Eu não tinha conhecimento do termo “brecha camponesa”. Era um mecanismo de controle dos senhores para manter os escravos “contentes’, e sem idéias de revoltas ou fugas, ameaças constantes que pairavam no ar durante este período. Consistia em ceder ao cativo um pedaço de terra em usofruto e uma folga semanal para trabalhá-la”.
O livro mostra também como a sociedade brasileira da época via a religião africana do candomblé. Segundo a visão da época, como o negro africano não possuía personalidade política, e era associado ao escravo, então, em terras brasileiras deveria praticar o catolicismo (religião oficial) e não o sincretismo africano.
Este livro vem reafirmar, mais um vez, a tese de que a história da escravidão e, conseqüentemente, a história do afro-brasileiro precisam deixar o círculo fechado dos intelectuais acadêmicos para entrar no debate publico. Entretanto, a comunidade afro-brasileira esta vendo que tentar ensinar a historia africana e afro-brasileira na rede publica de ensino através de um prisma diferente da mitologia eurocentrista vigente no país. É uma heresia passível de morte sob um auto de fé.
Negociação e Conflito.
João José Reis e Eduardo Silva
Companhia Das Letras
Livresco II
Para entender conseguir reeleger-se com a ajuda do voto afro-americano, um senador nos EUA decide dar uma cartada estratégica ao tentar incorporar nas fileiras do FBI pela primeira vez um espião negro.
O que o senador não imaginava é que o espectro contratado para ser o Negro velho da agência é um afro americano altamente qualificado e com idéias próprias.
Apos terminar seu treinamento no FBI, ele deixa a agencia e resolve regressar a sua cidade natal (Chicago) para treinar jovens de uma notória gangue chamada Cobras, com o intuito de começar uma revolução.
O livro e autobiográfico, uma sátira e uma critica ao movimento dos direitos civis nos EUA na conturbada década dos anos 60. Ao mesmo tempo, é também a história da reação de um homem contra a hipocrisia da classe dominante, mostrando que a luta contra a opressão é um sentimento universal.
The Spook Who Sat By The Door
Sam Greenlee
Wayne State University Press – Detroit
África
Quando fotógrafos do mundo ocidental ocupam-se da África, é quase sempre para evocar imagens patológicas de doenças, corrupção e pobreza.
A mídia global quase nunca mostra africanos contemporâneos em situações ordinárias. Imagens de crises freqüentemente ofuscam outras representações e a complexidade das vidas diárias neste vasto Continente, que engloba mais de 50 países, continua sendo ignorada completamente.
Em maio, o “International Center of Photography” de Nova York foi sede de uma ótima exibição para aqueles que procuram imagens menos patológicas e estereotipadas do “Dark Continent”. (Continente Negro)
Com uma agudeza profunda, uma patota de jovens artistas e fotógrafos mostrou o desenrolar do drama da vida contemporânea e experiência na África atual com grande precisão. Esta turma está examinando com suas fotos e quadros o vertiginoso processo de transformação acontecendo no Continente.
A transição massiva e adaptação social fazem as diferentes realidades dos grupos diversos: urbanos, rurais e comunidade formal e informal. O penetrante discernimento dos artistas mostra a extraordinária história deste projeto.
Quem ganha com este extraordinário trabalho, somos nós da Diáspora que crescemos com a imagem ocidental distorcida e estereotipada de que nada de interessante pode ser encontrada na África, além da fauna e flora. Para nossa felicidade, esta turma está mostrando o contrario. E isso aí, patota!
África II
Ellen Kuzwayo
1914 – 2006
Aposto que o leitor (a) deve estar curioso para saber quem foi esta senhora. Ela fez parte do CNA (Congresso Nacional Africano) que durante anos foi considerado um grupo fora da lei pelas autoridades sul africanas por causa de sua luta contra o apartheid na África do Sul.
Única mulher de uma turma que incluía Nelson Mandela, Walter Sisulu, Oliver Tambo e outros, teve importante participação na luta contra o apartheid que terminou com o fim da sentença imposta a Nelson Mandela em 1990 e, conseqüentemente, com sua eleição para presidente em 1994.
Depois da eleição de Nelson Mandela, tornou-se, aos 79 anos, membro do primeiro parlamento multiracial sul africano por um período de 5 anos. Na África do Sul, ela enfrentou duas batalhas: a primeira contra o racismo sul africano; e a segunda a favor da igualdade das mulheres com os homens.
Em sua autobiografia chamada “Call me Woman”, de 1985, ela descreve as surras que tomava de seu primeiro marido, e a perda da custódia dos filhos depois da separação porque, pela lei e tradição africana, era considerada uma pessoa menor.
Ela foi também a primeira mulher negra sul africana a ganhar o prêmio mais importante de literatura daquele país – o prêmio CAN. Um de seus lamentos freqüentes, era o duradouro malefício que o apartheid e a violenta luta contra ele causou as crianças sul africanas.
Ela também apareceu num importante filme acerca de crime e injustiça na África do Sul, em 1951, na versão do livro “Cry, The Beloved Country” estrelando o grande ator Sidney Poitier. Teve um pequeno papel no filme como a rainha She-Been, a proprietária de uma adega ilegal em Soweto.
Sra. Kuzway, descanse em paz!

Edson Cadette