Salvador/Bahia – Laudos do Departamento de Polícia Técnica (DPT) da Bahia, nos 12 corpos baleados em uma operação das Rondas Especiais (Rondesp), da PM baiana, na madrugada de 06 de fevereiro passado, no bairro do Cabula, periferia de Salvador, confirmam a denúncia de que todos foram executados, de acordo com o Jornal Correio.

A maior evidência da execução, segundo os laudos, é que os disparos foram realizados de cima pra baixo. Algumas das vítimas – todas negras – também apresentavam perfurações na palma da mão, braços e antebraços. Apenas 04 das doze vítimas apresentavam vestígios de pólvora nas mãos indicando que teriam efetuado disparos com arma de fogo.

Segundo a perícia todos apresentavam pelo menos cinco marcas de tiros – alguns deles disparados a curta distância – de menos de 1,5 metro.

Uma fonte ligada a investigação confirmou ao Correio que as vítimas teriam sido mortas em posição de defesa e que “há sinais evidentes de execução”.

Chacina

O caso – que ficou conhecido como “Chacina do Cabula” – ganhou repercussão nacional e internacional – depois que o governador da Bahia, Rui Costa, do PT (foto na capa), e seu secretário de Segurança Pública, fizeram manifestações em defesa da ação policial.

"Nós defendemos, assim como um bom artilheiro, acertar mais do que errar. E vocês terão sempre um governador disposto a não medir esforços, a defender do praça ao oficial, a todos que agirem com a energia necessária, mas dentro da lei”, disse Costa numa defesa aberta das execuções.

“Eu defendo a vida dos meus policiais e isso é o que importa: a vida dos policiais e a vida da sociedade que está sofrendo com essas ações delituosas. A resposta é essa. O Estado tem que atuar de forma enérgica no combate à criminalidade e ao crime organizado. Defendo muito a vida dos meus policiais, o que importa é a vida dos policiais e da sociedade”, completou seu secretário de Segurança, Maurício Barbosa, em entrevista ao Jornal “A Tarde”.

Rio

No Rio, Terezinha Maria de Jesus, mãe do garoto de 10 anos morto no Complexo do Alemão, ocupado por tropas da Polícia Militar do Estado, sob o comando do governador Luiz Antonio Pezão, do PMDB, acusou a Polícia de matar seu filho. “Foi a Polícia que matou meu filho. Não houve tiroteio. É mentira que teve confronto”, afirmou.

O menino foi atingido por uma bala de fuzil na cabeça, na porta de casa na tarde desta quinta-feira, durante operação do Batalhão de Choque da PM na comunidade. Nas últimas 48 horas, quatro pessoas – a maioria negras – já foram mortas em consequência da ação da Polícia.

Crédito da foto: Folha de S. Paulo

Da Redacao