Botucatu/SP – A organização racista norte-americana Ku Klux Klan (KKK), famosa por pregar abertamente o ódio racial, a supremacia branca e protagonizar cenas de linchamentos e enforcamentos públicos de negros nos Estados Unidos, virou modelo para o trote dos futuros médicos da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (UNESP), uma das principais universidades públicas do Estado.

No trote deste ano, que teria ocorrido no dia 05 do mês passado, veteranos do 6º ano da Medicina recepcionaram os calouros vestidos como autênticos cavaleiros da organização racista da extrema-direita norte-americana, inclusive vestindo o capuz. A única diferença é que os membros da KKK se vestem de branco. Os futuros médicos se vestiram com a mesma indumentária, só que negra. Os calouros foram obrigados a ficar ajoelhados. A idéia, segundo versão que circulou nas redes sociais, "era apenas dar um susto nos novos alunos".

A organização, que prega a violência pura e simples e o extermínio dos negros, foi criada no final do século XIX nos Estados do sul dos EUA que se opunham ao fim da escravidão. Fundada no Tenessee, em 1.866, seus militantes adotaram capuzes e roupões brancos fantasmagóricos para esconder a identidade e assustar as vítimas.

Também nas redes sociais o episódio provocou revolta e indignação. “O racismo não é brincadeira. Se você acha isso engraçado, se você não vê problema nisso, você precisa seriamente rever sua inteligência”, afirmou um estudante indignado, que preferiu manter sua identidade sob anonimato.

Cinismo explícito

O batizado foi organizado por alunos do 6º ano da Faculdade. Após o caso ter se tornado público em reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo”, os futuros médicos que adotaram o figurino da KKK como modelo afirmaram que a indumentária teria sido escolhida para representar “carrascos”. Os novos doutores, que em dois anos estarão atendendo a população em consultórios públicos e ou privados, também revelam desconhecimento da história e doses cavalares de cinismo, ao negar "qualquer prática preconceituosa" em um "trote" de conotação abertamente racista.

“Em nenhum momento houve qualquer prática preonceituosa, que estimulasse o racismo, homofobia, preconceito religioso ou corroborasse ideias de qualquer seita de caráter opressor. A conclusão de que estávamos fantasiados de Ku Klux Klan foi inferida pela forma como foram divulgadas as imagens descontextualizando totalmente a fantasia e inserindo imagens que fizessem com que os leitores chegasse a essa conclusão”, afirmam cínicamente os autores da Nota.

Por sua vez, a direção da Faculdade prometeu instaurar Comissão de Apuração Preliminar dos fatos ocorridos. A Comissão caberá, na conclusão dos trabalhos, “relatar o apurado e verificar se houve alguma infração ao Regimento Geral da UNESP”, diz a Nota.

Leia, na íntegra, a Nota da Medicina da UNESP.

NOTA OFICIAL SOBRE FESTA REALIZADA DIA 5 DE MARÇO

"A Faculdade de Medicina da Unesp, câmpus de Botucatu, publicará, o mais rapidamente possível, Portaria que instaura Comissão de Apuração Preliminar dos fatos ocorridos dia 5 de março em Botucatu. A Comissão responsável pela Apuração deverá levantar informações, confrontando sua veracidade, obtendo nomes, datas, horários, fiscalizando a existência de câmeras, fotos e requerendo providências que se façam necessárias e que possam resultar em provas substanciais. Cabe à Comissão de Apuração Preliminar, na conclusão de seus trabalhos, relatar o apurado e verificar se houve alguma infração ao Regimento Geral da Unesp. Nesse caso, será aberta Sindicância, que pode aplicar as sanções previstas no artigo 162 do mencionado Regimento.

O Regimento Geral da Unesp está disponível  em http://www.unesp.br/portal#!/secgeral

 

Da Redacao