Brasília – Na semana que antecedeu ao Natal de 2014, um grupo de 5 jornalistas brasileiros viajou a Israel, a convite do Governo e em viagem organizada pela Agência The Face of Israel. Entre eles, estava o jornalista e ativista negro de Brasília, Sionei Ricardo Leão.

Sionei conheceu as cidades da Galiléia, Tel Aviv, Jerusalém, Jafa e Siderot, cidade que fica na fronteira com a Faixa de Gaza e que é alvo frequente dos foguetes palestinos lançados pelo Hamas e de onde é possível avistar os territórios palestinos.

Nesta reportagem originalmente publicada pelo site Congresso em Foco, Sionei conta como o Estado de Israel enfrenta os desafios de integrar social, econômica e racialmente os milhares de judeus etíopes que desde a década de 1.970 migram ao país por motivações religiosas.

“O sonho de chegar e viver na “Terra Santa”, a aliyah, no quotidiano esbarra em questões de se adotar e ter eficácia em políticas afirmativas para lhes garantir cidadania efetiva”, relta o jornalista.

Veja a reportagem:

A saga dos judeus etíopes em Israel 

Tel Aviv (Israel) – O incidente ocorrido no início deste mês de maio, em Jerusalém e Tel Aviv, entre a polícia israelense e membros da comunidade judaica etíope despertou atenção internacional para esse segmento étnico.

No episódio, ocorreram confrontos violentos com envolvimento de cerca de 60 pessoas. Os manifestantes gritaram para exigir “justiça social” e “a prisão dos policiais racistas”.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente israelense, Reuven Rivlin, condenaram publicamente o racismo de que se queixam os judeus etíopes.

Para entendermos um pouco mais amiúde o contexto desses acontecimentos, temos que recorrer aos termos aliyah e absorção.

Para a cultura política brasileira, certamente soará estranho que exista em algum lugar um órgão governamental chamado Ministério da Aliyah (imigração) e Absorção. Mas ele faz todo sentido para os judeus e o para o Estado israelense. 

O conceito de aliyah, no enunciado do órgão, é chave para se compreender o significado dessa política de retorno dos judeus à Terra Santa. Além das questões religiosas e culturais, essa transferência requer medidas socioeconômicas que ficam a cargo do ministério, que se incumbe de providenciar recursos para moradia, plano de saúde e outras políticas, como o acesso à educação.

Essa ação beneficia, por exemplo, desde russos a etíopes – uma comunidade judia etíope e, portanto, negra, que reside em Israel. São mais de 130 mil pessoas e, para o governo, representa “um teste nacional de honra”. O desafio, para o Estado, é integrá-los àquela sociedade (moderna e competitiva) e trata-se, enfatizam os dirigentes, uma causa nobre e complexa.

O governo israelense investe quatro vezes mais nos judeus etíopes do que em outros grupos de migrantes. Cada família tem direito a um financiamento imobiliário que cobre até 90% de um valor estipulado em US$ 120 mil. De acordo com o ministério, integrar russos e outros grupos permanece um desafio, mas no caso dos etíopes é uma operação mais delicada, pois eles migrara ao país vindos de situações socioeconômicas mais desfavoráveis.

Apesar desse subsídio, os judeus etíopes ainda não chegaram ao mesmo patamar socioeconômico de outros grupos. Permanecem entre os mais pobres e vivem em regiões mais modestas. Para um olhar brasileiro, eles estariam num patamar de classe “C” enquanto seus  outros grupos experimentam situações mais abastadas, reconhece o Ministério da Absorção. No entanto, a absoluta maioria deles está satisfeita com a vida israelense.

O ministro da Embaixada de Israel no Brasil, Lior Ben Dor, explica que se sente orgulhoso com o que vem sendo feito em relação à comunidade. “Mas essa assimilação tem seus problemas que só serão superados com tempo e investimentos variados”, declara. Os desafios tem a ver com a africanos alcançarem o mesmo patamar educacional e financeiro em comparação com os oriundos da Europa, por exemplo.

“Eu tenho um história em relação aos judeus etíopes, pois estava com 12 anos quando os vi chegar ao lugar onde morava no norte de Israel. O que vem em meu pensamento é que nós, judeus, podemos ser diferentes por fora, mas pertencemos ao mesmo povo, pois procedemos de vários lugares do mundo”, analisa o diplomata.

Para Ben Dor, a trajetória dos judeus etíopes em Israel é exitosa. "Me recordo que quando cursei a universidade convivi com um grupo deles, que após uma década em Israel já estavam dominando a língua hebraica e frequentado cursos como ciências políticas e tantos outros, tive também essa experiência no Exército. Penso que é uma história de sucesso”.

Os dados econômicos revelam numericamente o quanto falta para que os judeus etíopes se igualem aos demais israelenses. Pelos cálculos de 2009, do Ministério da Absorção, as famílias etíopes gastaram uma média mensal de R$ 6,2 mil em comparação aos R$ 9,5 mil para todas as famílias. O gasto mensal com educação, cultura e entretenimento entre as famílias etíopes foi R$ 775,00, em comparação com a média nacional R$ 1,1 mil.

Há hoje judeus etíopes despontando na carreira militar, em funções governamentais, nas artes e de modo geral e várias áreas da sociedade.

Ben Dor cita um exemplo no corpo diplomático, pois a representante da Embaixada de Israel na Etiópia, Belaynesh Zevadia, é judia etíope. “Ela entrou no ministério um pouco antes de mim e a meu ver a forma que galgou posições na carreira são uma evidência desse potencial que a comunidade tem, além disso, tem a ver com o a experiência que Israel possui na integração".

Em Brasília, o presidente da Associação Cultural Israelita de Brasília (ACIB), Hermano Wrobel, também considera a trajetória dos judeus etíopes como uma das vertentes expressivas de um fluxo de pessoas que buscam Israel por causa de raízes que culturais e religiosas supera barreiras raciais.

“É importante a aceitação da diversidade, ter esse encontro é muito interessante, de modo geral podemos afirmar que certas intolerâncias que ocorrem em tantos lugares não se verificam com a mesma intensidade em Israel, pois o judeu pode partir tanto de países europeus quanto de regiões África”, argumenta Wrobel.

A jornalista Dona Rosenthal, autora do livro Os israelenses: pessoas comuns em uma terra extraordinária, best-seller no país, considera que a ação afirmativa em favor dos judeus etíopes tem tido os melhores indicadores na área do ensino.

Em parte, esse desempenho se explica pela política de total subsídio a estudantes etíopes em universidades e faculdades do país. “Da mensalidade à habitação”, destaca.

Em 1993, haviam apenas 145 etíopes no ensino superior israelense, a maioria nos cursos de serviço social e pedagogia. Em 2008, compara Rosenthal, o efetivo passou para mais de três mil, em carreiras como direito, ciência da computação, enfermaria e medicina.

David Yasu, do Ministério da Absorção israelense, informa que, dos 135 mil judeus etíopes que vivem em Israel, 49,6 mil nasceram no país; são, portanto, de segunda ou terceira geração. O tamanho médio das famílias é de 4,4 indivíduos, maior do que a da sociedade de modo geral, que é de 3,3. A taxa de miscigenação é pequena pois a grande maioria (88%) se casa com membros da mesma comunidade.

Ainda segundo o ministério, a maioria dos judeus etíopes está concentrada em dois distritos do país, o central (38%) e o sul (24%). Pelos números de 2013, a cidade de Netanya tinha a maior população, com 10,9 mil pessoas.

As eventuais barreiras de natureza racial entre os judeus etíopes e os demais grupos é um tema caro à cultura israelense, sobretudo por se tratar de uma população que tem o histórico recente do holocausto.

Por assim dizer, é decisivo para Israel enfrentar e superar questões de inclusão e diversidade de forma igualitária. Um fato polêmico em 1996, denunciado pelo jornal Ma’ariv despertou a opinião pública israelense sobre esse desafio.

A “questão de sangue” como ficou conhecida resultou de um comportamento de funcionários da organização Magen David Adom que, secretamente, tinha descartados doações de judeus etíopes sob a suposta preocupação de que parte do material pudesse estar contaminado pelo vírus HIV, que tem grande incidência em países africanos.

O episódio despertou a indignação de milhares de judeus etíopes, pois muitos deles haviam se disposto a doar o sangue movidos por sentimentos de solidariedade e nacionalismo. Houve uma onda de protestos que mobilizou cerca de 15 mil pessoas.

Dona Rosenthal relata que os manifestantes se dirigiram ao gabinete do então primeiro-ministro de Israel, Shimon Peres, gritando slogans como “nós somos tão judeus quanto vocês” e “nosso sangue é tão vermelho quanto o de vocês”.

Ante a comoção, Shimon Peres pediu oficialmente desculpas à comunidade e tomou providencias para que assunto fosse investigado. De acordo com Rosenthal, a conclusão foi que o comportamento dos profissionais do instituto não fora motivado por racismo.

Segundo a jornalista, “foi um caso extremo de paternalismo mal direcionado. Os médicos justificaram o segredo afirmando que não queriam estigmatizar os etíopes, que haviam deixado um país onde a Aids é prevalente”.

Apesar desse entendimento, a própria Rosenthal explica que o caso deixou uma inquietação em relação as políticas afirmativas destinadas aos judeus etíopes. Os israelenses discutiram que o progresso econômico projetado a esses indivíduos não caminhava tão rápido quanto se esperava.

Consoante com as conclusões de Rosenthal, chama a atenção a preocupação do ponto de vista racial que os israelenses têm quanto a presença dos judeus etíopes no país. A simples suposição de que possa haver diferenças em razão da cor da pele é uma dimensão incômoda à moral daquela sociedade, que tem no seu passado ter sido discriminada violentamente pelos nazistas alemães além de tantos outros fatos históricos de antissemitismo.

Na cidade de Siderot ao abordar um policial que é judeu etíope, Shimon fica evidente a questão de prevalecer entre eles a identidade judaica sobre uma definição racial.

Shimon, falando em hebraico, ficou surpreso e até perplexo ao ser indagado sobre sua condição de judeu etíope. Tanto que me orientou a procurar líderes da comunidade em Jerusalém. A minha guia e tradutora Sandra Rejwan, da agência Face of Israel, asseverou que para eles esse assunto não faz muito sentido. “De fato eles não compreendem esse tipo de diálogo”, completou.

Essa diretriz de igualdade cidadã também se traduz inciativas sociais, como o Movimento para Reunificação de Famílias Etíopes em Jerusalém, presidido por Uri Peredinik.

A entidade de Uri, cujo pai, Gustavao Peredinik, é brasileiro com cidadania israelense, promove interações do etíopes em várias áreas da sociedade. Ele frisa que hoje há até uma deputada, Tamno-Chata, com assento no parlamento do país, o Knesset.

Ela tentará ser reconduzida ao cargo nas eleições de março deste ano. Há outro judeu etíope concorrente que não detém mandato e que também disputará o pleito, Abraham Nagossa.

Uri ressalta ainda a modelo Titi Aynaw, que foi eleita miss Israel em 2013, como um ícone da comunidade. Ele frisa que os judeus etíopes passam por diferentes desafios no país. Um deles é a dificuldade de trazer seus familiares que ainda vivem na África. “É difícil para os soldados, por exemplo, que lutaram na última guerra em Gaza não ver seus irmãos e irmãs que permanecem em condições de extrema pobreza na Etiópia”.  

O tenente-coronel Davi Ram (foto abaixo), oficial que foi educado no Brasil, no Estado do Rio de Janeiro, hoje é subcomandante de uma brigada do Exército em Israel, que reúne cinco unidades.

Ram detalha que os judeus etíopes ingressam no exército do país sem segregação. É uma situação diferente dos judeus ortodoxos para quem há quatro batalhões exclusivos. Há também unidades especificas para drusos e beduínos.

“Com os etíopes da mesma forma que com os russos isso não é necessário, porque a cultura deles é bem próxima, até porque muitos deles vieram de lugares diferentes. Nós apenas reservamos seis meses a mais de treinamento prévio para que eles possam depois ingressar bem preparados se seguirem uma rotina como a dos demais militares”, explica o oficial.

De fato ao se trafegar em várias regiões de Israel é notória a participação de judeus etíopes entre os militares do Exército, que é muito presente no quotidiano daquela sociedade.

O percentual, proporcionalmente, de judeus etíopes nas forças militares supera ao de outros grupos, pois chega a 95% dos jovens com 18 anos e em condições de alistamento.

Participar do Exército é uma forma se acesso à sociedade israelense e uma opção considera honrosa no país. Dentro desse universo, os etíopes conquistaram a reputação de bons soldados, nacionalistas e disciplinados.

Rosenthal lembra que o primeiro soldado israelense que perdeu a vida na Intifada foi um etíope, Yossi Tabjeh, que tinha chegado ao país aos 11 anos.

Outra pessoa que morreu numa condição semelhante, em defesa da nação, foi Natan Sandaka, também etíope. Em setembro de 2004, na esquina da rua dos Profetas com a Rua Etiópia, em Jerusalém, ele suspeitou de um jovem vestido com estilo ortodoxo, mas que portava uma mochila diferente do habitual para aqueles trajes.

Ao abordá-lo o suspeito, um terrorista, disparou as bombas que portava provocando a própria morte e a de Natan.

Resgate quase bíblico

O acolhimento por meio da aliyah dos judeus etíopes inicia-se logo após o desembarque no aeroporto Ben Gurion. A partir desse momento, os judeus etíopes passam a ser acompanhados em todos os momentos da nova vida israelense.

Isso vem ocorrendo com mais intensidade desde 1h45 do dia 23 de maio, de 1991, hora e data que tornou-se simbólica nacional e internacionalmente para Israel e os judeus etíopes.

Nesse dia, após uma operação de proporções surpreendentes, chegaram ao Ben Gurion 14.324 judeus etíopes, após sobrevoarem uma distância de 2,5 mil quilômetros a partir de Adis Abeba por meio da Operação Salomão.

Durante a operação foram realizados sete partos a bordo das aeronaves da IAF (Força Aérea Israelense) e da empresa El Al. Toda a empreitada levou 26 horas, com o emprego de 33 aviões. Um dos voos bateu recorde internacional na aviação, pois transportou de uma só vez cerca de mil pessoas.

Um papel central em todos esses esforços ficou ao encargo de Solomon Ezra. Esse militar foi o primeiro judeu etíope da Força Aérea de Israel. Por ser oriundo do país africano e pelos evidentes laços com esse grupo, ele teve a missão de subornar funcionários do governo africano para que fosse possível liberar aquelas milhares de pessoas para a migração à Terra Prometida. 

Solomon recorda que o cenário era do risco de extinção dos judeus etíopes. Suas habitações precárias já tinham sido atacadas pelas milícias e muitas pessoas tinham pago com a vida a escalada da violência.

Naquele período, a Etiópia estava imersa numa violenta guerra civil, que tinha no regime de Mengistu (o açougueiro de Adis) a marca do extermínio de vidas. O risco de que as mortem alcançassem os judeus era real.

No período que antecedeu à guerra civil, a Etiópia tinha experimentado anos de escassez severa de alimentos. A fome de 1983-1985 ceifara um milhão de vidas. Os grupos mais atingidos foram as minorias étnicas e religiosas.

O governo autoritário de Mengistu havia derrubado o imperador Hailé Selassié I, culpando-o pela a crise de abastecimento da Etiópia. O resultado foi uma nova ditadura e a continuidade da fome.

Foi nesse contexto que se organizou a vinda dos milhares de judeus etíopes para Israel. Essa iniciativa fora antecedida por outras ações de menor impacto, como a Operação Moisés iniciada em 21 de novembro de 1984.

A Operação Moisés foi interrompida em janeiro de 1985, por causa de um boicote da Liga Árabe contra o Sudão sob as acusações de um suposto "intervencionismo sionista" na Etiópia. Com o fim dela, 1,6 mil crianças que conseguiram chegar a Israel ficaram sem os pais, que estavam agendados para chegar posteriormente. Elas passaram a ser conhecidas como "órfãos da circunstância".

 Origens históricas

O Velho Testamento, no Livro de Reis (Capítulo 10, entre os versículos 1 e 13) narra sobre a visita da rainha de Sabá ao rei Salomão, por quem ela havia despertado o interesse em conhecer por conta da fama de sabedoria e poder do monarca.

“Ouvindo a fama de Salomão, a rainha de Sabá veio prová-lo por meio de enigmas. Chegou a Jerusalém com uma escolta considerável de camelos carregados de aromas, ouro em grande quantidade e pedras preciosas. Apresentando-se diante do rei Salomão, propôs-lhe tudo o que tinha em seu pensamento. Salomão solucionou todas as suas palavras: nenhuma palavra escapara para o rei; a cada uma deu sua solução” (versículos 1 a 3).

Segundo essa narrativa, o rei Salomão ofereceu à rainha de Sabá tudo aquilo que ela desejou e pediu, além dos presentes que lhe deu espontaneamente com regia liberalidade. Depois disso “ela e seus servos regressaram, depois, à sua terra” (versículo 13).

Esse episódio bíblico é compreendido como uma provável origem dos judeus etíopes, pois a tradição dá conta de que Sabá, após ter estado na corte do rei de Israel, ao voltar para o seu território teria dado à luz um filho judeu (fato que não está narrado nas escrituras).

Por essa versão, acredita-se que Menelik deu origem a uma linhagem real que encerrou-se com Imperador etíope Hailé Selassié I, deposto pelo ditador etíope Mengistu Haile Mariam.

Outra compreensão diz respeito a supor que Moisés, libertador dos hebreus no Egito, teve uma esposa negra de Kysh, o nome bíblico da Etiópia. Em Isaías, 11:11 há uma forte implicação de que havia uma comunidade judaica etíope estabelecida nos dias de hoje em 740 a.C.

Outros estudiosos propõem que os judeus etíopes têm origem na tribo perdida de Dan. Há também a especulação de que eles são descendentes dos judeus que deixaram Israel após os babilônios destruírem o templo de Salomão, em 586 a.C.

Há outros grupos de judeus africanos além dos etíopes. São conhecidas comunidades entre os igbo na Nigéria, os lemba do Zimbabwe e África do Sul, e os abayudaya, de Uganda. Pela primeira vez, em 57 anos, esse assunto mereceu um painel específico na conferência anual da Associação de Estudos Africanos, que ocorreu em novembro, de 2014, nos EUA.

O caso dos judeus igbo vem sendo estudado pelo cientista político da Universidade de Northeastern, de Illinois, nos EUA, William Miles. Ele estima que existem cerca de 30 mil indivíduos que mantêm as tradições hebraicas nesse grupo.

Ruth Iyob, da Universidade de Missouri, autora de vários livros sobre a história africana, contesta a expressão afro-judaísmo ou conceitos correlatos para se referir a esse segmento. Para ela, a palavra negro carece de alcance e complexidade para tratar do assunto. “Na Etiópia, as pessoas ficarão incomodadas se você lhes classificar dessa forma, precisamos de uma análise mais histórica".

Internacionalmente se reconhece que a primeira menção registrada da existência dos judeus etíopes foi feita no século 18 pelo explorador escocês James Bruce. O fato foi descrito no livro Viagens para descobrir a fonte do Nilo.

Somente após sete décadas do pioneirismo de Bruce houve a iniciativa da Alliance Israelite Universelle em enviar o linguista semita Joseph Halevy à Etiópia com a tarefa de constatar a presença e averiguar se procedia a informação de que se tratava de judeus legítimos.

Halevy relatou que ao se deparar com os judeus etíopes foi recebido com estranheza e desconfiança, uma vez que para eles os verdadeiros hebreus eram negros e não brancos.

O linguista escreveu que de lado a lado só se ficou à vontade quando no diálogo surgiu a palavra Jerusalém. Essa foi a senha para que ele fosse aceito como judeu entre os etíopes.

Hipertexto:

A Intifada é o nome popular das insurreições dos palestinos da Cisjordânia contra Israel. As alegadas motivações são várias como soberania de territórios considerados por esses árabes como invadidos pelos judeus.

O termo foi criado após o levante de 9 de dezembro de 1.987, com a população civil palestina atirando paus e pedras contra os militares israelitas. Essa foi a "Primeira Intifada" ou "guerra das pedras".

A segunda ocorreu quando Yasser Arafat recusou a proposta de paz de Israel, em setembro de 200. O estopim foi a caminhada do então primeiro-ministro israelense Ariel Sharon pela Esplanada das Mesquitas e no Monte do Templo, nas cercanias da mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém.

O Magen David Adom é uma organização da área da saúde com atividades humanitárias em Israel. Suas equipes atuma em áreas que vão do atendimento médico convencional ao socorro e transporte a hospitais de militares feridos em combates, especialmente na região conhecida como as Colinas do Golan.

*O jornalista foi um dos cinco brasileiros escolhidos pela agência Face of Israel para uma agenda de visita a várias cidades e regiões de daquele país, em dezembro do ano passado.

     

Da Redacao