Caruaru/PE – Trinta e cinco lideres do povo Xukuru respondem a processos na Justiça por reagirem ao assassinato de dois jovens indígenas e à tentativa de assassinato do cacique Marcos Xucuru, na cidade de Caruaru, Pernambuco, em fevereiro de 2.003.
Dez pessoas já foram ouvidas no processo, que começou no dia 03 e vai até 24 de agosto. Os líderes indígenas tem contra si acusações que vão, de invasão de domicílio com incêndio e danos, à autoria da destruição de imóveis.
O caso do assassinato dos jovens indígenas e a tentativa de homicídio contra o cacique Xukuru aconteceu no dia 07 de fevereiro de 2.003. No atentado foram mortos Josenílson José dos Santos e José Ademilson Barbosa da Silva. O autor dos disparos contra os indígena foi José Lourival Frazão, já processado e condenado.
No dia do conflito, a comunidade Xukuru seguiu para a Vila de Cimbres para cobrar protestar pelas mortes. Foram recebidos a tiros e quatro indígenas ficaram feridos. Ninguém foi preso ou processado.
Foi o bastante para que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal inverterem a situação: as vítimas foram transformadas em réus: o cacique Marcos Xukuru está sendo acusado de ter provocado o conflito.
Nos depoimentos, os acusados afirmaram que uma multidão de quase 2 mil pessoas reagiu, em legítima defesa aos assassinatos e que as lideranças, apesar de tentarem, não conseguiram controlar a situação. O grupo responsável pelos atentados foi expulso da região, assim como aliados dos políticos e fazendeiros que atacaram os indígenas.
O conflito envolvendo os Xukuru e fazendeiros começou na década de 80, quando os indígenas iniciaram a luta contra o projeto que visava transformar o Santuário de Nossa Senhora das Graças, localizado dentro da reserva indígena, se tornasse ponto de turismo religioso.

Da Redacao