Rio – O jornalista Márcio Alexandre Martins Gualberto já está em casa depois de permanecer por dois dias internado no Hospital Salgado Filho, no Méier, no Rio, com suspeita de enfarto.
Márcio, de 38 anos, que é portador de uma doença cardíaca diagnosticada há três anos, chegou ao Hospital na última terça-feira (13/10) com pressão de 18 x 14, batimentos cardíacos a 108 por minuto, suando frio e sentindo fortes dores no peito.
Medicado, ele está proibido pelos médicos de fumar e de evitar esforços físicos e tensões. Por isso ficará afastado de suas atividades como Coordenador de Relações Institucionais do Coletivo de Entidades Negras.
Veja o depoimento do próprio jornalista, após o susto.
Durante a CIAD, em Salvador, três anos e meio atrás eu descobri que sou portador de uma miocardiopatia dilatada. Doença que aumenta o volume do coração e que é provocada por uma série de fatores. No meu caso, foi a hipertensão, que trago de família quem provocou o surgimento da danada.
Naquele momento Luis Fernando (que estava na Ouvidoria da Seppir) e Paulo Roberto, o Boca, foram essenciais em conseguir para mim uma indicação de tratamento no hospital de Laranjeiras. Como Helinho relatou em emails anteriores o problema do HC de Laranjeiras é o grande intervalo entre uma consulta e outra. Como resultado disso, nos últimos meses os remédios que tomo para controlar a miocardiopatia e todos os seus efeitos tornaram-se ineficazes.
Enfim… Entrei no hospital Salgado Filho na terça-feira com todos os sintomas de um início de enfarto. Minha pressão estava 18 por 14, meus batimentos cardíacos estavam a 108 por minuto, suava feito um porquinho, sentia dores, enfim, caminhava a passos céleres para o outro lado.
Neste momento estou hiper medicado. Se antes tomava quatro remédios agora tomo 10, se antes não podia abusar do sal, agora é praticamente sal algum, se antes já havia parado de fumar, menos mal, mas agora nem mesmo um gole de cerveja está liberado. Preciso de todas as formas evitar as tensões, os abusos emocionais, os esforços físicos, preciso, antes de tudo, convencer a mim mesmo que hoje, aos 38 anos, sou um homem doente e limitado por uma cardiopatia gravíssima.
Talvez, até por conta de minha natureza e forma de lidar com as coisas, a melhor maneira que tenha encontrado de lidar com a doença tenha sido ignorá-la totalmente e agir como se doente não fosse. Não posso mais fazer isso. Preciso emagrecer, preciso me alimentar com cuidado, preciso dormir direito, preciso me estressar menos. Antes de querer mudar o mundo, preciso mudar a mim mesmo e é a isso que vou me dedicar agora.
Nos próximos meses estarei afastado das atividades do CEN; estarei afastado das listas. Preciso me dedicar a algumas coisas básicas, como terminar dois livros que estou escrevendo, ao meu trabalho que me sustenta e me enriquece como profissional, à minha filha, família e amigos que tanto negligenciamos por conta de uma militância voraz que muito nos exige, mas pouco nos retorna.
Quero com muito carinho agradecer cada manifestação de amizade, de preocupação, de afeto para minha pessoa. Fico feliz em saber que sou tão querido, tão lembrado por pessoas que me são importantes, são minhas formadoras, são pessoas que amo e respeito. Fico feliz também em saber que pessoas que nunca me viram, que mal sabem como sou preocuparam- se comigo, me colocaram em suas preces.
Sei que ebós foram arriados em prol de minha saúde, que pessoas foram às suas igrejas pedir aos seus santos ou a Jesus por mim; sei que há pessoas que ficaram realmente entristecidas acreditando que talvez eu não fosse resistir.
O importante é que resisti. Resisti graças a cada uma dessas manifestações, a cada uma força energética que foi enviada em minha direção. Acredito nas energias, acredito nos bons olhares, acredito no carinho e na amizade e ter isso de vocês me faz um homem rico e feliz.
De agora em diante minha vida muda, altera-se substancialmente, mas com certeza para melhor, para uma melhor qualidade e para que seja uma pouco mais longa, até onde Olodumare queira que seja.
Recebam enfim, meu carinho, meu abraço, meu Axé e meu muito obrigado.
Bjs a todos e todas,

Da Redacao