Jogador brasileiro, que começou nos juniores do Santo André, é a estrela da campanha patrocinada pela Federação e Governos Tchecos. No último dia 15/09 (quarta-feira) um jogador de futebol, nascido e criado em Santo André, marcou um gol de placa ao se tornar o primeiro brasileiro a ser estrela de uma campanha contra o racismo promovida por um governo europeu.

A campanha, patrocinada pelo Governo e Federação Tcheca de Futebol, deverá ser veiculada em toda a Europa. Adauto, atleta de 24 anos, foi tricampeão paranaense e campeão brasileiro, em 2.001, pelo Atlético, artilheiro da Taça São Paulo Júnior, em 2.000, pelo Santo André.

Contratado pelo Slavia da República Tcheca, tornou-se o primeiro brasileiro a vestir a camisa de um clube de futebol daquele país, a antiga Tchecoslováquia. Em Praga, sentiu na pele o racismo. Primeiro, foram as piadas relacionadas à sua cor; depois as cenas freqüentes das torcidas adversárias imitando sons de macacos quando pegava na bola. Até que, no maior clássico do país, envolvendo o seu clube e o Sparta Praga aconteceu o episódio que encheu de vergonha os dirigentes e as autoridades.

Durante a partida – equilibrada como todo clássico – toda vez que pegava na bola, a torcida ia ao delírio imitando os sons ofensivos ao atleta pela sua cor, o que fez com que o árbitro da partida e dirigentes do Sparta parassem o jogo para pedir a torcida que cessasse as demonstrações de hostilidade racista.

O caso ganhou repercussão internacional e o clube acabou sendo punido pela poderosa UEFA e pela Federação Tcheca de Futebol. Na época, a UEFA chegou a enviar à Praga uma psicóloga para colocar-se à disposição e saber dos danos psicológicos que houvera sofrido. No dia seguinte à partida, em entrevista coletiva chamada pela entidade, Adauto disse que não se sentia abalado em conseqüências das agressões racista porque sabia que a atitude "era de apenas de uma parte do povo tcheco e que nunca havia morado em país com o povo tão educado e acolhedor".

A maneira tranqüila e autoconfiante com que respondeu a todas as perguntas dos repórteres fez com que o jogador fosse destaque em toda a mídia impressa e televisa, não apenas de Praga, mas de toda a Europa, passando a ser um ídolo da população não apenas por seus gols, mas também pela forma altiva como reagiu à agressão racista. "Em uma semana ele foi capa de vários meios de comunicação em toda a Europa, e a partir daí ganhou mídia também fora do futebol", relata Fábio Gianelli, assessor de imprensa do craque.

Na temporada de 2002/2003. Adauto foi eleito o melhor jogador do futebol tcheco e também escolhido um dos dez homens mais cobiçados entre as mulheres em revista destinada ao público feminino. Também é ídolo entre as crianças do país. Foi pelo sucesso do atleta ao se defender de uma agressão racista com altivez, sem se deixar abalar e sempre brilhando nos estádios, que o Governo e a Federação Tchecos o convidaram a ser o primeiro estrangeiro a representar o país em uma campanha publicitária, justamente contra o racismo que é, também lá, um dos mais graves problemas existentes na sociedade.

"Estava saindo do treino e vimos que estava lá o presidente da Federação Tcheca Jan Obst e o primeiro ministro. Ficamos curiosos. Eles chegaram até mim e perguntaram se eu gostaria de representar o país numa campanha nacional contra o racismo. Topei na hora", conta Adauto.

Criança pobre, Adauto disse que, naquele momento foi como se um filme passasse por sua cabeça e lembrou os tempos difíceis da infância e do início da carreira no Santo André, quando morava no alojamento do clube e não resistiu às lágrimas. A campanha foi lançada em cerimônia a qual compareceram por autoridades do mais alto escalão do Governo Tcheco, representantes de entidades européias contra o racismo e a presença de toda imprensa do País (veja fotos do evento).

O Governo agora negocia com a UEFA, para que a entidade veicule e patrocine a campanha de denúncia e combate ao racismo em todos os demais países europeus. O exemplo de Adauto, quem sabe sirva de estímulo a outros atletas brasileiros, que atuam no futebol europeu e em outras partes do mundo, a se engajarem em campanhas contra o racismo que, lá se expressa muitas vezes de forma agressiva e xenófoba.

Não menos perigosa e abominável, entretanto, da forma dissimulada e cínica, com que muitas vezes entre nós, mostra suas garras. Mesmo os jogadores de futebol que também sentem a presença do racismo nos estádios daqui, poderiam se engajar em campanhas desse tipo, no que estariam contribuindo para que, do futebol pentacampeão no mundo – além dos dribles e da maneira singular de jogar esse esporte – saísse também o exemplo de que com o respeito e a valorização da diversidade, não a comunidade negra tem a ganhar, mas também, e principalmente, o Brasil.

Depois, campanhas anti-racistas estreladas no Brasil por jogadores negros como Ronaldinho Gaúcho, Roque Júnior, Cafu, Adriano, e ou afrodescendentes como Ronaldinho, o Fenômeno, Roberto Carlos, entre outros, seria uma enorme contribuição à elevação da auto-estima das nossas crianças desde cedo tão maltratadas.

Da Redacao