Santarém/PA – O cacique Odair José Borari, conhecido como Dadá, foi agredido e ferido por três homens desconhecidos, em Santarém (Pará), ontem segunda-feira, dia 19, às 10 horas da manhã. O fato aconteceu em uma rua próxima ao escritório do Grupo Consciência Indígena (GCI) e do Conselho Indígena dos rios Tapajós e Arapiuns (CITA), centro da cidade, onde Dadá trabalha como atual coordenador do CITA.
Enquanto caminhava, foi parado por um motoqueiro que começou a agredi-lo. Como, ele reagiu, começaram a lutar. Foi quando chegaram outros dois homens de moto. Todos estavam encapuzados e usavam luvas. Enquanto um o segurou por trás, outro colocou um revólver na
sua cabeça, o terceiro o atacava com uma faca ou canivete.
Os desconhecidos diziam coisas como: “Tu estás acostumado a fazer pros outros coisas que tu não deves. Ficas fazendo besteira prá gente que tu não conhece. Por isso, agora estás f…” Isso o levou a associar a ação dos agressores com as ameaças que ele já vem recebendo faz meses de pessoas ligadas á COEPA (Cooperativa do Oeste do Pará), grupo liderado por empresários que exploram madeira na Gleba Nova Olinda, no rio Maró, onde fica a aldeia de Novo Lugar, da qual Dadá é cacique.
A empresa tem invadido as terras indígenas e amedrontado os moradores de outras aldeias. O CITA tem denunciado continuamente a ação ilegal desse grupo. Dadá ficou ferido na barriga e na cabeça, onde levou vários baques de algum objeto cortante.
Teve suas roupas e documentos pessoais rasgados, e ainda lhe roubaram a quantia de R$750,00, que serviria para o CITA pagar o aluguel do escritório e despesas com pessoal. Por ser véspera de Carnaval, só no fim do dia se conseguiu registrar a ocorrência na Polícia Civil, quando Dadá foi submetido ao exame de corpo e delito.
Segundo Dada, “qualquer coisa que venha a me acontecer de pior a responsabilidade será da
Justiça, pois essas ameaças já foram comunicadas ao Ministério Público Federal. Já denunciamos e pedi proteção à Polícia Federal a mim e para a sede do CITA faz mais de um mês. E até agora não sei de nenhuma providência. E se eles voltarem a fazer o que não devem? Se eu já tivesse com proteção policial, isso não teria acontecido. O Procurador da República disse que não podia fazer nada porque ainda não tinha recebido da FUNAI um relatório que comprove que nós somos índios. E a FUNAI não fez nada até agora para identificar nossas terras. Então, a FUNAI é responsável também. Espero que a COIAB, nossa organização maior, nos apóie a pressionar por uma solução lá em cima, em Brasília, porque aqui está tudo
parado”, afirmou.

Da Redacao