S. Paulo – A jornalista Juliana Albino, 32 anos, coordenadora de redação do Hôtelier News, desistiu de apresentar representação contra o mestre de cerimônias da Feira Internacional de Serviços de Turismo (Fistur), Manoel Costa (foto), por injúria racial. O crime está previsto no parágrafo 3º do art. 140 do Código Penal Brasileiro e o prazo para a representação para início da ação penal é de seis meses.
Em caso de condenação as penas variam de um a três anos e multa. “Vou entregar a Deus e ele fará Justiça”, disse a jornalista, que é evangélica.
No dia 29 do mês passado, quando se encontrava na sala de imprensa da Feira, diante de um pedido da jornalista para que não mexesse em seus pertences (uma bolsa e um bloco de anotações), o mestre de cerimônias teria reagido assim. “Cala sua boca negrinha, e volte prá senzala”.
O caso está registrado no 13º da Casa Verde (BO 137/2010). “Nunca falei com essa pessoa. Fiquei muito nervosa. Foi muito duro prá mim. As pessoas que estavam na sala de imprensa ficaram perplexas”, contou.
Juliana disse que, na ocasião, procurou a assessora do evento, Daniela Buono, que teria dito não ter tempo para resolver “picuinhas”. Posteriormente, a jornalista contou ter ficado sabendo que Buono seria mulher do mestre de cerimônias.
Desistência
Mesmo desistindo da ação penal, a jornalista ainda poderia entrar com ação de indenização por danos morais contra Costa e contra a ABRESI (Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo), empresa organizadora da Fistur, que tem responsabilidade sobre seus prestadores de serviço. Com a decisão de “entregar a Deus”, é provável que também desista dessa providência.
Ela disse ter conversado também com seu noivo, Alessandro, um oriental, com ascendência japonesa, sobre o episódio.
Testemunha
O caso foi presenciado por colegas da jornalista que cobriam o evento, como o jornalista Caio de Melo Martins, da RLC Press. “O episódio é um fato lamentável. O que aconteceu na sala de imprensa da Fistur se tivesse sido dirigido para mim teria agido da mesma forma, procurando as autoridades competentes para denunciar uma prática tão racista. Alguns pontos são relevantes neste contexto, um deles é a perplexidade a este tipo de discriminação, pois é preciso valer o respeito de um ser humano para outro. Eu me senti muito envergonhado por ter presenciado uma cena tão medíocre”, disse Martins.
O outro lado
O mestre de cerimônias Manoel Costa se disse “chocado e surpreso com a repercussão” do fato, publicado em diversos veículos. Ele negou ter agredido verbalmente a jornalista. “O que ocorreu foi uma rápida discussão, presenciada por algumas pessoas, em que não houve nenhum tipo de agressão física ou verbal” , afirmou em nota dirigida à época à Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ).
“Até que se prove o contrário, não sou racista, não procurei ofender ninguém e nem utilizaria este fato isolado para denegrir a vida de alguém. Estou sendo tratado publicamente como um criminoso, sem o justo direito de me defender. Estou sendo pré-julgado e sentenciado sem a devida apuração dos fatos”, afirmou acrecentando que, a jornalista Daniela Buono, assessora de imprensa do evento, procurou apaziguar os ânimos e pôr um fim à situação, “não sendo omissa como fez crer a jornalista Juliana”.
Arquivo
Como o crime de injúria racial, depende de representação, com a decisão da jornalista de não promovê-la, o inquérito – se já foi instaurado – deverá ter como destino o arquivo.

Da Redacao