S. Paulo – Além de invocar o testemunho de Hélio Santos e Maria Aparecida de Laia, na carta enviada a presidente do Conselho, Elisa Lucas Rodrigues, o Secretário José Henrique Reis Lobo, da Secretaria de Relações Institucionais do Governo do Estado, se defende enveredando pela tese da conspiração.
Diz que suas declarações teriam sido distorcidas por pessoas interessadas em “partidarizar a luta pela causa dos afrodescedentes” deixando mau o governador José Serra, que é candidato a Presidente nas eleições do ano que vem, e acusa a mídia, aludindo indiretamente a Afropress, cujas matérias sobre o caso tem sido reproduzidas pela grande mídia.
O endereço das críticas seriam os conselheiros João Carlos Benício, o primeiro a abandonar o Partido e a lançar uma Carta de Repúdio, e Paulo César Pereira de Oliveira, de Ribeirão Preto, que comandou a debandada tucana no interior. Na referência a Afropress Lobo se refere “a determinadas figuras que dispõe de instrumentos de informação e que insistem em usá-los para difundir inverdadades de todos os tipos”. “Se estivessem a serviço do bem, acrescenta o secretário, poderiam utilizar a sua fértil imaginação para trabalhar em torno de uma agenda positiva que resultasse em proveito da causa que dizem defender”.
O editor de Afropress, jornalista Dojival Vieira, disse que todas as matérias postada tiveram como fonte, o Conselho, conselheiros e a própria presidente Elisa Lucas, e que a carta de Lobo, além de revelar desinformação, é uma tentativa mal ajambrada de consertar os estragos políticos provocados por suas declarações à candidatura Serra, e que apenas expõe a falta de políticas do Governo do Estado para os 12,5 milhões de negros de S. Paulo. O jornalista acrescenta que, por isso mesmo, não reconhece nem nele nem no Governo que representa, autoridade alguma para pautar a Afropress, que é um veículo que se mantém e se manterá com absoluta independência em sua linha editorial.
O ofício SRI/GS – 169/2009, tem duas datas: 29 de maio, na abertura e 28 no encerramento – 11 dias após as declarações feitas no Auditório Franco Montoro, da Secretaria da Justiça de S. Paulo – e após a repercussão que provocou o início da debandada de conselheiros tucanos.
Veja, na íntegra
S. Paulo, 29 de maio de 2.009
Senhora Presidenta,
Encaminho-lhe em anexo a integra do pronunciamento que fiz no evento comemorativo dos 25 anos da criação do Conselho presidido por Vossa Senhora, solicitando a sua divulgação e a distribuição de cópias aos membros desse colegiado.
Faço-o para dirimir dúvidas que porventura existam a respeito do que realmente foi dito por mim naquela oportunidade, tendo em vista que, com o intuito deliberado de nos indispor com esse Conselho, com militantes dos movimentos de negros e com os afrodescendentes em geral, algumas pessoas têm difundido informações absolutamente inverídicas, atribuindo-me afirmações que não fiz e conceitos que não expendi na referida manifestação.
Tenho claro que, por trás disso tudo, está o objetivo escuso e inconfessável desas pessoas de promover conspirações contra lideranças desse Conselho, com o propósito de ocupar os seus lugares, bem como de partidarizar a luta pela causa dos afrodescendentes, detratando o Governo do Estado de S. Paulo através da figura do Governador e do titular do cargo de Secretário de Relações Institucionais, a cuja Pasta está vinculado esse colegiado.
A leitura acurada do discurso pronunciado naquela ocasião deixa evidente que em nenhum momento afirmei ou previ que serão precisos mais 500 anos para que se adotem políticas afirmativas em favor dos negros, posto que, textualmente, posicionei-me favoravelmente a elas, ao mesmo tempo em que manifestei uma profissão de fé de que “não será preciso tanto tempo para vencermos todas as dificuldades para que haja o reconhecimento de que só haverá verdadeira democracia quando houver, também, igualdade de oportunidade para todos, independente da raça ou da cor”.
Pinçada do contexto em que estava colocada, cujo sentido, literal e expressamente explicitado, era de que SEM LUTA OS AVANÇOS PODERIAM DEMORAR, a frase passou a ser usada, despudoramente e com evidente má fé, para o proselitismo político, com fins eleitorais, pelos que não querem reconhecer os inúmeros feitos do Governo do Estado de S. Paulo, na atual gestão e também nas anteriores, em benefício desse segmento que o Conselho presidido por Vossa Senhora defende com coragem e lucidez.
Paralelamente às atitudes deselegantes e de mau gosto dos que não sabem distinguir grosseria de coragem e de autenticidade, determinadas figuras que dispõe de instrumentos de informação insistem em usá-los para difundir inverdades de todos os tipos, quando, se estivessem a serviço do bem, poderiam utilizar a sua fértil imaginação para trabalhar em torno de uma agenda positiva que resultassem em proveito da causa que dizem defender.
Lamento que, com a história de vida que tenho, como homem público e como cidadão, na defesa intransigente dos direitos dos discriminados e dos marginalizados, manifestada ao longo da minha trajetória por palavras e por ações concretas e objetivas, de que são testemunhas, entre outros, lideranças como Vossa Senhoria mesmo, além de amigos como os professores Hélio Santos, Antonio Arruda e José Vicente, ou a companheira Maria Aparecida de Laia e o artista plástico e museólogo Emanoel Araújo, veja-me na contingência de dar explicações sobre a minha posição quanto a causa dos afrodescendentes, ainda que seja apenas com o intuito de não permitir que prosperem as maldosas intenções dos que querem atingir, por meu intermédio, o Governo do Estado de S. Paulo em suspeitas de descomprometimento com causas que somos os primeiros a defender.
Certo de contar com a sua compreensão, renovo os protestos de estima e de consideração.
S. Paulo 28 de maio de 2.009
José Henrique Reis Lobo
Secretário de Relações Institucionais

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