomes, o mais importante compositor de ópera do Brasil, discriminado por ser negro em pleno regime da escravidão, porém, com carreira destacada na Europa onde foi, finalmente, reconhecido por seu talento.

Antonio Carlos Gomes nasceu em Campinas, em 11 de julho de 1.836 e morreu em Belém do Pará em 16 de setembro de 1.896 é autor da ópera “O Guarani”, inspirada na obra obra do mesmo nome, de José de Alencar.

Negro

Segundo Andrade, a maior surpresa ao pesquisar a história do personagem foi descobrir que era negro. “Olha, a surpresa prá mim foi descobrir que o Carlos Gomes era negro. E num país escravocrata. Mas foi para a Itália com uma bolsa dada pelo Imperador Pedro II que viu o potencial de criatividade daquele músico que poderia representar para o Brasil a revelação de um país cultural, de primeiro mundo, como Pedro II gostaria muito que fosse. Imagine agora a dificuldade que o nosso Carlos Gomes teve que enfrentar na Itália. Mas ele se tornou muito famoso, autor de grandes sucessos e super respeitado lá, apesar de ser chamado de “Selvageto”, afirmou o cineasta.

Além do longa metragem e da minissérie o projeto prevê também uma ópera sobre Carlos Gomes. O convite para filmar a história e a vida de Carlos Gomes foi feito pela produtora Ariane Porto, da Tao Produções.  Segundo diretor, o projeto está em fase de buscas de parceiros e investidores, e já conta com apoios inclusive internacionais. “E conta com aprovação para investimentos via Lei do Audiovisual, a Lei Rouanet do cinema”, acrescenta.

Para Andrarde, que é presidente da Fundação Memorial da América Latina, o cinema brasileiro continua vivendo velhos dilemas. “O cinema brasileiro continua como sempre com duas variáveis: uma alegria pela qualidade, pela instência e pela luta dos cineastas. E pela qualidade artística, a qualidade técnica; o outro lado é a tristeza pelo permanente problema com o mercado absurdamente dominado pelo cinema norte-americano”, afirma.

O cineasta será homenageado nesta terça-feira (03/06) pela OAB/SP com o Prêmio Franz de Castro Wolzwarth de Direitos Humanos pelo conjunto da sua obra. O prêmio será entregue em solenidade a partir das 19h na sede da OAB – Praça da Sé 385, ao lado da Catedral da Sé.

Carreira

Com "O Homem que virou Suco", de 1.980, João Batista de Andrade recebeu o Kikito de melhor roteiro e, em seguida, foi premiado com a Medalha de Ouro de Melhor Filme no Festival de Moscou, em 1.981. Em 1983, dirige "A Próxima Vítima", considerado até hoje um dos seus melhores filmes, no qual desmitifica a ilusão da abertura democrática. Em 1987 ganhou quase todos os prêmios do Festival de Brasília, com o polêmico "O país dos tenentes"(com Paulo Autran) com temática ligada ao fim do regime militar. No ano seguinte recebeu o que faltou em Brasília, o prêmio de Melhor Filme no RioCine. 

Da Redação