Campinas/SP – Quase onze anos depois do fato, a Justiça de S. Paulo condenou o diretor e ator Walfredo Campos Maya Júnior, 57 anos, o Wolf Maya (foto), da Rede Globo, a dois anos e dois meses de prisão pelo crime de injúria racial, por ter agredido o técnico de iluminação Denivaldo Pereira da Silva, chamando-o de “preto fedorento que saiu do esgoto com mal de Parkinson”.
O juiz Abelardo de Azevedo Silveira, da 2ª Vara Criminal de Campinas, substituiu a pena de prisão pelo pagamento de indenização no valor de R$ 10,9 mil (o equivalente a 20 salários mínimos), e um período adicional de prestação de trabalho comunitário a ser definido pela Vara de Execuções Criminais.
O caso aconteceu no dia 12 de agosto de 2.000 no Teatro Municipal de Campinas. A vítima trabalhava como técnico de iluminação numa empresa prestadora de serviços de iluminação para a peça escrita e dirigida por Wolf Maya, “Relax… It’s Sex”. Segundo a testemunha Ronaldo Carlos, à época funcionário do Teatro, a ira do diretor teria ocorrido porque ele não gostou da forma como o técnico direcionou a luz para um ator durante a peça.
Vitória da Justiça
Segundo o advogado Sinvaldo Firmo a sentença do Juiz de Campinas proferida no dia 02 de maio passado, representa uma vitória da Justiça. “Prá mim é o caso mais importante em que eu atuei. Estava mexendo com uma pessoa com muito poder, acompanhado por um grande escritório de advocacia”, afirmou.
Firmo acrescentou que, embora ainda caiba recurso, a condenação do diretor em 1ª instância é muito importante para que se demonstre à sociedade que atos racistas não podem ficar impunes. “Qualquer pessoa que seja, não pode ficar impune ao praticar um ato racista. Que a Justiça seja feita e que sirva de exemplo para pessoas que tem influência na sociedade. Que isso sirva de exemplo”, acrescentou.
Retaliação
Antes da decisão da Justiça com a condenação criminal, Wolf Maya já havia perdido a ação por danos morais, que moveu contra o técnico, em que pedia a indenização de R$ 100,00, sob a alegação de que a acusação de injúria racial teria prejudicado sua imagem.
Em maio do ano passado, o juiz Gilberto Luiz Franchescini, da 6ª Vara Cível de Campinas, julgou improcedente o pedido de Maya e o condenou a pagar as custas processuais no valor de R$ 2 mil. O diretor também tenta reverter a decisão em 2ª instância.
Perseguição
Após entrar com a queixa crime contra o diretor da Globo, pelo crime de injúria racial previsto no art. 3º do art. 140 do Código Penal Brasileiro, Denivaldo, segundo Firmo, teve fechadas todas as portas de trabalho. “Ele ficou desempregado e teve até de passar por tratamento psicológico. Todas as empresas de S. Paulo se fecharam prá ele e ele teve, inclusive de deixar o trabalho de técnico de iluminação”, contou.
O advogado também destacou a postura corajosa do funcionário público de Campinas, Ronaldo Carlos, que à época trabalhava no Teatro Municipal e se tornou a principal testemunha da agressão, mantendo o depoimento na Delegacia durante a fase de investigação, e perante o juiz.
Defesa de Maya
João Carlos de Lima Júnior, o advogado do ator e diretor da Globo, negou que seu cliente tenha cometido “qualquer ato racista contra quem quer que seja” e disse que recorrerá da decisão. “Ao longo de mais de 30 anos de carreira, o Wolf jamais foi acusado de nada, por ninguém. Ele não seria capaz de dizer essa frase que o técnico de iluminação disse ter partido dele”, afirmou.

Da Redacao