S. Paulo – Terminou na madrugada desta quarta-feira (19/10) o julgamento dos assassinos do dentista negro Flávio Sant’Ana com a condenação do tenente Carlos Alberto de Souza e do soldado Luciano José Dias – os policiais acusados por homicídio duplamente qualificado, fraude processual e porte ilegal de armas – a 17 anos e meio de prisão. Um terceiro envolvido – o cabo Ricardo Arce Rivera – foi condenado a 7 anos e meio por fraude processual e porte ilegal de armas.
O julgamento, que tinha começado na segunda-feira com o interrogatório dos policiais e leitura das peças do processo, terminou por volta das 2 horas da madrugada com a leitura da sentença. Dos sete policiais envolvidos no assassinato, apenas três foram denunciados por homicídio doloso. Os demais respondem pelo crime de alteração da cena do crime e serão julgados posteriormente.
A pena poderia ter sido de até 30 anos, de acordo com o Código Penal, porém o promotor Francisco Cembranelli, a considerou uma vitória diante da complexidade do caso. “Foi plenamente satisfatório”, afirmou.
Hoje, 19/10, às 18h haverá celebração ecumênica no salão da Igreja São Francisco, que fica na rua Riachuelo, 268, centro de S. Paulo (Largo de São Francisco), com a presença da família de Flávio e ativistas que acompanharam desde o início o julgamento. Logo após haverá um debate sobre “Cultura de Paz” e a defesa do “SIM” no referendo sobre o desarmamento marcado para este domingo, 23/10.
Segundo o Frei David Raimundo dos Santos, da Rede Educafro, a condenação dos policiais representa uma vitória. “Quem está sendo condenado não são apenas os policiais, mas toda uma postura da sociedade mal resolvida, que não foi preparada para respeitar a diversidade”, afirmou.
Durante os dois dias lideranças e ativistas de várias entidades e organizações do Movimento Negro e anti-racista acompanharam o julgamento dos policiais no Fórum Regional de Santana, pedindo justiça e a condenação dos acusados.
Flávio foi morto no dia 03 de fevereiro do ano passado, quanto retornava com seu carro do aeroporto de Cumbica, onde fora embarcar a namorada – a suíça Anita Joos – que retornava ao seu país, ao ser confundido com um suspeito de envolvimento no roubo de R$ 17,00. Após assassiná-lo friamente a tiros, os policiais tentaram forjar provas para justificar o crime, apresentando um revólver com numeração raspada como sendo da vítima.
A versão mentirosa caiu por terra quando a perícia constatou que não havia pólvora nas mãos de Flávio e depois que a vítima do roubo reconheceu que não fora o dentista autor do roubo.

Da Redacao