Brasília – Vinte e oito dias antes de completar onze anos no cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), para o qual foi nomeado em 25 de junho de 2003, o presidente do Supremo e primeiro negro a ocupar este cargo na história do país, Joaquim Barbosa anunciou nesta quinta-feira (29/05) que se aposenta no mês que vem.

Barbosa tem 59 anos e poderia ser ministro por mais 11 anos, quando teria de se aposentar compulsoriamente aos 70. As razões para a saída precoce não foram esclarecidas por ele. Coube ao ministro Marco Aurélio de Mello que falou após a despedida na abertura da sessão, em nome dos colegas, cogitar que teria sido por razões de saúde “já que ninguém vira as costas a uma cadeira no Supremo”.

Barbosa, no entanto não confirmou essa versão, e ao abrir a sessão plenária foi lacônico: “Tive a felicidade, a satisfação e a alegria de compor esta Corte, no que é talvez seu momento mais fecundo, de maior criatividade e de importância no cenário político-institucional do nosso país. Sinto-me deveras honrado de ter feito parte deste colegiado e ter convivido com diversas composições”, limitou-se a dizer. Como presidente da corte o seu mandato terminaria no dia 22 de novembro.

Segundo observadores dos bastidores do Supremo Tribunal Federal e próximos a assessoria do ministro, as razões da renúncia ao mandato e da aposentadoria podem estar explicitadas em declaração feita por Barbosa após o julgamento da Corte que decidiu, por maioria, retirar a acusação do crime de quadrilha dos dirigentes do PT acusados no mensalão. Veja: http://youtu.be/SOKHMTQoWDA

A decisão sobre a renúncia ao cargo e a aposentadoria precoce de Barbosa foi comunicada por ele próprio pela manhã ao presidente da Câmara Federal, Renan Calheiros, e a presidente Dilma Rousseff, que o receberam em audiência.

O ministro se tornou peça chave da política brasileira depois que se tornou relator do mensalão – a Ação Penal 470, na qual foram condenados os ex-dirigentes do PT – inclusive o todo poderoso ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, e os ex-presidente e tesoureiro do Partido, respectivamente, José Genoínio e Delúbio Soares.

Candidato

Até abril, seu nome era cogitado como candidato candidato a Presidente da República por algum micro-partido por conta da sua enorme popularidade, detectada nas sondagens de todos os institutos de pesquisa. Ele ficava atrás apenas da Presidente Dilma Rousseff e da ex-ministra Marina Silva, quando esta última ainda não tinha aderido a candidatura do ex-governador Eduardo Campos, de quem se tornou vice.

Passado o dia 05 de abril – o prazo para desincompatilização – no entanto, a possibilidade de candidatura pelo menos para esta eleição foi descartada.

Agora com a decisão de deixar o Supremo antes mesmo de terminar o mandato de presidente da Corte, especula-se com duas alternativas: que se engaje no apoio aos candidatos de oposição – o senador Aécio Neves, ou o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, considerando a campanha de setores expressivos do PT que nunca o perdoaram pelos votos duros no mensalão; ou fique um tempo fora do país, atendendo a convite de alguma universidade da Europa ou dos Estados Unidos, onde passou a ter grande prestígio.

 

 

 

Da Redacao