A Assessoria de Comunicação da Universidade de Brasília, por decisão da reitoria da Universidade, emitiu Nota dirigida à Afropress em que diz repudiar “qualquer tipo de discriminação” e lembra que foi a primeira instituição federal de ensino superior no país, a adotar o sistema de cotas para negros.
A Nota foi divulgada cinco meses depois que um estudante do seu Curso de Letras – Marcelo Valle Silveira Mello, 20 anos – passou a ser o primeiro acusado de racismo na Internet a sentar-se no banco dos réus. Ele é acusado pelo Ministério Público do Distrito Federal por três delitos com base na Lei 7.716/89. Para cada um dos delitos as penas previstas variam de 2 a 5 anos.
Uma posição da UnB vinha sendo cobrada por professores e estudantes indignados com o fato de, no dia 23 de janeiro passado, o estudante ter entrado com incidente de insanidade mental, para fugir ao interrogatório marcado pela Justiça.
De Brasília desde setembro do ano passado.
O interrogatório abriria formalmente o início do julgamento. Com o incidente de sanidade mental – visto por juristas como uma manobra para suspender o processo – agora será realizada perícia a cargo do Instituto Médico Legal de Brasília. O prazo para que isso aconteça é de 45 dias, prorrogável por mais 45, segundo o promotor Marcos Antonio Julião.
Incidente – Com a alegação de que é mentalmente incapaz, os advogados de defesa do estudante – entre os quais estaria o ex-procurador geral da República Aristides Junqueira – pretendem retardar a sentença, ou até influenciar a juíza Ana Paula Loiola, da 6ª Vara Criminal de Brasília, para conseguir pena mais branda.
A alegação da defesa, porém, reforçou os argumentos de estudantes e ativistas da UnB, de que a Universidade devia uma satisfação à opinião pública, que a mantém.
O professor José Jorge de Carvalho, um dos responsáveis pela discussão que resultou na implantação do sistema de cotas na Universidade, por exemplo, disse a Afropress que a instituição deveria “abrir uma sindicância” para apurar o caso e a ação de grupos racistas que eventualmente estejam atuando no campus, sob a liderança de Valle.
O estudante é também investigado pelo Gradi – Grupo de Repressão aos Delitos de Intolerância, da Secretaria de Segurança Pública de S. Paulo, porque assumiu o primeiro ataque a Afropress, que retirou o site do ar por dias, causando danos à Agência e é suspeito também pelos outros quatro ataques. O Gradi também apura a autoria de ameaças, inclusive de morte, dirigidas aos jornalistas da Afropress.
Veja, na íntegra, a Nota da UnB
Nota à Afropress
A Universidade de Brasília (UnB) repudia qualquer tipo de discriminação racial. O fato de ter sido a primeira instituição federal de ensino superior a adotar o sistema de cotas para negros demonstra a preocupação e o compromisso com a inserção social dessa parcela significativa de cidadãos brasileiros.
Os estudantes beneficiados pelo programa podem contar com o trabalho da Assessoria de Diversidade e Apoio aos Cotistas e um Centro de Convivência Negra, que oferece espaço para estudo e reuniões; biblioteca de referência para consulta sobre ações afirmativas; mural de divulgação de atividades ligadas a Ações Afirmativas; apoio aos programas de pesquisa, ensino, extensão e assistência voltados aos Negros; sala de Apoio aos Cotistas; atividades acadêmicas voltadas para a comunidade interna e externa (mostras de vídeo, palestras, cursos).
Quanto à atitude do aluno Marcelo Valle Silveira Mello de racismo no Orkut, o assunto está na esfera judicial. Cabe, portanto, à justiça julgá-lo.
Assessoria de Comunicação da Universidade de Brasília

Redação