S. Paulo – A criação de um Fórum da Igualdade Racial, para o qual serão convidadas todas as entidades e lideranças comprometidas em mobilizar a sociedade para pressionar o Congresso a votar o Estatuto da Igualdade Racial, foi a principal decisão da reunião na noite de quinta-feira (14/06), no Sindicato dos Comerciários.
O Fórum será lançado em ato público marcado para sexta-feira, 29 de junho, às 18h, na sede da Educafro, centro de S. Paulo. Além de lideranças negras serão convidadas para o ato personalidades da sociedade civil, que têm postura anti-racista e são solidárias a aprovação do Estatuto, como é o caso do presidente da OAB/SP, Luiz Flávio Borges D’Urso, e presidente do Sindicato dos Comerciários Ricardo Patah.
Mobilização
A reunião foi convocada pelo Movimento Brasil Afirmativo para discutir a organização da coleta de assinaturas na segunda etapa da campanha, iniciada no final do mês passado com a presença do senador Paulo Paim, autor do projeto. Os organizadores do movimento pretendem coletar 100 mil assinaturas até o final do mês de julho e levá-las à Brasília na primeira quinzena de agosto, promovendo a ocupação do salão Verde do Congresso, numa “batida de tambor”, conforme proposta do senador gaúcho “para chamar a atenção do Brasil”.
Na reunião estiveram presentes Frei Antonio Leandro da Silva e Douglas Belchior, da Rede Educafro – a maior rede de cursinhos pré-vestibulares do Brasil – o advogado Sinvaldo Firmo, do Instituto do Negro Padre Batista, o deputado José Cândido – o único deputado negro eleito por S. Paulo – e ativistas de Itapecerica da Serra, como Kátia Trindade, neta do poeta Solano Trindade – e Miryan Hess, do movimento indígena, além de lideranças do Movimento Brasil Afirmativo, como Daniela Zeidan e o jornalista Dojival Vieira, editor de Afropress.
“Precisamos fazer com que o Estatuto seja conhecido pela sociedade. Vamos mobilizar a sociedade em torno da defesa do Estatuto e conquistar corações e mentes para a nossa Causa”, afirmou Frei Leandro, que assumiu a direção executiva da Rede Educafro, em lugar de Frei David Raimundo dos Santos, afastado por motivos de saúde.
Ao mesmo tempo em que lideranças negras e anti-racistas na capital buscam unificar os esforços para a pressão, no interior de S. Paulo, cresce o movimento de coleta de assinaturas. Em cidades como Catanduva, Botucatu, Bauru, Ribeirão Preto, Marília e São José do Rio Preto, listas encaminhadas pelo Movimento Brasil Afirmativo estão sendo assumidas por lideranças negras comprometidas com a defesa do Estatuto.
Fórum da Igualdade Racial
O Fórum oficialmente se chamará Fórum de Mobilização pela Aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e do PL Cotas – 73/99, porém se defendeu que seja popularizado como Fórum da Igualdade Racial. A idéia é que, a partir de S. Paulo, outros Estados e mesmo municípios, se articulem em Fóruns desse tipo para intensificar a mobilização e a pressão sobre o parlamento.
O deputado José Cândido colocou o gabinete à disposição e se comprometeu a ajudar nos contatos visando à presença do deputado Arlindo Chinaglia, presidente da Câmara, e da ministra Matilde Ribeiro, da Seppir, no ato de lançamento do Fórum.
Ficou decidido que todas as lideranças de todas as entidades que defendem a pressão sobre o Congresso para votar o Estatuto sejam convidadas a participar. As listas que já foram distribuídas continuarão sendo utilizadas, porém, ficou decidido que o Fórum terá um formulário próprio. As listas em seguida, quando da conferência das assinaturas, para evitar problemas de repetição, receberão um carimbo do Fórum.
A análise feita pelos participantes da reunião é de que setores da elite racista do país, com poder e representação nos grandes meios de comunicação, armaram uma ofensiva para derrotar o movimento que existe no país por igualdade racial. Esses setores tornaram redes de TV que são concessão pública, como a Globo e a Revista Veja, da Editora Abril, que tem entre seus acionistas o Grupo Naspers, um dos pilares do regime do apartheid na África do Sul, os seus porta-vozes.

Da Redacao