S. Paulo – Contrariando a posição do Ministério Público que, através do promotor Marcelo Luiz Barone, deu parecer contrário à liberação considerando racismo crime imprescritível e inafiançável conforme estabelece a Constituição, o Departamento de Inquéritos Policiais e Polícia Judiciária de S. Paulo (Dipo), liberou o designer Eduardo Brandão Jarussi, 26 anos, e o autônomo Rogério Costa Andrade, 27, que a partir de hoje estarão nas ruas.
Permanece, no entanto, preso no Centro de Detenção Provisória Independência, na capital, Emerson de Almeida Chieri, 34 anos, que tem passagens por roubo, furto e posse de drogas. Os três foram presos por policiais militares quando, na madrugada de segunda para terça-feira, pregavam cartazes contra as cotas para negros e indígenas. Os cartazes – os mesmos mantidos na página da organização neonazista White Power (Poder Branco) – diziam que os negros “roubam” as vagas dos brancos e mostram um negro aprovado após errar várias questões.
Os acusados pertencem à organização que prega o ódio contra negros e judeus e estampa na sua página, a cruz suástica símbolo do nazismo. No mesmo dia, em que foram liberados para responder, a Delegacia de Crimes Raciais instaurou outro inquérito contra a organização nazi-racista, que se articula a partir de S. Paulo, por manter em sua página na Internet em tom de desafio e ameaça, as imagens da delegada chefe Margarette Barreto e do editor de Afropress, jornalista Dojival Vieira. Os dois são apresentados como inimigos da organização.
A delegada Margarette Barreto disse que a exposição das imagens é uma ameaça à integridade física de ambos. Por sua vez, o jornalista Dojival Vieira está levando o conhecimento do fato às principais autoridades do país – incluindo o secretário da Segurança Pública de S. Paulo, Ministro da Jutiça, Polícia Federal -, e disse que vai levar o caso às organizações internacionais em defesa dos direitos humanos e da liberdade. “Nossa integridade física e da minha família são de inteira responsabilidade das autoridades públicas constituídas, responsáveis por garantir aos cidadãos e cidadãs seus direitos constitucionais, inclusive o da segurança e da incolumidade física”, afirmou.
O delegado Paulo de Jesus de Souza Filho, da Polícia Divisionária da Divisão de Proteção à Pessoa do DEIC, colocou à disposição do jornalista medidas protetivas, que serão utilizadas “caso haja necessidade”.
Assista a matéria veiculada pela Rede Globo:


http://gmc.globo.com/GMC/0,,2465-p-MC17-M566347,00.html

Da Redacao