Salvador – O presidente do Olodum, João Jorge Rodrigues (foto), disse que vai esperar até a próxima quinta-feira (27/05) desta semana para definir o seu futuro político como pré-candidato ao Senado pela Bahia pelo Partido ao qual está filiado, o Partido Verde (PV), da senadora Marina Silva, candidata à Presidência da República.
Marina tem aparecido como terceira colocada nas pesquisas, com cerca de 12% das intenções de voto – atrás do ex-governador José Serra e da ex-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff – ambos em situação de empate técnico.
A decisão do PV de negar a legenda a João Jorge pode ter forte impacto eleitoral não apenas na Bahia, mas em todo país, a depender da atitude a ser tomada pelo Presidente do Olodum. Segundo analistas políticos ouvidos pela Afropress, o veto a João Jorge pode ter repercussão eleitoral negativa nos setores mais bem informados da população. O Grupo Olodum é conhecido nacional e internacionalmente como referência da cultura negra baiana e brasileira.
A candidatura do líder do Olodum está sendo vetada pela direção baiana do PV – com apoio por ora da direção nacional -, que pretende ter como candidato único ao Senado, o deputado Edson Duarte, embora disponha de mais uma vaga.
João Jorge conversou longamente com Marina, quando da visita da candidata a Salvador na semana passada, para tentar resolver o impasse que se estabeleceu desde que o presidente do PV, Edson Duarte, e o candidato a governador, Bassuma, resolveram tratar o Partido como propriedade particular, vetando sua candidatura, mesmo com o PV tendo direito a mais uma vaga.
Resistência
Na decisão de resistir ao que considera uma violência contra o direito de apresentar-se como candidato a senador, João Jorge tem recebido manifestações de apoio de personalidades como Carlinhos Brown, Vovô do Ilê, Fernando Conceição e Netinho de Paula.
Embora evitando falar a respeito porque ainda cultiva a esperança de que a senadora Marina e a direção do PV nacional convençam o PV baiano a lhe ceder a vaga, João Jorge tem confidenciado a amigos que não aceitará passivamente a decisão que lhe retira o que considera um direito.
Inclusão
Ele anunciou em março passado, em entrevista a Afropress, a disposição de tornar sua candidatura ao Senado pela Bahia um projeto nacional de união política dos negros e dos setores anti-racistas da sociedade, visando o aprofundamento da democracia no país.
Segundo João Jorge, não se pode falar em democracia verdadeira no país, enquanto a maioria da população – que é negra – continuar excluída dos direitos básicos da cidadania, como trabalho, educação, moradia.
Para o presidente do Olodum, o Movimento Negro Brasileiro deve assumir uma atitude ativa e altiva, visando influenciar a pauta política do país, pressionando por mudanças, e se abrir a alianças com os setores da sociedade que se dispõe a discussão de uma nova agenda.
Essa nova Agenda, segundo ele, deve levar em conta a necessidade da inclusão da população negra, que é a maioria, e impõe às lideranças do movimento negro um papel político que não vem sendo exercido por enquanto pelos partidos.

Da Redacao