S. Paulo – A Congregação da Faculdade de Direito do Largo do S. Francisco, da Universidade de S. Paulo (USP) aprovou, por unanimidade, recomendação ao Conselho Universitário da Universidade para que adote cotas raciais.
A decisão aconteceu na tarde desta terça-feira (31/05), de acordo com o jornalista e repórter da Editoria Politica do Jornal O Estado de S. Paulo, Roldão Arrruda. “Foi um momento histórico. A congregação entendeu que ainda persiste na USP uma exclusão racial profunda”, disse o professor Marcus Orione, um dos principais defensores da proposta na congregação.
Participaram da reunião representantes da Frente Pró-Cotas Raciais em S. Paulo, articulação que reúne cerca de 70 entidades dos movimentos negro, sindical e popular. Segundo, o advogado Clayton Borges, que representou a UNEAFRO na reunião “ficou claro que este debate está maduro e não dá para esperar mais. O sistema de inclusão adotado na USP não foi suficiente par aalterar a profunda desigualdade entre brancos e negros no acesso aos seus cursos”.
Mais de 100 Universidades públicas e privadas no país já adotam ações afirmativas e cotas para negros e indígenas no acesso ao Ensino Superior. As três Universidades paulistas – USP, UNESP e Unicamp), porém, resistem a adoção de cotas raciais, embora a Unicamp, por exemplo, já adote ações afirmativas com a adoção de um bônus de 30% na nota para estudantes que se declaram negros de indígenas.
A Universidade paulista que mais resiste às cotas raciais é justamente a maior do país e da América Latina, a USP, que é mantida com orçamento constituído por 5% do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) do Estado.
A decisão da Congregação da USP, segundo os representantes da Frente Pró-Cotas, foi influenciada pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, no mês passado, declarou a constitucionalidade das cotas e das ações afirmativas.

Da Redacao