Salvador – O líder da campanha “Reaja ou Será [email protected]”, que denuncia o assassinato sistemático de jovens negros pela Polícia Militar da Bahia, na periferia de Salvador, Hamilton Borges Walê, disse que as torturas sofridas pela líder religiosa do Candomblé, Bernadete Souza”, poderia poderiam ter provocado sua morte.
“Ela poderia ter sofrido um choque anafilático, porque permaneceu durante muito tempo sob o ataque das formigas”, relatou.
Walê disse que, além da audiência com o governador, as entidades cogitam levar a denúncia aos fóruns internacionais como a Comissão A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Leia, na íntegra, a Carta enviada pela Coordenadora Nacional do Movimento Negro Unificado (MNU), ao governador da Bahia, Jacques Wagner, do PT.
Florianópolis, 27 de outubro de 2010.
Exmo. Senhor
Governador do Estado da Bahia
Excelentíssimo Senhor:
Vivemos, dizem os Senhores, em uma democracia, onde todos os cidadãos/ãs tem seu direitos respeitados, e que os caminhos da lei devem ser seguidos para a manutenção da ordem. O Estado da Bahia o maior em contingente de população negra e também o Estado onde as instituições governamentais de segurança estabelecem os maiores ataques ao principio democrático e de direito, para com o povo negro.
As instituições de segurança do estado são sem dúvidas as grandes legitimadoras do racismo e responsáveis pelos inúmeros ataques que sofre o povo negro baiano, em quaisquer espaço onde esteja inserido, de forma brutal com requintes de ódio racial, quando se trata dos adeptos da Religião de Matriz Africana.
Afirmamos como crime de racismo, o desrespeito, o deboche, a nossa religiosidade, a brutalidade e crueldade com que foi tratada a sacerdotisa.
Que existem grupos racistas de origens neo-nazistas e facistas, sabemos e sempre os combateremos, o que não suportaremos é que o estado que sustentamos com nossos impostos seja o legitimador de tais grupo, e que os ocultem atrás das fardas e aparelhos do estado.
Caso contrário como se explica o fato em pauta, Racismo em Ilhéus?
RACISMO – INTOLERÂNCIA RELIGIOSA VIOLÊNCIA CONTRA MULHER – ABUSO DE AUTORIDADE-TORTURA
Sábado dia vinte e três de outubro de 2010, por volta das 14: 00 hora, um pelotão da Polícia Militar da Bahia invadiu o assentamento D. Helder Câmara, em Ilhéus, levando a comunidade de trabalhadores e trabalhadoras rurais a viverem um momento de terror, tortura e violência racial.
Os fatos: Ao ser questionado pela coordenadora do assentamento e sacerdotisa (filha de Oxossi) Bernadete Souza, sobre a ilegalidade da presença do pelotão da polícia na área do assentamento, por ser este uma jurisdição do INCRA – Instituto Nacional e Colonização de Reforma Agrária e, portanto a polícia sem justificativa e sem mandato judicial não poderia estar ali. Menos ainda, enquadrando homens, mulheres e crianças, sob mira de metralhadoras, pistolas e fuzil, o que se constitui numa grave violação de direitos humanos. Diante deste questionamento, o comandante alegando “desacato a autoridade” autorizou que Bernadete fosse algemada para ser conduzida à delegacia. Neste momento o orixá Oxossi incorporou a sacerdotisa que algemada foi colocada e mantida pelos PMs Júlio Guedes e seu colega identificado como “Jesus”, num formigueiro onde foi atacada por milhares de formigas provocando graves lesões, enquanto os PMs gritavam que as formigas eram para “afastar satanás”.
Quando os membros da comunidade tentaram se aproximar para socorrê-la um dos policiais apontou a pistola para cabeça da sacerdotisa, ameaçado que se alguém da comunidade se aproximasse ele atirava. Spray de pimenta foi atirado contra os trabalhadores. O desespero tomou conta da comunidade, crianças choravam, idosos passavam mal. Enquanto Bernadete (Oxossi) algemada, era arrastada pelos cabelos por quase 500 metros e em seguida jogada na viatura, os policiais numa clara demonstração de racismo e intolerância religiosa, gritavam “fora satanás”!
Na delegacia da Polícia Civil para onde foi conduzida, Bernadete ainda incorporada bastante machucada foi colocada algemada em uma cela onde havia homens, enquanto policias riam e ironizavam que tinham chicote para afastar “satanás”, e que os Sem Terras fossem se queixar ao Governador e ao Presidente.
A delegacia foi trancada para impedir o acesso de pessoas solidarias a Bernadete, enquanto os policias regozijavam – se relatando aos presentes que lá no assentamento além dos ataques a Oxossi (incorporado em Bernadete) também empurraram Obaluaê manifestado em outro sacerdote atirando o mesmo nas maquinas de bombear água. Os policias militares registraram na delegacia que a manifestação dos orixás na sacerdotisa Bernadete se tratava de insanidade mental.
A comunidade D. Hélder Câmara exige Justiça e punição rigorosa aos culpados e conclama a todas as Organizações e pessoas comprometidas com a nossa causa.
Contra o racismo, contra a intolerância religiosa, contra a violência policial, contra a violência à mulher, pela reforma agrária e pela paz.
Projeto de Reforma Agrária D. Hélder Câmara
Ylê Axé Odé Omí
Diante da violência e ódio racial, da crueldade, do abuso de poder cometido pelos policiais na invasão do Assentamento D.Helder Câmara, Ilhéus-BA, no dia 23 de outubro de 2010, exigimos o re-estabelecimento da ordem, sim a ordem que os Senhores dizem estar garantida no processo democrático, e partindo desta premissa conclamamos:
1 – a soltura imediata de Bernadete Souza, e a responsabilidade pelo estado de sua integridade física, moral e psicológica;
2 – imediata apuração dos fatos e punição dos envolvidos na forma da Lei;
3 – retratação da Secretaria de Segurança Pública;
4 – revisão dos programas das corporações, com inclusão de formação continuada sobre relações raciais no Brasil, o conhecimento é a maior ferramenta para que as mudanças aconteçam.
REAJA À VIOLÊNCIA RACIAL!
REARAÇÃO JÁ
Vanda Gomes Pinedo – Coordenadora Nacional do Movimento Negro Unificado
Enviem cartas para
Governo do Estado da Bahia –
Casa Civil da Bahia Tel.: 55 (0xx71) 3115-6371 Fax.: 55 (0xx71) 3371-1021
Superintendencia de Apoio e Defesa dos Direiros Humanos : Telefone: (71) 3115-8462
Fax: (71) 3115-8457
Polícia Militar da Bahia
Comandante Geral : Nilton Régis Mascarenhas
Tel: (71) 3115-9709; e-mail: [email protected]
Federal
Secretarial Especial de Direitos Humanos – [email protected]
SEPPIR – [email protected]
Secretaria Especial de Política para Mulheres [email protected]

Da Redacao