Cuiabá/MT (Comunidade de Mata/Cavalo) – Lideranças quilombolas da Comunidade de Mata Cavalo, a 40 Km de Cuiabá, Mato Grosso, que estavam presos sob a acusação de desacato às autoridades, por resistirem ao despejo de suas terras, foram libertados, na tarde desta quinta feira (05/06), após intervenção da Fundação Palmares e da procuradora da Advocacia Geral da União, Nádia Borges.
A procuradora conversou com o juiz Jefferson Schneider – responsável pela decisão que resultou no despejo das famílias – e ponderou que a prisão era desnecessária.
A decisão judicial que determinou a desocupação do Quilombo de Mata Cavalo foi anunciada em dezembro do ano passado, porém, só nesta quinta-feira foi cumprida.
Segundo a Justiça Federal em Cuiabá, os oficiais de justiça estariam tendo dificuldade de desocupar a área, por isso, houve a ordem para o uso de força policial.
A ação havia sido requerida por fazendeiros que dizem ser os verdadeiros proprietários das terras onde se localiza a fazenda Estiva, de 204 hectares e que está dentro de Mata-Cavalo.
No cumprimento da ordem de despejo, três quilombolas foram presos: Gonçalina Eva de Almeida e Silva, Adenito Alves e Emiliano Venâncio e Santos.
Na estrada
De acordo com Bernadete Lopes (na foto ao lado do presidente Zulu Araújo), diretora de Proteção do Patrimônio Afro-brasileiro da Fundação Cultural Palmares, que está em Cuiabá, o problema é grave. “Todos estão na beira da estrada. Devem ser trazidos para Cuiabá hoje, mas não sabemos onde eles vão ficar”, relatou.
Bernadete informou que nesta sexta-feira (06/06),às 15hs, haverá reunião com representantes do Incra e da AGU para definir os procedimentos a serem tomados e a situação em que vão ficar os descendentes de escravos. “Faremos nossa parte em defesa dos quilombolas e veremos hoje quais as medidas jurídicas que podem ser adotadas. Vamos procurar se ainda cabe algum recurso para ver se eles saem do meio da estrada”, assegurou. A diretora disse ainda, que o Incra já informou que vai continuar os trabalhos de vistoria na fazenda e em áreas próximas.
Mata Cavalo
Mata Cavalo foi reconhecida como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares em 1999. Na área de 14.690 hectares vivem 418 famílias. Desde 2003 a comunidade sofre ações judiciais de reintegração de posse por parte dos fazendeiros que reivindicam a propriedade da área.

Da Redacao