Salvador/Bahia – O nome do diretor executivo do Olodum, João Jorge Rodrigues, passou a ser cotado para presidir a Fundação Palmares, a partir de uma articulação que reúne ativistas baianos e o apoio do ex-governador Jaques Wagner, atual ministro da Defesa no segundo mandato da Presidente Dilma Rousseff.

João Jorge ganhou visibilidade nacional e internacional à frente do Olodum, e foi indicado pelo Jornal "O Globo" como um dos 50 negros mais influentes do Brasil. Também foi um dos participantes da Comissão que promoveu a visita do líder sul-africano e da luta contra o apartheid, Nelson Mandela, e do Bispo Desmond Tutu ao Brasil. Na mais recente campanha de Dilma, mesmo sendo filiado ao PSB, que tinha como candidata a ex-ministra e ex-senadora Marina Silva, o dirigente do Olodum optou publicamente pela candidata do PT e a recebeu em evento de campanha no Pelourinho.

O líder do Olodum (foto), que é mestre em Direito pela Universidade de Brasília, ganhou o apoio do ex-presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, para quem João Jorge à frente da autarquia do Ministério da Cultura, “ajudaria, e muito, na renovação do movimento negro brasileiro” que, segundo ele, "precisa passar por uma profunda renovação”.

Na disputa

Disputam a presidência da Fundação ainda o atual presidente, o diretor de teatro, Hilton Cobra, o Cobrinha, a Secretária Nacional de Combate ao Racismo do PT, Cida Abreu, e o ex-secretário Adjunto da SEPPIR e ex-diretor do Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-Brasileira da Palmares, Martvs Chagas.

O novo ministro da Cultura, Juca Ferreira, deveria ter feito o anúncio na semana passada em entrevista coletiva convocada para S. Paulo, porém, adiou o anúncio. O adiamento teria ocorrido em virtude de pressões do Partido para que nomeie Abreu, que ganhou o apoio do presidente  nacional da legenda, Rui Falcão.

O ministro, porém, tem recusado agir sob pressão partidária por entender que o cargo de presidente da Fundação deve levar em conta o perfil técnico e a capacidade de gestão, o que excluiria Abreu por ter uma atuação marcada pelo ativismo antirracista no âmbito do PT, sem nenhuma experiência como gestora na área da cultura.

Apesar da entrada de João Jorge na disputa, Martvs Chagas (foto) continua a ser visto como o que tem mais chances de ser escolhido para o cargo. 

Ele é um dos formuladores da política que levou à criação da SEPPIR e como diretor do Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-Brasileira da Palmares, se destacou pela capacidade de diálogo com amplos setores do movimento negro e pelo perfil de gestor.

Martvs também tem presença sólida no Partido, especialmente no PT de Minas, onde se destacou como um dos principais coordenadores da campanha pela eleição do atual governador Fernando Pimentel, muito ligado à Dilma.

Da Redacao