Rio Claro/SP – Hélcio Alves Carvalho e Axel Leonardo Ramos (foto abaixo), respectivamente de 20 e 21 anos, os dois neonazistas responsáveis pelo espancamento e morte do aposentado Benedito Oliveira Santana, 71 anos, foram ouvidos na tarde desta quarta-feira (04/09), na sala de audiências do Fórum de Rio Claro, cidade a 187 Km de S. Paulo. Os dois estão presos na Cadeia Pública de Itirapina.

O ataque aconteceu na madrugada de 06 de abril, quando o aposentado, um guardador de carros, trabalhava próxima ao Grupo Ginástico Rioclarense, no centro da cidade. O idoso foi atacado a socos, chutes e pontapés – especialmente na cabeça -, quando já se encontrava caído. Depois de permanecer cerca de 20 dias em estado de coma na UTI da Santa Casa de Rio Claro, com traumatismo craniano, ele recebeu alta e voltou para a casa, porém, nunca mais se recuperou das sequelas. Voltou a ser internado e acabou por morrer no sábado, dia 1º de junho, em sua casa em Ipeúna, interior de S. Paulo.

Ódio racial

Segundo os guardas municipais que atenderam a ocorrência e detiveram os acusados, os criminosos, à caminho da Delegacia mantiveram-se agressivos e diziam que “negros têm que morrer mesmo”.

O caso provocou a reação indignada da cidade e mobilizou setores do movimento negro que chegaram a realizar uma manifestação para pedir Justiça. A pedido de um grupo de advogados, entre os quais, Dojival Vieira, Elizeu Lopes, Hugo Albuquerque, Celso Fontana, e Cícero Almeida, do SOS Racismo, o deputado Adriano Diago, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de S. Paulo, pediu ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, a entrada da Polícia Federal nas investigações.

A própria Policia identificou os dois criminosos como membros de uma célula neonazista com presença organizada e atuante na cidade de Ponta Grossa no Paraná.

Julgamento

 A data do julgamento não foi marcada, porque o processo se encontra na chamada fase de instrução, em que as testemunhas de acusação e defesa são ouvidas e os réus interrogados. A prisão temporária foi convertida em prisão preventiva. 

O advogado da família, Luis Angelo Cerri Neto, disse que pedirá que sejam condenados por homicídio qualificado o que poderá resultar numa pena de 30 anos, em caso de condenação.

Da Redacao