S. Paulo – Aguardada com ansiedade pela vendedora Ângela Marlene Telles de Menezes, funcionária ADT Security Services do Brasil Ltda., alvo de agressão racista, esmurrada na frente de colegas e do próprio chefe e, posteriormente punida com afastamento de uma semana pela gerência da empresa, a decisão de primeira instância da Justiça de S. Paulo, acabou adiada.

Na audiência que ocorreu na última quarta-feira (30/08), o juiz da 21ª Vara do Trabalho Plínio Antonio Publio Albregard, determinou a realização de perícia técnica e marcou nova audiência para o dia 31 de janeiro do ano que vem. O juiz também nomeou o perito Frederico Ken Miyahara Masuko para no prazo de 45 dias apresentar laudo. Segundo a advogada Carmen Dora de Freitas Ferreira, a vendedora de 58 anos, continua sofrendo da depressão por causa do episódio.

Agressão

O caso aconteceu no dia 25 de outubro do ano passado numa lanchonete da Rua Vergueiro durante uma reunião convocada pela chefia com a equipe de trabalho e está sendo investigado em Inquérito – ainda não concluído – pela 5ª DP. “Vagabunda, você não presta. Negro quando não caga na entrada, caga na saída”, gritava a agressora, uma funcionária de nome Fátima Abigail, segundo o relato de Ângela à Afropress.

Ela era a única negra numa equipe de 10 vendedoras e passou a ser alvo da agressora interessada em ficar com a área de vendas onde atuava, na Mooca. O laudo do IML confirma a agressão também física – a vendedora foi esmurrada e teve os óculos quebrados.

Indenização

Na ação trabalhista em que pede a rescisão indireta do contrato, a advogada pede a condenação da empresa ao pagamento de uma indenização equivalente a cerca de R$ 900 mil por danos morais. “O caso é muito grave. Não foi só a discriminação, foram as ameaças. Ângela sofreu lesões no corpo e na alma”, afirma Carmen Dora.

A advogada quer ainda que a empresa seja punida por fraude ao INSS porque a vendedora foi afastada com Auxílio Doença, quando deveria ter sido afastada por Acidente de Trabalho. A fraude também está causando prejuízos à vítima porque se tivesse sido afastada por acidente, a vendedora teria vantagens que não existem no afastamento por doença. Por causa da agressão, Angela passou a sofrer de depressão, de acordo com diagnóstico de psiquiatras, cujos laudos fazem parte do processo.

Da Redacao